DÚVIDAS

A dupla grafia. Termos aconselháveis em Portugal
Diz-se no texto do Acordo Ortográfico – Base IV: 1. O c [...] e o p [...] ora se conservam, ora se eliminam. Assim [...] c) Conservam-se ou eliminam-se facultativamente [...]: aspecto e aspeto, [...] dicção e dição, [...] sector e setor, ceptro e cetro [...]. No entanto, no Vocabulário de Mudança – lista da MorDebe das palavras cuja grafia muda com o Acordo de 1990, diz-se: Ortografia Nova – Notas aspecto, aspeto – aspecto não é aconselhável em Portugal [...) dicção, dição – na prática, a situação anterior não muda [...] sector, setor cetro. Pergunto: 1. Aspecto não é aconselhável em Portugal, ou é errado? 2. As palavras dicção e sector têm as mesmas variações da palavra aspecto e, no entanto, de aspecto diz-se que não é aconselhável em Portugal, de dicção diz-se que a situação não muda e de sector não há nenhuma nota. Qual a diferença? Penso não se perceber a coerência nestas notas... 3. Em relação a ceptro, aparece uma única forma na ortografia nova, enquanto o texto do Acordo, conforme acima, aceita as duas formas facultativamente.
Ecogénico
Numa leitura de um relatório médico, deparei-me com o adjectivo ecogénico. Numa breve investigação pela Internet, vi que a palavra parece ser exclusiva da medicina, mas surge em contextos tão complexos, que não consegui, sequer, vislumbrar o mínimo de sentido para a palavra. Não consigo encontrar um dicionário que a apresente, mas sei que existe também, com o mesmo significado, em espanhol e italiano (será importada?). Será que tem alguma ligação com os exames ecográficos? Qual é o seu significado? Muito agradecia um esclarecimento. Obrigada.
Os Lusíadas – figuras de estilo
Sou estudante e gostava que me explicasse as figuras de estilo presentes nos seguintes versos do episódio d'Os Lusíadas Inês de Castro (Canto III, vv. 118 -137): a) Estrofe 118, verso 6: "Que do sepulcro os homens desenterra," b) Estrofe 120. verso 2: "De teus anos colhendo doce fruito," c) Estrofe 122, verso 3: "que tudo, enfim, tu, puro amor, deprezas," d) Estrofe 123, verso 1: "Tirar Inês ao mundo detremina," e) Estrofe 126, verso 7: "como co a mãe de Nino já mostraram," f) Estrofe 127, verso 3: "Fraca e sem força, só por ter sujeito" g) Estrofe 129, verso 7: "Estas relíquias suas que aqui viste," h)Estrofe 131, verso 6: "(Bem como paciente e mansa ovelha)," i) Estrofe 134, verso 7: "Secas do rosto as rosas, e perdida" j) Estrofe 137, verso 2: "De latrocínios, mortes e adultérios;". Julgo saber as figuras de estilo presentes nas alíneas: a) Hipérbole; emprego do termo exagerado para acentuar a gravidade do assassínio de Inês de Castro. c) Apóstrofe d) Eufemismo; utilizado para suavizar a realidade, neste caso a decisão do assassínio de D. Inês. e) Comparação g) Metáfora h) Parêntese e Comparação; interposição da frase num período onde forma sentido á parte. Comparação de Inês com uma ovelha que se entrega em sacríficio. Agradecia que me respondessem.
Socio-
   Há uma dúvida que há muito não consigo ver esclarecida. Trata-se do problema da hifenização e acentuação das palavras compostas com o elemento «sócio-». No Prontuário Ortográfico de M. Parreira e J. M. de Castro Pinto, das Edições Asa (6.ª ed.), na p. 114, vêm vários exemplos de «palavras compostas por elementos de natureza adjectival terminados em o», como afro, agro, euro, etc., cuja regra é utilizar sempre o hífen: afro-europeu, agro-pecuário.   Pareceria que o «sócio-» se encaixaria nesta categoria. No entanto, muitas vezes vi já escritas as palavras «sociocultural» ou «sociolinguística», inclusivamente no próprio dicionário Aurélio, onde aparecem as formas «sociolinguística/o» e «sóciopolítico» (note-se a divergência quanto à acentuação).   A minha dúvida é portanto quer em relação ao emprego do hífen, quer em relação à acentuação do elemento «sócio-»:   sócio-cultural, sóciocultural ou sociocultural?   Sócio-simbólico, etc.?   Obrigada, desde já, pelo esclarecimento que me puderem prestar.
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