DÚVIDAS

Verbo de estado com valor perfetivo num poema de Álvaro de Campos
Estando a lecionar a alunos do 12.º ano o poema "Aniversário" de Álvaro de Campos, decidi elaborar uma ficha de trabalho para treinar o aspeto verbal e surgiram-me algumas dúvidas. No excerto «O que eu fui de serões de meia-província», poderei considerar que está presente o valor aspetual iterativo, no sentido em que o sujeito lírico quer referir que vivenciou vários serões em família? Quando afirma «Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças», posso considerar o valor aspetual perfetivo (pela presença dos advérbios «já não»)? Antecipadamente grata pela atenção dispensada.
Negação em construções comparativas
Em catalão, italiano e, em linguagem popular, também em castelhano, é possível a construção de frases comparativas com negação. Também é possível o emprego da negação em comparações de superioridade ou de prioridade e de inferioridade ou posterioridade em português, ainda que seja só em língua oral/popular? Exemplos:    Cat.: La Maria és més alta que no la Lluïsa.   It.: Maria è più alta di Luisa.   Maria è più alta che non Luisa.   Cast.: María es más alta que Luisa.   Pop.: María es más alta que no Luisa.   Gal.: María é máis alta ca Luisa.   *María é máis alta ca non Luisa. Em português, seriam construções como:    A Maria é mais alta do que (não) a Luisa.   Ele mudou muito antes a forma de falar que (não) a forma de c...
A etimologia de rota e roteiro
Prezados especialistas do sítio Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, o melhor sobre nosso idioma que conheço! Escrevo para solicitar, gentilmente, um esclarecimento etimológico e histórico um tanto mais completo quanto possível para uma pesquisa acadêmica. Esta trata dos intitulados «roteiros experimentais» no Brasil (talvez «guias de procedimentos laboratoriais» ou «guião experimental» em Portugal), o que me levou a investigar a origem e a evolução semântica da palavra "roteiro". Minha pesquisa preliminar indica o seguinte: (a) Formação: roteiro deriva de rota + eiro; (b) Raízes latinas: rota pode ter origem em rupta («caminho aberto», do verbo rumpere) ou rotulus («rolo, registro escrito»); e, (c) Contexto histórico: O termo consolidou-se durante as Grandes Navegações para designar textos-guias de navegação detalhados. Gostaria de colaboração para compreender os seguintes pontos: 1. Datação e consolidação lexical: existem evidências textuais (em documentos medievais ou do português arcaico) que permitam datar, mesmo que aproximadamente, o período em que a palavra roteiro se consolidou no vocabulário português comum, diferenciando-se de sinônimos como itinerário ou rota? 2. Prevalência da raiz: qual das hipóteses latinas (rupta ou rotulus) é considerada a raiz dominante pela etimologia acadêmica portuguesa para a palavra rota, e, consequentemente, para roteiro? Proviria do francês route? 3. Evolução semântica do sufixo -eiro: gostaria de um parecer sobre a evolução do sufixo -eiro neste contexto. Seria a analogia com roupeiro (lugar que contém roupas, aqui no Brasil, pelo menos) semanticamente válida para roteiro (documento que contém rotas, instruções, ou caminhos a seguir), justificando a sua transição do meio náutico para o científico e artístico (guias de laboratório, guiões de cinema, etc.)? Esta palavra realmente é um desafio para mim. Agradeço a atenção e o valioso contributo.
Adiar e agradecer
Gostaria de saber se os verbos adiar e agradecer se regem por alguma preposição. Consultei várias fontes e não consegui encontrar. Desta forma, deve dizer-se: (I) Não faças ainda o relatório. Acho que o podes adiar uma hora. ou: (II) Não faças ainda o relatório. Acho que o podes adiar por uma hora. Quanto ao verbo agradecer: (III) Com amabilidade, o empregado de mesas levou-lhe a fatura e agradeceu-lhe a generosa gratificação. ou: (IV) Com amabilidade, o empregado de mesas levou-lhe a fatura e agradeceu-lhe pela generosa gratificação. Obrigada!
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