DÚVIDAS

Rerratificar e rerratificação
O Dicionário Ortográfico da Língua Portuguesa – editado pela Academia das Ciências de Lisboa – só apresenta a forma verbal rerratificar, e não a forma re-ratificar (com hífen). Consoante o comentário abaixo transcrito, o correto seria re-ratificar para se expressar, concomitantemente, retificação e ratificação. Esse é o caso mais utilizado pelo judiciário e pelos Conselhos Administrativos de Julgamentos de Contenciosos, no Brasil. Ou seja: retifica-se o acórdão em face de alguma omissão ou obscuridade que nele se perceba, ratificando-se, entretanto, os demais termos da sentença. Por favor, vejam os senhores os comentários abaixo (que não são meus): Rerratificação Pede a aluna e amiga O. Vieira uma explicação sobre a palavra 'rerratificação', que ela tem visto em documentos antigos escrita também de outras formas: re-ratificação e re/ratificação. Esse termo normalmente é aplicado a convênios em que se deseja retificar alguma cláusula, ratificando o restante do documento. Portanto o 're' inicial é uma redução de 'retificar' e não o prefixo re ['repetição, movimento para trás'], como dá a entender a grafia 'rerratificação'. A princípio – ou para quem não é do ramo – parece que se vai fazer uma nova ratificação, o que seria uma redundância, já que ratificar quer dizer 'confirmar, corroborar, reafirmar'. Pela lógica, então, seria correto escrever re/ratificação ou mesmo re-ratificação, como muito se fez quando o vocábulo não estava ainda dicionarizado. Agora que o Aurélio o registra com os dois rr (de acordo com a regra de composição do prefixo re), no entanto, é difícil mudar essa grafia. Mais fácil – e mais racional – seria denominar esse tipo de documento simplesmente de Termo de Retificação de Convênio (pois a ratificação é uma conseqüência óbvia). Muito lhes agradeceria uma resposta conclusiva vazada na norma culta. Grato.
A tradução da saudação latina salve
Nunca pensei que o imperativo latino salve me causasse tantas interrogações. Trata-se de uma forma verbal que funciona sintáctica e semanticamente como uma interjeição portuguesa de saudação inicial (exemplo-tipo: olá), o seu valor optativo emergindo notoriamente. Para meu grande espanto, o dicionário propõe as seguintes traduções salve, saúde e adeus. A meu ver, salve é uma interjeição de saudação inicial, enquanto saúde e adeus são interjeições de saudação final. Pois bem, como podem estas duas últimas servir como versão a um vocábulo que se utilizava como cumprimento em início de conversa? N.B. – Não estando alheado das mutações linguísticas populares, devo confessar que tenho, recorrentemente, ouvido, da parte de falantes de meios mais rurais e/ou menos escolarizados, a interjeição adeus como cumprimento inicial, sobretudo quando se saúda uma pessoa de passagem, muito rapidamente, possivelmente sem contacto corporal (beijo, abraço, aperto de mão). P.S. – Este tema faz-me referir ainda mais um aspecto, que já vi em discussões na Internet. São peculiares os títulos das duas orações «Ave Maria» e «Salve Rainha», quando ambas servem para invocar, cumprimentar…
O presente histórico ou narrativo
Sou estudante de Letras e frequente usuária dos serviços do Ciberdúvidas. Recentemente comecei a trabalhar como estagiária em uma editora e tenho a árdua missão de revisar uma tradução clássica do livro “Napoleão Bonaparte” de Octave Aubry, que será editado novamente. Ao iniciar a revisão notei uma "característica" no texto: a narração começa no passado, mas em um certo ponto passa a oscilar entre presente e passado. Fiquei bastante confusa e decidi recorrer aos renomados especialistas que desenvolvem um maravilhoso trabalho neste ‘site’. A primeira frase do livro é esta: «Tudo estava perdido: sua velha Guarda, cercada pelos corpos prussianos ou ingleses, fazia-se despedaçar, ao grito de 'Viva o imperador!', tão alto ainda que dominava o canhão.» A narração inicia-se no passado, mas no decorrer da leitura encontrei o seguinte trecho e a partir dele ela passa a ser feita no presente (voltando ao passado posteriormente e assim sucessivamente): «Caulaincourt esperava-o no portão. Corre para Napoleão, ajuda-o a apear-se. O imperador sobe penosamente a escada...» Peço encarecidamente que ajudem-me neste dilema: tal oscilação de tempo verbal é uma questão de estilo do autor ou a tradução está completamente errada? Agradeço desde já a paciência e o espaço cedido para a exposição de minha dúvida.
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