Lógica estendida
No contexto da inteligência artificial, existe um ramo de «estudo» que é referido na terminologia inglesa como «extended logic». Em Portugal adoptou-se o nome «lógica estendida», mas não seria mais adequado o nome «lógica extendida»?
O termo drusa
Existe um termo muito utilizado em oftalmologia que tenho visto escrito (e também ouvido) de duas maneiras:
"drusa" ("drusas" no plural)
e "drusen".
Esta palavra tem origem germânica e é assim utilizada pelos alemães (como é evidente!) e anglo-saxónicos. Os franceses utilizam a palavra druses, e os espanhóis, drusas. A maior parte dos autores brasileiros usa o termo "drusa" e "drusas".
No entanto, muitos oftalmologistas portugueses nas suas publicações e comunicações orais em congressos utilizam o termo drusen, que penso ser um anglicismo devido à abundante literatura especializada anglo-saxónica.
Gostaria de saber a vossa opinião.
Maláui, aportuguesamento de Malawi
No texto do Acordo Ortográfico de 1990, na sua Base I, ponto 2., especifica-se: "[a]s letras k, w e y usam-se nos seguintes casos especiais: (...) b) Em topónimos/topônimos originários de outras línguas e seus derivados: Kwanza, Kuwait, kuwaitiano; Malawi, malawiano".
No entanto, na mesma Base I, mas no ponto 6. recomenda o Acordo "que os topónimos/topônimos de línguas estrangeiras se substituam, tanto quanto possível, por formas vernáculas, quando estas sejam antigas e ainda vivas em português ou quando entrem, ou possam entrar, no uso corrente. Exemplo: Anvers, substituído por Antuérpia; Cherbourg, por Cherburgo; Garonne, por Garona; Genève, por Genebra; Jutland, por Jutlândia; Milano, por Milão; München, por Muniche; Torino, por Turim; Zürich, por Zurique, etc."
Consultando o Vocabulário Toponímico do Vocabulário Ortográfico Comum, que vem aplicar as normas do novo acordo, encontramos nele única e exclusivamente a grafia Maláui.
Devemos interpretar que, por altura da preparação do acordo, esta forma (Maláui) não tinha entrado ainda no uso corrente e que é por isso que a mesma surge como exemplo no ponto 2. para um uso legítimo do "w"? Quão autoritária deve ser esta menção a "Malawi" como topónimo não adaptável (mas que na prática já o foi)? E como proceder com as seguintes formas normalizadas pelo VOC: Botsuana, Zimbábue, Burquina Fasso ou Seicheles, ou mesmo com o recente, Essuatíni?
Muito obrigado.
«Contra mim estavam todos eles»
Qual a função sintática de contra mim na frase: Contra mim estavam todos eles? Obrigada.
A formação de cantilena e português
Gostaria de saber qual a palavra primitiva de cantilena e de portuguesas? Será cantiga e porto, respectivamente?
«Copia-o» e «copia-lo»
Escrevemos numa ficha «lê o texto e copia-o» ou «copia-lo para o computador»?
Quadro / moldura
Foi sugerida a palavra moldura como tradução de "frame". No entanto, no contexto mais comum em que é usada (navegação na Internet) não me parece ser a tradução mais indicada, uma vez que "frame" se refere a toda a zona onde a imagem ou página está contida. Sendo assim, parece-me preferível a palavra quadro.
Pronúncia do e mudo não grafado
Eu gostaria de saber algo mais sobre a pronúncia europeia do e mudo nas posições quando ele não é escrito, principalmente antes de líquidas finais (-r e -l). Pronunciar -r e -l como -re e -le considera-se correcto ou não? Pergunto isso porque aqui na Croácia há quem ignore a presença dessa pronúncia dizendo que não podemos pronunciar o e mudo se ele não é escrito.
É verdade que o português do Brasil não conhece a pronúncia das palavras Brasil, Portugal, ver, amar, senhor como se elas fossem escritas Brasile, Portugale, vere, amare, senhore. Mas, esta pronúncia é muito comum quer em Portugal quer na África lusófona. Conheço uma italiana que aprendeu a falar português em Moçambique. Ela disse-me que lá pronunciam as palavras Brasil, amar, senhor quase como em italiano, quer dizer: /Brasile, amare, senhore/. Porque é que os portugueses (frequentemente) e os africanos (muito frequentemente) conservaram essa pronúncia e os brasileiros não?
Por favor escrevam alguma coisa a respeito.
Muito agradecido.
«Promotor de vendas» e «supervisor de vendas»
O que significa «promotor de vendas» e «supervisor de vendas»?
Um pronome pessoal ambíguo: sujeito vs. vocativo
A frase «Vós, querida filha, dissestes isso?» levanta-me algumas dúvidas na sua análise sintática.
1) À partida consideraria o constituinte «Vós, querida filha» como sujeito, sendo «querida filha» modificador apositivo de «Vós».
2) Contudo, não existirá também a possibilidade de considerar que os constituintes «Vós» e «querida filha» se destinam a interpelar o interlocutor assumindo assim a função de vocativo, ficando o sujeito como nulo subentendido («Vós»)?
3) Mais remota talvez esta possibilidade, mas não poderia um dos dois constituintes assumir o papel de sujeito e o outro de vocativo? (acrescento o seguinte: na frase «tu disseste isso?» claramente «tu» é sujeito; na frase «tu, disseste isso?» parece-me claro que «tu» desempenha a função de vocativo; contudo, na frase «tu, meu amor, disseste isso?» torna-se difícil perceber se «tu» ou «tu, meu amor» funciona como vocativo ou como sujeito, pois se é verdade que o vocativo se separa com vírgula do resto da oração, o mesmo se passa com o modificador apositivo, indicando nesse caso as vírgulas a separação do modificador apositivo em relação ao resto do sujeito). Ou dependerá tão só da entoação dada à frase?
Sem mais, obrigado e bom trabalho
