A análise da frase «não acho oportuna a ocasião para zombarias»
Há algum teste para identificarmos se o regime se prende com o nome ou com o adjetivo?
Nesta frase de Camilo Castelo Branco: «Não acho oportuna a ocasião para zombarias.»
Nesse exemplo, para é regime de oportuna ou de ocasião?
Se não houvesse o artigo a, portanto, se a frase de Camilo fosse: «Não acho oportuna ocasião para zombarias» – haveria mudança de interpretação quanto ao regime?
Muito obrigado pelo vosso excelente trabalho!
A locução verbal «vai andando»
Qual a designação gramatical da expressão «vai andando.»?
Sintagma/locução verbal? Com valor interjetivo/imperativo?
Obrigado.
Hermenêutico de análise
Gostaria de saber significado e intenção da frase.
Eleição, eleições
Se a palavra eleição se referir a apenas dois candidatos, preciso colocar no plural eleições?
Quando se usa o singular e plural desta palavra?
Obrigado
Explicar e «para mim» (Brasil)
Eu sempre utilizava «Explique para mim» no lugar de «Explique-me» ou de «Me explique», pois nunca consigo memorizar quando é que se usa «Me explique» e quando é que se usa «Explique-me» em alguma frase.
Porém, uma minha amiga disse em público que «Explique para mim» é gramaticalmente incorreto e esteticamente feio, porém não explicou os porquês de não valer usar dessa forma.
No caso, ela está certa ou não? E por quais motivos também no caso?
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
Os significados de espera e momento
Gostaria de saber se é correto referirmo-nos a um intervalo de espera da seguinte forma:
«Depois de uma breve espera no aeroporto, à qual se somou um trajeto de uma hora e doze minutos, o seu voo aterrou finalmente em Miami.»
Por outro lado, existe algum antónimo de momento no que se refere à unidade de tempo? Ou seja, há alguma expressão que possa significar o contrário de «num momento».
Agradeço a resposta!
A classe de palavras de tampouco
Consultei vários dicionários e todos colocam o termo tampouco exclusivamente como advérbio («também não»).
Porém, não aceito muito bem a "exclusividade", pois o termo possui um significado parecido com nem e, em muitas vezes, fica no meio de orações coordenadas (posição preferencial das conjunções) Ex.:
«Ele não trabalha tampouco estuda.»(G1)
«Não gosto da Maria, tampouco da Joana.» (Ciberdúvidas)
Eu consigo reescrever perfeitamente as frases com o nem: «Ele não trabalha nem estuda».
Pergunto aos Senhores, pois a minha visão faz um pouco de sentido (eu acho); mas posso estar equivocado, porque não consegui achar uma visão igual a minha, exceto a visão do professor Sérgio Nogueira: «A palavra tampouco é uma conjunção aditiva. É sinônimo de nem.»
Podem me ajudar? Se quiserem, os Senhores poderão mandar apenas referências para eu ler.
Desde já, agradeço-lhes a enorme atenção.
Abertura (11/04/1997)
Gulbenkian e Mia Couto
Registamos com agrado o facto de a Fundação Calouste Gulbenkian nos ter anunciado a decisão de cobrir parte dos custos da instalação de Ciberdúvidas. É, assim, a primeira fundação cultural a patrocinar este projecto sobre a Língua Portuguesa.
"Língua que aceita brincadeiras", como há semanas escreveu, num convite implícito, na Antologia, o romancista angolano Pepetela. O escritor moçambicano Mia Couto acaba de aceitar o convite com "Perguntas à Língua Portuguesa", um texto redigido propositadamente para Ciberdúvidas, em que o autor se recreia com tonalidades e sentidos do idioma comum, em mutação permanente.
Sinais desta mudança são registados em Controvérsias, num artigo do jornalista angolano Rui Ramos: "Luandês, a nova língua da lusofonia".
Dentro de algum tempo, após a reestruturação que vamos realizar em Ciberdúvidas, contamos incluir numa nova rubrica - Diversidades - textos como o de Rui Ramos, porque, antes de polémicos, eles são acima de tudo recolhas necessárias das diferenças que fazem do português uma língua viva.
Espirado em João de Barros (1496-1570)
Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. 26, p. 477, col. 1, l. 25, observa-se, na entrada sabedoria, uma referência ao romance de cavalaria Crónica do Imperador Clarimundo (João de Barros, Coimbra, 1522): «… e pois isto que disse mais foi espiorado de sua graça que de minha sabedoria…» (capítulo 28.º).
Tendo efetuado alguma pesquisa, não encontrei o termo "espiorado" em nenhum lugar, devendo confessar que foi breve e superficial a pesquisa efetuada.
A minha questão é, pois: o termo "espiorado" foi palavra portuguesa – hoje um arcaísmo –, ou trata-se de uma gralha na referida enciclopédia? Se é arcaísmo, isto é, se realmente existiu, qual o significado que hoje se pode atribuir?
Antecipadamente grato, pela V.ª dedicação.
Jogabilidade
Gostaria de solicitar a vossa ajuda, mais uma vez. Tenho visto em alguns textos a palavra "jogabilidade", como algo que tem a capacidade de ser "jogável" (utilizei dois termos que não constam nos dicionários). Qual a alternativa para o uso desta palavra?
Grata pela atenção dispensada.
