DÚVIDAS

No máximo, melhor que «no limite»
O Sr. Ministro João Cravinho acaba de anunciar na televisão que 'o Governo porá, por hipótese, no limite, 10 milhões de contos' já não sei onde. Sou eu que já não sei português, ou trata-se de mais uma bacorada (ministerial, certamente), daquelas que se dizem para mostrar que falo tantas línguas, estive tanto tempo no estrangeiro, que até já faço erros de português? E ainda há quem se ria dos que vão de vacanças!
Um caso de catáfora num exame de Português
Gostaria de saber em que medida a expressão seguinte configura uma catáfora. O exercício, de um exame de português de 12.º ano, diz assim: «O recurso à expressão "tudo o que Fernando Pessoa não pode ser" configura uma... Catáfora, reiteração, anáfora ou elipse. (Escolha múltipla)» As soluções indicam «catáfora». Contexto: «(...) a verdade é que é de Caeiro que irradia toda a heteronímia pessoana, pois ele é tudo o que Fernando Pessoa não pode ser: uno porque infinitamente múltiplo, o argonauta das sensações, o sol do universo pessoano.» Neste caso «ele» é o correferente, e «tudo o que o Fernando Pessoa não pode ser», o referente, uma vez que na catáfora o correferente aparece antes do referente? Gostaria que me elucidassem, pois fiquei confusa. Obrigada.
Falamos, perguntamos e respondemos
As perguntas dos consulentes do Ciberdúvidas revelam as eternas e tão quotidianas preocupações de quem fala uma língua com grandes tradições culturais de novecentos anos. Foi o que aconteceu na semana que ora termina. Uns preocupam-se com questões ortográficas, como as regras da translineação; e o Ciberdúvidas responde-lhes, porque tais regras existem segundo princípios que permitem a unidade do espaço linguístico do português. Outros querem saber qual é a pronúncia desta ou daquela palavra, porque alguém lhes fez um reparo ou porque a pronúncia de uma dada região os intrigou. E o Ciberdúvidas mostra que há padrões de pronúncia, ao mesmo tempo que regista variações regionais, que podem ser aceites, sem pôr em causa a inteligibilidade mútua. Muitos desejam refle(c)tir sobre a língua: querem compreender por que razão a sua intuição rejeita certas construções ou certas palavras; ou querem apurar a apreensão de conceitos através da descrição do sentido dos vocábulos e das suas relações. E os nossos especialistas em sintaxe, em semântica e em léxico esclarecem essas dúvidas, muitas vezes abrindo perspectivas e suscitando ainda mais perguntas para novas respostas. E – reflexo do sobressalto que percorre o mundo por causa da ameça da "gripe das aves" – também se quis saber a diferença entre pandemia, epidemia e endemia. Finalmente, houve quem quisesse saber mais sobre as suas origens; e surgem assim as perguntas sobre a toponímia de uma dada região ou sobre os gentílicos correspondentes a cada cidade, vila ou aldeia. É talvez porque sentem que esta língua é o seu maior património que os nossos consulentes mostram preocupação com os desafios de um mundo em que o inglês impera. Conseguirá o português resistir a este embate? Claro, porque, além de sermos muitos, é o português que faz quem somos e o que viermos a ser.
O nome tchutchuca
Tenho-me deparado com o uso de tchutchuca no português do Brasil. Por exemplo:  «Assim, enquanto Musk se comporta como um "tigrão" no Brasil, enfrentando abertamente as autoridades, na Europa, ele assume o papel de "tchutchuca", cedendo rapidamente às exigências regulatórias»   (revista Forum, 05/09/2025) ) «Desmoralizado, Bolsonaro tenta de todas as formas pregar a imagem de "radical" nas redes, no entanto, até mesmo entre os seus apoiadores, o ex-mandatário se revelou "tchutchuca" do STF [Supremo Tribunal Federal]» (revista Forum, 16/04/2025) ). Gostaria que comentassem esta palavra, que não parece ter registo em dicionários elaborados em Portugal.
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