DÚVIDAS

A autobiografia "parsemeada" de Jorge Listopad
No "Jornal de Letras" n.º 894, na última página, no texto intitulado "Na escada rolante" (da série "Autobiografia"), Jorge Listopad escreve a dado passo (no ponto 7): «Não tenho verdadeira autobiografia para além daquela parsemeada pelo que escrevo, enceno e até ensino.» A palavra parsemeada (particípio?) despertou-me a curiosidade. Não consta na vossa base, nem no Houaiss. Terá sido gralha?
A tradução da palavra inglesa javelin
Tenho andado, nos últimos dias, em busca de uma palavra que passasse o significado desta palavra inglesa. Os dois termos que me saltam logo à cabeça, dardo e azagaia, já têm significados muito marcados na nossa língua, o primeiro com o popular jogo de café, e o segundo como arma tipicamente africana. O que eu pretendia era algo que estivesse mais associado com a forma europeia da arma, como a palavra espanhola venablo.
A palavra ortotipografia
Gostaria de saber se a palavra ortotipografia existe em português. Refere-se à combinação das regras ortográficas e tipográficas e, no universo do design gráfico e editorial, faz já parte da gíria profissional. Procurei em vários dicionários e não obtive resultados, a não ser noutras línguas, como o espanhol. Martinez de Sousa, por exemplo, define ortotipografía como um conjunto de regras estéticas e de escrita tipográfica que se aplicam à apresentação dos elementos gráficos.
«Tipos de texto» = «protótipos textuais»
Apesar de leccionar na área de Língua Portuguesa, não me vejo, neste momento, obrigada a utilizar e/ou conhecer ao pormenor a nova terminologia linguística, que tantas dúvidas tem suscitado. Neste sentido, e porque me deparei com uma questão que exigia o conhecimento mais aprofundado destas alterações, gostaria que me elucidassem sobre o termo adequado a usar: se «tipos de texto», se «protótipos textuais». Aproveito ainda para questionar em que altura os docentes do básico e do secundário terão de se submeter inteiramente a esta nova terminologia.
Não-ionizantes, de novo
Com respeito à pergunta do consulente Luís Graça, permito-me discordar da resposta emitida pelo Professor José Neves Henriques, por duas razões: a primeira: não cabe a quem lida com determinada palavra, por ser ela restrita a seu meio ou por tê-la criado, o atributo de decidir a regra gramatical que se deve seguir para a mesma palavra. Se assim o fosse, um médico não saberia nunca como escrever um termo novo próprio do vocabulário da Engenharia, por exemplo. As regras gramaticais existem para todos os que as usam e se aplicam igualmente a palavras em uso e a neologismos, principalmente a estes, uma vez que os 'novatos' é que mais se devem sujeitar às regras existentes, mesmo para que não surjam outras, o mais das vezes desnecessárias, que só irão criar confusão - precisamos de pensar também, e mais ainda, nos que ainda vão aprender o nosso idioma.    Quanto ao caso específico do 'não' seguido de adjetivo (aqui, minha segunda razão de discordância) e na forma dos exemplos dados pelo consulente, creio que se deva considerá-lo um advérbio a modificar o termo que se lhe segue (sem necessidade, portanto, de hífen).   Assim, escrevemos:   pessoal docente, pessoal não docente   radiação ionizante, radiação não ionizante   critérios estabelecidos, critérios não estabelecidos   circunstância atenuante, circunstância não atenuante, etc.   No caso - não citado pelo consulente, mas existente - do 'não' seguido de substantivo, emprega-se o hífen, pois se trata de autêntico prefixo:   não-ordenamento, não-realização, não-violência, etc.   Em não havendo um substantivo expresso que modificar, deve-se ter apenas o cuidado de verificar se se trata de uma expressão que exija ou não o hífen.   Vejam-se o seguintes exemplos:   "Os não-fumantes vivem sofrendo o prejuízo causado pela fumaça do cigarro alheio", "Os homens fumantes devem permanecer neste vagão; os (homens) não fumantes, naquele outro".    É claro que, a bem da elegância, não convém servir-se desse tipo de construção nos casos em que a Língua fornece opção. Usemos "projeto inalterado", em vez de "projeto não-alterado", "pessoas indecentes", em vez de "pessoas não decentes", e por aí adiante.   Na esperança de ter sido útil...   Um abraço.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa