DÚVIDAS

Citações de artigos de um livro
No meu TCC [trabalho de conclusão de curso], estou usando notas de rodapé bibliográficas. Utilizei citações de dois artigos de um mesmo livro (uma coletânea), sendo que num deles a autora é a própria organizadora do livro. Na primeira vez, escrevi as referências completas assim: 1 AITH, Fernando. Políticas Públicas de Estado e de governo: instrumentos de consolidação do Estado Democrático de Direito e de promoção e proteção dos direitos humanos. In: BUCCI, Maria Paula Dallari (Org.). Políticas Públicas: reflexões sobre o conceito jurídico. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 233. 2 BUCCI, Maria Paula Dallari. O conceito de política pública em direito. In: ____, 2006, p. 46. Está correto? Depois, como faço as notas subsequentes? Ex: 3 AITH, ?????? 4 BUCCI, ?????? Se puder me ajudar agradeço muito porque não acho resposta para isso em lugar nenhum. Grata.
A regência do verbo oferecer
Tenho a seguinte frase: «Os modelos intermediários criaram algumas ilhas de prosperidade (como os países escandinavos), possíveis por circunstâncias muito especifícas de sua história e cultura, mas não conseguiram oferecer uma alternativa séria a países grandes e pobres como o Brasil.» Seria correto eu escrever «... mas não conseguiram oferecer uma alternativa séria aos países grandes...», já que quem oferece, oferece alguma coisa a alguém?
O pronome demonstrativo no plural: «uma coisa dessas», «um absurdo desses»
Gostaria de saber o seu parecer a respeito da construção em que um pronome demonstrativo é posposto a um substantivo. Em pesquisa pela rede, encontrei apenas a prescrição de que o pronome deve ser colocado no plural: «uma coisa dessas», «um absurdo desses». Dessa forma, não se explica nada. Ademais, no meu entender, a suposta incorreção do singular não se justifica; ao contrário, o singular parece-me mais lógico, visto que se pode subentender o substantivo tipo ou natureza após o pronome (a construção indica tipificação): «Não diga um absurdo desse [tipo].» Pesquisando nos livros, encontrei um item sobre o assunto na Gramática de Usos do Português, da linguista brasileira Maria Helena de Moura Neves. Conforme atesta a transcrição a seguir, a autora entende as duas formas (singular e plural) como possíveis: «Como é que se passam coisas destas em sua casa, a cem metros da minha, e você não me chama, não me avisa?» (A viagem noturna. TEIXEIRA, M. L. São Paulo: Martins, 1965) (destas = deste tipo) «Pensava que Miguel morreria pelas suas mãos. Como se moldava um horror deste?» (O fiel e a pedra. LINS, O. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1961) (deste = deste tipo) «Ciúmes de Bebel, pode uma coisas dessas?» (O sorriso do lagarto. RIBEIRO, J. U. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984) (dessas = desse tipo) «Eu podia ter quebrado o braço. Uma altura dessa!» (O fiel e a pedra. LINS, O. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1961) (dessa = desse tipo) (NEVES, 2000, p. 506). Desde já agradeço a atenção.
Ainda o plural de Pai Natal
«Nesta denominação, o vocábulo Natal é adjectivo. Ora, como o adjectivo tem de concordar com o substantivo, o plural só pode ser Pais Natais» (José Neves Henriques). Por que razão o vocábulo natal não pode ser, aqui, um substantivo? Nesse caso, considerando natal um determinante específico do substantivo pai (Nova Gramática do Português Contemporâneo, substantivos compostos), o plural de pai natal seria pais natal, como em navios-escola. Não se passa o mesmo em decreto-lei?
Ainda o género dos nomes dos países e das cidades
Em anterior questão feita por outro consulente, que pretendia saber o que indicava o “género dos países e cidades” (ou o género do nome dos países e cidades, conforme vossa correcção) a resposta acabou por ser, na minha opinião, inconclusiva. Apresentaram exemplos de nomes de países e cidades com género masculino, feminino e ainda, segundo vossa opinião, sem género. Mais do que saber mais em relação àquilo que o anterior consulente realmente perguntava, pergunto-vos: porque dizem que se trata de nomes sem género? Timor, Portugal, Évora ou Braga não são acompanhadas de artigo, é certo, mas dizemos “Portugal é bonito” ou “Faro está cheio de turistas”, não? Assim como diremos que “Israel diz-se pronta a discutir termos do acordo” ou que “Braga é acolhedora”. (O interesse por esta questão surgiu aliás no título de uma peça que acabo de ver num jornal: “Israel diz-se pronto para discutir muro de separação”. Formalmente correcto ou errado?) Obrigado.
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