«Sabord» / «itague de sabord»
Já dei muitas voltas e ainda não consegui descobrir quais os termos em português para 'sabord' e 'itague de sabord'. Trata-se de termos náuticos em francês, que designam respectivamente a abertura por onde saíam as bocas dos canhões no costado dos navios do séc. XVII ("portinhola", "escotilha", ou outra?) e os cabos que permitiam abri-la e fechá-la.
Poderão ajudar-me?
Desde já muito obrigado.
Relação grafia/fonia no século XVII
1. Nos textos seiscentistas, a grafia -mm- (e.g., «epigramma», «flamma», «immovel», «immortal», etc.), para além de poder estar alicerçada em razões etimológicas, indicaria que a vogal precedente era foneticamente mais intensa ou tão-só nasalada? 2. Ainda no mesmo século, ao artigo indefinido masculino «hum» (ou «hú»*) correspondia a forma feminina «húa»*. [* Não me permitindo o sistema a inserção do til, optei pelo uso do acento agudo.] 2.1. Sem fundamento etimológico que lhe assistisse, valeria o h- como marca de aspiração? 2.2. O til que recaía sobre o -u- da forma feminina do artigo seria um sinal de elisão do -m- ou de nasalização dessa vogal?
Os meus sinceros agradecimentos.
O significado de cientologia
Qual o significado de cientologia?
O valor conjuntivo do ou
Sou estudante e gostaria de saber qual o valor da conjunção «ou» no texto: «As aprendizagens ligadas a componentes do currículo de carácter transversal ou de natureza instrumental, nomeadamente no âmbito da educação para a cidadania ou da compreensão e expressão em língua portuguesa, constituem, numa perspectiva formativa, objecto de avaliação em todas as disciplinas.» Este «ou» equivale a «e»? Seria possível clarificarem este texto? Obrigada!
Desambiguar
Quando um corrector ortográfico informático corrige um texto, passa por uma fase chamada desambiguação. O corrector começa por dividir o texto em unidades significantes, por exemplo, a palavra "o", como "o" pode ser, por exemplo, um artigo ou um pronome, é necessário "desambiguá-lo" e, em função do contexto, identificar se é um artigo ou um pronome. Mesmo partindo do princípio que a palavra não se encontra dicionarizada (já consultei diversos dicionários) o seu uso é razoável, ou há alguma alternativa possível?
«Quero é ser feliz», uma frase clivada
Li a frase : «eu não quero ter razão, quero é ser feliz». Poderiam explicar este uso, com a omissão de «o que eu» («eu não quero ter razão, o que eu quero é ser feliz») já que nunca antes o tinha ouvido?
Muito obrigada.
MERCOSUL
MERCOSUL ou Mercosul?
Sou revisora e estou com essa dúvida, qual é a forma correta de escrever a sigla Mercosul?
Obrigada.
Etnocídio
Li, este fim de semana, que teria havido um etnocídio do povo nepalês. Esta palavra existe?
Concordância com quantificadores: «maioria de», «metade de»
Exponho abaixo o que considero saber com certeza sobre a constituição do grupo nominal (com alguns exemplos) para depois expor as situações que me geram dúvida.
Um grupo nominal...
1. tem por núcleo um nome ou um pronome n: Lisboa pron: ele
2. ao nome podem estar associados um ou mais determinantes det art def + det poss + n: «o meu carro» det demonstr + n: «este carro»
3. ao pronome pode estar associado um determinante artigo det art def + pron poss: «o teu»
4. tanto ao nome como ao pronome pode estar associado um quantificador quant univ + det art def + n: «todos os carros» quant univ + pron: «todos eles»
5. ao nome podem ainda estar associados o complemento do nome e/ou modificadores do nome (restritivo ou apositivo) [det art def + n + [prep + det art def + n] ]: [o carro [da Maria] ] [det art def + n + [adj] ]: [o carro [azul] ]
Nos exemplos deste último ponto, o grupo nominal inclui um grupo preposicional e um grupo adjetival, respetivamente, os quais assumem as funções de complemento e modificador, respetivamente.
No entanto, há várias grupos nominais que me deixam em dúvida sobre como encarar a sua constituição, todos eles incluindo quantificadores que são expressões partitivas. Por exemplo: «alguns dos carros»/«a metade dos carros». Em ambos os exemplos, a análise que faço da estrutura é [quant [prep + det art def + n] ], o que me levou a concluir (com muita certeza de ser a conclusão errada) que o quantificador pode constituir o núcleo de um grupo nominal sendo seguido por um grupo preposicional.
Na sequência da minha confusão, palmilhei todas as perguntas na categoria de quantificadores, e selecionei duas explicações que indico abaixo e que me parecem particularmente relevantes mas que me deixam ainda perplexa.
– excerto de explicação 1.
Numa resposta do Ciberdúvidas sobre a concordância do verbo com expressões partitivas é mencionado um extrato da Gramática do Português da Fundação Calouste Gulbenkian (2013, pp. 942/943), que inclui o excerto abaixo:
«Admite-se que é o nome nuclear de um sintagma nominal que desencadeia a concordância verbal. Assim, [no exemplo] acima, a concordância singular corresponde a uma estrutura em que o núcleo sintático do sintagma nominal complexo é o numeral, ao passo que a concordância plural corresponde a uma estrutura em que o núcleo do sintagma nominal é o nome que denota o domínio da quantificação.» (in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, consultado em 12-02-2023)
– excerto de explicação 2.
Na resposta à questão "Percentagem + adjetivo: «31% maior", pode ler-se:
«Relativamente aos quantificadores numerais percentuais, recorde-se que estes podem incidir sobre um nome, como acontece em (1):
(1) "Dez por cento dos alunos leram este livro."
Não obstante, estes quantificadores também podem incidir sobre um adjetivo, como se verifica em (2)1:
(2) "Os livros ficaram dez por cento mais caros."
Assim sendo, podemos concluir que os quantificadores numerais têm a possibilidade de incidir sobre um adjetivo.» (in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, consultado em 12-02-2023)
– A estrutura dos exemplos com quantificadores numerais percentuais parece-me em tudo idêntica à dos meus exemplos, mas não me é claro o que a expressão «incidir sobre» significa para a análise dos constituintes do sintagma. A ideia de que «Assim, [no exemplo] acima, a concordância singular corresponde a uma estrutura em que o núcleo sintático do sintagma nominal complexo é o numeral», expressa no excerto 1, parece reforçar a minha conclusão inicial de que o quantificador pode, em expressões partitivas, ser núcleo do sintagma nominal, mas tal ideia continua a soar-me herética.
Acrescento em nota de rodapé que há vários anos que leciono acima de tudo línguas estrangeiras e que as raras vezes que trabalhei a língua portuguesa foi com alunos do 2.º ciclo. Eu tenho a noção de que estas questões podem ser consideradas avançadas, mas parece-me contraprodutivo não ter uma resposta para dar aos alunos (poucos, é certo, mas não irrelevantes) que demonstram interesse e querem saber mais. Não ter uma resposta para dar a esses alunos é especialmente desmotivante quando começam a ganhar confiança na sua capacidade de não só identificar classes de palavras, mas também de as agrupar em grupos hierárquicos e atribuir-lhes funções, pois esses poucos tentam depois por sua própria iniciativa aventurar-se mais à frente, em busca tanto de desafios como de validação dos seus conhecimentos e capacidades. A este nível não precisam de memorizar já os nomes dos diferentes tipos de complementos e modificadores, mas sabendo que cada grupo frásico tem uma função sintática, podem facilmente deduzir que aquele grupo preposicional à frente do quantificador há de ser um qualquer complemento ou modificador anónimo aninhado dentro do grupo nominal do sujeito. Infelizmente, eu não sei o que lhes dizer.
A pronúncia da sequência ti no português europeu
Gostava de saber se existe algum estudo acerca da pronúncia da sequência "ti" (contigo, sítio, tirar) no Português Europeu (PE).
Tendo o russo como língua materna (em que o referido fenómeno da palatalização de quase todas as consoantes é muito frequente e fonologicamente obrigatório), percebo estes sons como ou bem palatalizados – [kõⁿ.'tʲi.gu] –, palatais – [kõⁿ.'ci.gu] – ou até aspirados – [kõⁿ.'tʰi.gu].
A diferença é ainda mais notória se comparados com as respectivas realizações fonéticas do cognato espanhol contigo em que o referido efeito acústico nunca (?) ocorre.
Estaria muito agradecido se me pudessem indicar se este fenómeno fonético existe em PE e, se possível, alguma refêrencia bibliográfica que trate do mesmo.
Obrigado pela atenção!
