As acepções da palavra educação
Não acredito que o termo educação utilizado pelo Governo para se referir ao grau de instrução de um país esteja correto. Na sicla MEC (Ministério da Educação e Cultura) o Governo trata educação como a instrução que a pessoa recebe no banco de escola, porém, eu entendo que o que a pessoa recebe na escola venha a ser instrução, e educação o que recebe em casa. Visto que existem pessoas diplomados que não têm nenhuma educação, polidez para lidar com os outros. Se eu estiver errado, por favor me corrijam.
Monoxigenada
Uma molécula contendo um único átomo de oxigénio diz-se 'monoxigenada', 'mono-oxigenada' ou 'monooxigenada'? À semelhança do sucedido com a palavra microrganismo, em que ocorreu a elisão de um 'o', diria que a forma mais correcta é a primeira. Em todo o caso gostaria de conhecer a vossa opinião.
Fazei / faça
A minha dúvida é em relação à conjugação do verbo fazer na frase da Oração de São Francisco:
"Ó Mestre, fazei com que eu procure mais."
A minha pergunta é a seguinte: a conjugação correta não seria "faça"? Se não for essa a resposta, gostaria de saber o porquê.
Ascensão
Quando estudei, na década de 50, o Congresso Nacional havia ratificado as instruções da Academia Brasileira de Letras para a confecção do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1943. Qualquer dúvida de ortografia era dirimida pelo citado compêndio. Mais tarde, em 1972, tomei conhecimento de modificações ocorridas, mas apenas quanto à acentuação. Perguntas:
1) O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1943, não está mais em vigor?
2) Se está, por que vejo, em alguns dicionários (não todos), a palavra "ascensão" escrita com "s", em oposição à grafia utilizada no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1943 (compilado e editado em 1953, por A. Tenório D'Albuquerque), onde se lê: "ascenção", com "ç"?
Agradeço antecipadamente pelo esclarecimento e atenção que me forem dispensados.
O pronome quem em construções clivadas
Haveria alguma restrição para utilização do pronome quem na posição de predicativo do sujeito?
Exemplos: «Ela é quem eu julgo inteligente.» (Ela é a pessoa a quem julgo inteligente.)
«Ela é quem fez isso.» (Ela é a pessoa que fez isso.)
A "rebeldia" da nossa língua comum
Os portugueses vêem os brasileiros como os “rebeldes” da Língua Portuguesa? Não é essa perspectiva injusta, quando qualquer brasileiro tem dificuldade em aceitar o à-vontade linguístico com que os naturais de Lisboa dizem gostar “imenso” de tudo? São estas sucintamente as questões levantadas por um consulente brasileiro a viver em Lisboa. A resposta é simples: nenhum país de Língua Portuguesa detém a norma, porque há variantes a respeitar. Por outro lado, importa que, linguisticamente, saibamos mais acerca uns dos outros, porque uma língua de dimensão mundial não dispensa o sentido de comunidade. Indicativo dessa necessidade é o extraordinário conjunto de gramáticos que, de um lado e do outro do Atlântico, investigam a história e actualidade da Língua Portuguesa. A respeito de um verbo que se tornou tabu linguístico, vemos que existem divergências entre gramáticos e lexicógrafos, mas não há uma oposição entre portugueses e brasileiros. O que é bom sinal: significa que a investigação se faz objectiva e serenamente, contribuindo assim para um conhecimento mais responsável da língua. Durante a semana, outras perguntas se fizeram também. Algumas são características de quem quer compreender a língua no seu uso quotidiano. Outras relevam da preocupação com a aprendizagem e são feitas por professores de língua materna, focando a Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS), recentemente adoptada em Portugal. Entretanto, o papel da linguagem literária no Ensino Básico e Secundário em Portugal suscita a discussão de opções pedagógicas. A petição de Maria do Carmo Vieira, “Pela dignificação do ensino”, é disso prova. Finalmente, na Antologia surge um novo texto. Da autoria de Luís Carlos Patraquim, que o escreveu especialmente para o Ciberdúvidas, é uma evocação da infância e da magia da palavra, mas dá também testemunho da diversidade da nossa língua comum em terras de Moçambique. Boa leitura.
Análise sintáctica de duas frases de Sophia de Mello Breyner Andresen
Em primeiro lugar, gostaria de vos agradecer os bons momentos que tenho passado esclarecendo dúvidas e partilhando curiosidades sobre a nossa língua. Bem hajam! As minhas dúvidas prendem-se com a análise sintáctica de duas frases de Sophia: 1. «Tudo na casa era desmedidamente grande» – será que poderemos considerar «desmedidamente» como complemento circunstancial de modo ou como elemento quantificador que integra o predicativo do sujeito, sem que se possa considerá-lo isoladamente? O predicativo do sujeito será então «desmedidamente grande» ou simplesmente «grande»? 2. «Quando eu morrer (...) mandem construir um navio sobre a minha sepultura» – embora tratando-se de uma frase complexa, poderemos considerar a oração subordinada temporal como o complemento circunstancial de tempo desta frase? Desde já agradeço a vossa colaboração e despeço-me até uma nova oportunidade,
«Menos eu»
Numa sentença como «está aparecendo todo o mundo, menos eu», o emprego do pronome reto eu se mostra adequado?
Pergunto isso, porque, nesse contexto, menos funciona como preposição, já que significa «exceto», não?
Obrigado.
«Mortos pela Pátria»
Em Almeida encontrei a Rua dos Combatentes Mortos pela Pátria. Pelo que vi na Net, existem em Portugal outros locais ou monumentos com nomes semalhantes. A minha dúvida é a seguinte: O referido nome da rua de Almeida está correcto, ou deveria ser Rua dos Combatentes Que Morreram pela Pátria? Como está parece significar que Pátria foi assassina e não que que os sodados morreram defendendo a Pátria.Agradeço, desde já, o vosso esclarecimento.
Acerca de "ênclise dupla"
Estava digitando um trabalho de geografia que meu professor pediu há umas semanas e, ao escrever, me deparei com a necessidade de colocar dois pronomes ligados a um verbo na frase «... e, em seguida, classifica-se-os em uma das eras geológicas...». Já que nunca tinha visto nenhum caso desses, gostaria de saber se eu cometi um erro e, caso não o tenha cometido, como se chama essa "ênclise dupla".
Obrigado.
