O “a” antes dos verbos
Gostaria de saber se está incorrecto o uso de "a" ou "o" antes dos verbos. Ex.: “Eu vou a fazer compras”; “Eu queria ir a ver o filme”.
Pipocar e pipoqueiro
Luxemburgo culpa parte política por crise no Palmeiras: «Diretores pipocam para torcedor.»
Acusam Neymar de ser pipoqueiro...
Que significam estes termos?
Grato.
Determinantes, quantificadores e pronomes
Ensinamos aos alunos que pertencem à mesma classe as palavras que se podem substituir entre si no eixo paradigmático, mantendo a gramaticalidade da frase. Ora, o critério distributivo não é aplicável à classe dos quantificadores, uma vez que se podem comportar como determinantes (quantificadores existenciais, universais e interrogativos), mas também podem ter um comportamento misto, precedendo o nome ou substituindo o grupo nominal (quantificadores numerais). Se a distinção determinante/quantificador tem apenas uma base semântica, como evitar a mera memorização de definições (e de listas de palavras) no trabalho de explicitação com os alunos?
Já em relação aos pronomes indefinidos, o DT não fixou qualquer alteração relativamente à tradição gramatical, ao associar na mesma subclasse o uso pronominal dos determinantes indefinidos e dos quantificadores existenciais, universais e interrogativos. A base semântica, relevante para fixar a quantificação nominal, não foi aqui considerada.
Tenho, pois, as maiores dúvidas sobre a condução de um processo de observação que permita tirar conclusões e sistematizar as propriedades das classes e subclasses em apreço:
Determinante indefinido vs. pronome indefinido
Vieram [outros] alunos./Vieram [outros].
Mas... quantificador (existencial/universal) vs. pronome indefinido
Vieram [alguns] alunos./Vieram [alguns].
Vieram [todos] os alunos./Vieram [todos].
Sempre... quantificador numeral
Vieram [dois] alunos./Vieram [dois].
Espero ter conseguido explicar as minhas dúvidas. Obrigada pela atenção.
O plural da palavra "kit"
Como se deverá formular o plural da palavra kit?
«Vou ir», outra vez
A forma perifrástica é constituída por um verbo principal, no infinitivo ou no gerúndio, e um verbo auxiliar, no tempo que se quer conjugar. Por isso, gostaria de saber se está correcto dizer-se «vou ir», sendo que se trata de um pleonasmo.
Holandês = neerlandês
Percorrendo as muitas respostas em arquivo na vossa excelente página encontrei várias que tentavam resolver o problema da utilização correcta da palavra «despoletar». A maior parte dos falantes de português diria que «despoletar» significa, entre outras coisas, «desencadear», «dar início a», geralmente por desconhecimento da palavra que deveria efectivamente ser usada nesses casos («espoletar») e de que só me ocorre um exemplo de uso correcto nas minhas muitas leituras (em Labirinto da Saudade, de Eduardo Lourenço). Dada esta situação, o problema que frequentemente se me coloca na minha profissão (tradutor) é não o de saber qual a palavra certa a utilizar (sempre conheci «espoletar» e o seu uso correcto) mas sim o de temer utilizá-la por receio de que os receptores julguem tratar-se exactamente do contrário. Chego a perguntar-me se não será melhor seguir o rebanho e tornar certo o que era errado por se tratar de expressões cunhadas pelo (mau) uso.
O mesmo se aplica ao uso (incorrecto?) dos adjectivos e substantivos «holandês», «flamengo», «Holanda» e «Flandres». Esse uso está já de tal modo generalizado (exceptuados os textos oficiais) que desesperei há muito da sua correcção e me pergunto (e a vós) se será legítimo aceitá-lo, na linguagem corrente, em virtude da sua difusão. O nome oficial do país a que habitualmente se chama «Holanda» é (Reino dos) Países Baixos, não passando a Holanda de uma das províncias (actualmente dividida em Holanda do Norte e Holanda do Sul). Dizer «Holanda» para designar todo o país é sinédoque justificada pela preponderância daquela província em termos económicos, culturais e políticos sobre todas as outras desde o século XVI até ao presente. «Flandres» era originariamente um condado vassalo da França, que se destacou pelo seu poderio económico e político na Idade Média. Vários documentos medievais portugueses referem-se a toda a região dos Países Baixos como Flandres, igualmente por sinédoque. Hoje em dia, «Flandres» pode designar duas coisas: qualquer uma das duas províncias do Reino da Bélgica (Flandres Oriental e Flandres Ocidental) ou toda a denominada Região Flamenga (uma das três que compõem a Bélgica), na qual se fala neerlandês, que é o idioma oficial tanto da Flandres (na segunda das acepções actuais) como do Reino dos Países Baixos. Não existe uma língua chamada «flamengo», embora se possa usar o adjectivo quando falamos de «cidades flamengas», «instituições flamengas», tal como é legítimo falar de «cidades holandesas» se estas se encontrarem na província da Holanda. Chamar «flamengo» ou «holandês» à língua neerlandesa parece-me o mesmo que dizer que os portugueses falam «lisboeta» ou «algarvio», e dizer que «os holandeses provocaram distúrbios», por exemplo, é temerário porque podemos, inadvertidamente, estar a englobar limburgueses, brabantinos, frísios e quaisquer habitantes das outras províncias dos Países Baixos. Será correcto tomar a parte pelo todo só porque se trata da designação mais familiar e em detrimento das outras? Não me parece, mas deixo-o à vossa consideração, uma vez que o (mau) uso parece estar a levar a melhor sobre a correcção. Inevitável?
Agradeço a vossa atenção e peço perdão pela usurpação do vosso espaço.
Siga-me/Segue-me
Existe um movimento de jovens católicos denominado «Segue-me». Um amigo nosso entende que o correto seria «Siga-me». Responda-me, por favor, qual a denominação correta. Grato.
Saco / saca
Gostaria de tirar uma dúvida: Quando eu digo "saco de cal" ou "saca de cal"? Qual dos dois está certo e, se os dois estiverem certos, em que situação devem ser usados? Desde já agradeço.
«Neste ano» e «este ano»
Agradecia que me comunicassem qual destas frases está corretamente escrita em português:
1 – «O seu habitual donativo tem, neste ano, um objetivo muito concreto.»
2 – «O seu habitual donativo tem, este ano, um objetivo muito concreto.»
«Segunda demão» (de tinta)
Um amigo corrigiu-me quando lhe disse que ia dar uma segunda mão de tinta às cadeiras. Segundo ele, deveria ter dito «segunda demão». Poderiam, por favor, tirar-me esta dúvida? «Mão» ou «demão», neste caso específico?
Obrigada.
