Ainda a querela Úrano "vs." Urano
Referindo-me à resposta Afinal é Úrano ou Urano?, permitam-me que apresente as minhas dúvidas com base no seguinte:
O termo Urano (ou Úrano)designava inicialmente o deus mitológico e só muito depois foi adoptado para designar também o planeta, tal como sucedeu com os outros deuses e planetas: Vénus, Mercúrio, Marte, Júpiter, Saturno,Neptuno e Plutão. Nestes casos os nomes identificam tanto os planetas como os deuses que lhes deram os seus nomes, o que seguramente é o caso também de Urano (ou Úrano).
Sendo assim, não me parecem justificadas duas grafias diferentes, uma para o deus e outra para o planeta, pois que se trata de um único e mesmo nome com duas designações.
Quanto à grafia única adoptável, defendo que deva ser Urano, pela facilidade de pronúncia e pelo uso com que pessoalmente me defronto, como certamente muitos outros, desde os meus tempos de liceu e está reconhecida em dicionários e o próprio Rebelo Gonçalves já admitia ser corrente, embora recomendasse Úrano.
Não será este mais um caso do purismo etimológico de RG e seguidores, sobrepondo-se ao uso e à evolução natural da língua?
Agradecido pela atenção e por uma eventual réplica se entenderem que é devida.
Siglas, escolha das letras
Consultei muitas das respostas do Ciberdúvidas quanto à questão das siglas, mas nelas não encontro resposta à minha dúvida.
Vejo com alguma frequência em textos portugueses frases como, por exemplo, «O programa Inglês para Fins Académicos (EAP) visa...» ou «... tendo trabalhado largos anos no Centro Científico de Investigação (SCI)...». Obviamente que as siglas utilizadas são as dos nomes em inglês (English for Academic Purposes) e (Scientific Center of Investigation), e a minha pergunta é: é correcto traduzirmos o nome da instituição para português e mantermos as siglas na língua de origem? Não se deveria alertar, de alguma forma, o leitor de que a sigla provém do nome em inglês?
«Tem fome de carninha tenra»
Na frase «Ó Óscar, solta o leão, que ele tem fome de carninha tenra», qual a função sintáctica do segmento «tem fome de carninha tenra»?
O, demonstrativo invariável,
na frase «Não o sou agora»
na frase «Não o sou agora»
Qual das frases a seguir está correta? Ou ambas estão?
«Eu sou a Camila do conto. Mas não a sou agora.»
«"Eu sou a Camila do conto. Mas não o sou agora.»
Obrigado.
Desejo um feliz Natal e um excelente 2019, com saúde e paz, a todos os que trabalham para que Ciberdúvidas seja o que é!
A etimologia de docente e conduzir
Gostava de saber se o verbo docere (latim) pode assumir o significado de «conduzir» e se o termo docente pode ser considerado «aquele que conduz».
Malvinas vs. ilhas Falkland
Considerando que as ilhas são britânicas, eu escrevo Ilhas Malvinas ou Ilhas Falkland*? *Quando não estiver acompanhado da palavra "Ilhas", usa-se no plural: as Falklands.
A derivação de eslaide
Preciso criar um termo relativo ao ato ou à produção de slides (aplicado à educação com a noção de produção de slides para apresentação em sala de aula). Pensei em partir da palavra aportuguesa "eslaide" e gerar "eslaidização". Assim, "eslaidização" seria um neologismo viável ou possível na língua portuguesa? Se não for possível, vocês poderiam me propor um novo termo mais ajuste aos padrões de composição lexical?
Obrigado.
Abertura (18/04/1997)
«Aqui posso emprestaras palavras mais densas» O escritor guineense Carlos Lopes, no texto que escreveu para a Antologia de Ciberdúvidas, explica uma aparente contradição:«(...) Paradoxalmente é o português que me aproxima da minha dimensão africana, porque ele serve de alimento a uma outra língua - o kriol - que é a raiz da contemporaneidade guineense. (...) Em nenhuma outra língua, nem mesmo em kriol (devido à sua jovem normalização), me sinto tão à vontade. Aqui posso emprestar as palavras mais densas, os verbos mais aristocráticos, as sílabas mais estridentes, as expressões mais amargas, sem qualquer hesitação fonética. (...)»Este guineense, que também se exprime em espanhol, francês e inglês (além do italiano, alemão e grego), diz do nosso idioma comum o que muitos portugueses seriam incapazes de dizer. Apoucando-o, alguns disfarçam mesmo a falta de talento com a apologia das línguas mais diversas: uma porque permite transmitir melhor a oralidade, outra porque é mais adequada às letras das canções ou outra ainda porque tem uma gramática mais simples, todas, perante a nossa, só apresentam vantagens. Não é problema apenas de hoje, nem é complexo que se restrinja a Portugal.A Língua Portuguesa, felizmente, pertence também a mais seis países, e é de lá que muitas vezes nos vem, neste capítulo, o estímulo de que necessitamos.Daí o nosso esforço para alargar a participação de falantes de todos os países que utilizam o português como língua oficial. Na próxima reestruturação de Ciberdúvidas, procuraremos concretizar ainda mais esse empenho. Afinal, uma das melhores formas de responder aos que, com má-fé, como se pode verificar num texto hoje introduzido nas Controvérsias, procuram reduzir o nosso trabalho a um exercício de pedantismo.
«... às dos ouvintes de música»
Eu estava aqui escrevendo para uma amiga, quando me peguei escrevendo isso aqui: "Essas coisas todas respondem mais às perguntas dos músicos do que as dos ouvintes de música." Não sei se deu para reparar, mas o primeiro "às" veio craseado, e o segundo não – o que ficou meio esquisito. Só que eu achei que ficaria ainda mais esquisito, se eu botasse uma crase, já que nenhuma palavra segue – foi meio que uma elipse, não é mesmo? E também, seguindo uma lógica mais estrita, eu deveria ter escrito só "a", sem o 's' – já que a expressão é "responder a alguma coisa". O que também ficaria mais esquisito ainda do que só o "as" sem crase mesmo. E então, qual seria a melhor maneira de escrever essa frase, sem ter que repetir a palavra "perguntas"? Muitíssimo obrigado, vocês são o ‘site’ mais bem bolado da internet.
O neologismo duodecimalizar
Peço desculpa se esta pergunta já foi feita, mas não a via no perguntas/respostas. A questão é esta: a aplicação de duodécimos aos subsídios de Natal e férias por uma empresa pode chamar-se de outra maneira? Já li "duodecimilização", num documento (ainda por cima escrito por um advogado) que me pareceu mal; respondi a esse documento com outra palavra: "duodecimização". Qual a V. opinião? Grato pela atenção.
