DÚVIDAS

O complemento em «avisei-te pela última vez»
Peço licença para perguntar se a resposta dada por Ana Martins realmente procede. Nela, a consultora assegura que o pronome objeto te em «avisei-te pela última vez» cumpre a função de complemento indireto, do que tenho dúvidas. Até onde sei, avisar pede complemento indireto, a não ser que venha acompanhado das preposições de ou sobre, que levarão ao emprego do complemento direto. Assim sendo, estariam corretas as seguintes frases: «Eu os avisei do desmarcamento da reunião.» «Eu lhes avisei que a reunião fora desmarcada.» Peço que me esclareçam, se estiver enganado. Muito obrigado!
Tijolo
Meu objetivo é melhor compreender a etimologia da palavra tijolo. Vários dicionários admitem-na como derivada do termo castelhano (séc. XIV) "tejuelo", que por sua vez, seria um diminutivo de "tejo", significando caco de telha. Proponho duas alternativas: Tijolo derivaria do Latim "Tigillum" (barrote de madeira), que remete à forma clássica do objeto em questão; Tijolo derivaria do Latim "Tegula" (telha de barro) e teria a mesma raiz da palavra portuguesa "tigela". Concluindo, a partir destas propostas, não haveria razão para se admitir que a palavra tijolo, elemento construtivo arcaico e fundamental da arquitetura romana na Península Ibérica, derive do castelhano do século XIV.
Tantalizar, tantalização, tantalizador, tantalizante
Em inglês existe o verbo tantalise, de Tantalus, bem como os substantivos tantalisation e tantaliser (ou com zz pelos ss nos EUA), que segundo o Dictionary.com significa aproximadamente «atormentar com a visão de algo desejado mas inalcançável; provocar suscitando expectativas que são repetidamente desapontadas» (tradução minha). De acordo com a Infopédia e a Wikipédia, Tântalo seria na mitologia grega o rei da Frígia, região do Noroeste da Ásia Menor, lançado ao Tártaro, o inferno grego, e condenado ao suplício da sede perpétua («suplício de Tântalo»: «sofrimento causado por coisa ardentemente desejada, e que parece prestes a obter-se, mas que escapa sempre»). Este castigo consistia na impossibilidade de Tântalo saciar a sua sede e a sua fome por as águas escoarem e os ramos das árvores de fruto se afastarem com o vento sempre que tentava chegar-lhes. Pelo que pesquisei, em português dispomos apenas dos substantivos tântalo ou tantálio (elemento químico cujo nome tem a origem sobredita) e do adjectivo relacionado tantálico. Posto isto, gostaria de saber a vossa opinião sobre a formação e utilização eventuais de "tantalizar", "tantalização", "tantalizador", "tantalizante" e "tantálico", ou outros, com o mesmo sentido que os falantes do inglês dão aos vocábulos equivalentes na sua língua. Muito obrigado e as minhas perpétuas congratulações pelo vosso tão útil serviço.
Língua portuguesa Portugal/Brasil
Sou brasileiro e muito me orgulho da língua portuguesa, a qual considero uma das mais belas do mundo. Sei que existem diferenças vocabulares entre nossos dois países, em várias áreas, como informática (por exemplo, cá dizemos "arquivo" e aí dizem "ficheiro"...), esporte (na área futebolística as diferenças são grandes também...) entre outras áreas. Isso porém não impede a compreensão (a não ser em alguma ocasiões) da modalidade brasileira e portuguesa de nosso idioma. Gostaria de perguntar a vossa opinião se num futuro distante seria possível que a variante brasileira do português venha a se tornar tão diferente do português lusitano que possa ser considerada uma nova língua. Existe essa possibilidade? Agradeço vossa atenção e aproveito a oportunidade para felicitá-los pelo maravilhoso trabalho que realizam!
«O que eu lhe digo» / «como não lho»
Sou descendente de galegos, falo galego e para mim, como para muitos galegos, escrever galego é mesmo escrever português, e falar galego é falar mais uma modalidade de português. Sou lusófono, mas aprendi a escrever de forma autodidacta. Na fala popular da Galiza são ainda frequentes frases como: – Nunca faz o que lhe eu digo. – Como lho não disseram, foi-se. Procurei nas gramáticas (Cunha e Cintra) e alí só se referiam a tais interpolações de passagem, dizendo delas que eram empregadas pelos escritores da língua, nomeadamente em Portugal. Nos cancioneiros medievais são construções frequentes, e também em escritores portugueses clássicos e modernos as tenho encontrado. Também li que na fala moderna em Portugal quase já se não empregam, se bem que em cantigas populares apareçam estas estruturas, a meu ver de grande beleza. A pergunta é: Ainda existem na fala, mesmo que fosse a fala mais popular das aldeias mais afastadas? É estilisticamente correcto levá-las à escrita? Em que tipo de linguagem: literária, académica, científica? O seu emprego sistemático pode resultar abusivo? Muito obrigado pela sua gentileza.
Se visam a vida, preparem-se para a morte
Gostaria de que me pudessem informar como se escreve em Latim justamente esta frase do título: "se visam a vida, preparem-se para a morte." E também como ficaria ela, em Latim, com os verbos na segunda pessoa do singular e com o verbos na segunda pessoa do plural. Desculpem por não ser isso uma dúvida de Português, mas como é a tradução de uma frase bem simples, espero que nesta seção "Correio" possa obter as informações pedidas. Obrigado pela atenção.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa