DÚVIDAS

«Para a Lúcia»: complemento oblíquo
Gostaria de ver esclarecida uma dúvida sobre a presença dos complementos indireto e oblíquo. Na frase «Fiz um desenho para a Lúcia», o constituinte «para a Lúcia» desempenha a função de complemento oblíquo, ou de complemento indireto? Não está correta a substituição «Fiz-lhe um desenho»? O complemento indireto é sempre introduzido pela preposição a? A preposição para não pode introduzir esta função? Obrigada pela vossa disponibilidade.
O sobrenome Maroubo
Lendo mensagens enviadas a respeito de origem e significado de sobrenomes portugueses, gostaria de saber se há algo que pudessem me informar nesse sentido sobre o sobrenome Maroubo (por vezes aparentemente também soletrado "Marobo", "Marouvo" e "Marovo"). Meu bisavô, Manuel Joaquim Marobo, veio de Portugal para o Brasil no início do século XX, mas não sei precisar sua região exata de origem. Desde já, muito obrigada.
"Forfetário"
Encontro-me a estudar algumas políticas comunitárias e encontrei o termo "forfetário" que, segundo o contexto em que se insere, me parece ligado ao modo como as ajudas comunitárias são pagas... No entanto não encontro o seu significado em nenhum dos dicionários mais comuns da língua portuguesa. Agradeço desde já a vossa ajuda na sua procura e aproveito a ocasião para felicitá-los pelo excelente contributo que dão com este ‘site’.
Sotaque carioca
Trabalho há 18 anos em colégio como assessora e dou aulas para nove turmas com faixa etária entre 6 e 15 anos.   Em roda de colegas, conversando sobre sotaques, afirmei que cientificamente o sotaque mais semelhante à norma culta (língua portuguesa) é o do carioca. Fui advertida e desafiada. Gostaria de uma explicação científica e argumentada. Será que estou certa? Agradeço a atenção antecipadamente.
A origem do topónimo Eirô (Portugal)
Permitam-me apresentar a seguinte questão que, para vocês, pode não ter qualquer interesse linguístico, mas, para mim, que aprendi a falar o português dos meus antepassados e conterrâneos, que muito respeito, ficava-lhes grato se me pudessem esclarecer se ela tem ou não justificação e se deveria ou não ser tida em consideração e respeitada. Quanto ao significado do substantivo eirô, escrito com “ô” fechado, nome de um velho casal (unidade de exploração agrícola antiga), como sempre foi reconhecido, assim escrito e pronunciado, os dicionários da língua portuguesa desconhecem-no, mas reconhecem o termo "eiró" (com “ó” aberto), como derivando do latim hydreôla, diminutivo de hidra: «cobra de água (doce e fria)», ou «enguia»; ou então do nome masculino, regionalismo de eira de piso térreo, do latim, aréola: «pátio pequeno». Nos documentos que encontrei, a partir de 1519, relacionados com este casal ou casa, feitos, nomeadamente, por escrivães e tabeliães de Mosteiros (gente erudita da época, conhecedores de português e latim), a palavra eirô vai aparecendo, sucessivamente escrita, nas seguintes formas: eyroo, eiroo, eiro ou eyro e eyrô ou eirô, eirô, o que, como mero leigo observador, me parece poder conduzir à derivação da palavra latina hydreôla, independentemente de estar relacionada com eira (existindo, efectivamente, no interior da actual multissecular Casa do Eirô, um pátio térreo chamado eira), ou com «hidra de água doce e fria» ou enguia (espécie de peixe que, em outras eras, poderia ter vivido no ribeiro que passava junto). Em reforço do apresentado, é verdade que o substantivo eirô, ainda hoje, aparece escrito, nesta forma, em vários sítios do país, como, por exemplo: o Largo do Eirô, a Casa do Eirô, em Alijó, a Aldeia do Eirô, em Seia, etc. Sei que existe a palavra eiró, com “ó” aberto, quando referida a um peixe, e, pelo menos, a um lugar, em Cabeceiras de Basto, assim como em sobrenome de familiar. Sei que, num dos livros de Eça, ou A. Garrett, ou Camilo, que li em jovem, vinha lá escrito «Largo do Eirô» com uma nota entre parênteses de que, entre outras, significaria qualquer coisa semelhante a «que ficava no entroncamento de três caminhos»... Independente da palavra latina donde possa derivar, não seria de manter as duas opções? Pelos vistos, depois de oito séculos de língua portuguesa, os seus dicionários ainda apresentam algumas omissões ou lacunas, intencionais ou não.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa