DÚVIDAS

Mais e maior
Sou formada em Letras na USP e trabalho na Editora Abril. Li no manual de um jornal brasileiro sobre a diferença no uso de «mais» e «maior» antes de substantivo: ele diz: «Use mais para palavras ou expressões que indiquem quantidade e maior para os casos em que a idéia seja de intensificação». Por exemplo: «Pedimos mais informações; Pediu maior colaboração para o evento; Ele espera obter maior reconhecimento do público». Essa explicação faz sentido, é coerente. Mas eu gostaria de saber se há impropriedade, erro, em usar maior ou mais indistintamente, sendo que os dicionários que consultei (Caldas Aulete e Aurélio) dizem que tais palavras são sinônimos nesse caso.
A diferença entre parricídio e patricídio
Ao traduzir um texto do inglês, deparei-me com definições diferentes para parricídio e patricídio. Segundo o autor, o primeiro designa o assassínio de um familiar ou ascendente próximo, não especificado; o segundo, o assassínio do pai em concreto (e matricídio, quando se trata da mãe). No entanto, em Portugal, o termo parricídio parece ser o usado para referir o assassínio do pai (na generalidade dos dicionários, a palavra patricídio nem sequer aparece). Quer isso dizer que, em português, a distinção entre os dois termos não faz sentido?
Naturalidade
Face à questão normalmente colocada em diversos impressos, referente à naturalidade da pessoa, gostaria de saber qual das opções de resposta é mais correcta, ou mesmo se alguma não é válida: (1) Naturalidade: Angola ou (2) Naturalidade: Angolana? Após consulta a um dicionário, li que naturalidade pode significar "país de origem", mas não me parece que alguém diga ou escreva: "A minha naturalidade é Angola." Existem outras formas de colocar a frase, nomeadamente "sou natural de ...", mas não é essa a minha dúvida. Obrigado.
«Ir a»/«Ir para» casa
A dúvida que vos coloco surgiu no âmbito de uma aula de português a estrangeiros e foi colocada pelos alunos. Quando usamos o verbo ir seguido da preposição a, construção usada para exprimir curta duração temporal de uma acção, algumas vezes fazemos a contracção da preposição com os artigos definidos que a seguem, mas outras vezes não. Ex.: 1– Vou a casa buscar um livro. (e não «Vou à casa buscar um livro») 2 – Vou ao restaurante. (e não «Vou a restaurante») O mesmo sucede com a construção verbo ir seguido da preposição para, usada para exprimir longa duração temporal de uma determinada acção, mas neste caso não se põe a questão da contracção com a preposição, mas a utilização ou não do artigo. Ex.: 1 – Vou para casa (e não «Vou para a casa»; podendo no entanto esta última ser utilizada, se referirmos a quem pertence a casa) 2 – Vou para o quiosque (e não «Vou para quiosque») A não contracção/supressão do artigo verifica-se sempre que há um substantivo de género feminino depois da preposição, mas não com todos os substantivos deste género, o que invalida a formulação de uma possível regra que obrigasse a esta alteração no caso de um substantivo ser de género feminino. Ex.: 1 – Vou para a praia. 2 – Vou à praia. São dois exemplos perfeitamente correctos que contrariam os exemplos dados anteriormente. Gostaria então, se possível, de saber qual é a regra para a supressão/não contracção do artigo aquando do uso destas construções. Aplica-se só a determinados substantivos que por acaso são de género feminino? Há uma lista desses substantivos? Também existem casos com o género masculino? Muito obrigada!
Lourdes ou Lurdes?
Qual a grafia correcta? São permitidas as duas actualmente? A primeira nunca existiu, ou deixou de se usar? Se já existiu, qual era a grafia usada na década 1950-1960? Se, no registo de nascimento, o nome de uma pessoa nascida em 1955 for Lourdes, pode ser alterado agora para Lurdes ao fazer a actualização do Bilhete de Identidade? Peço desculpa se já houve resposta a perguntas semelhantes, mas não consegui perceber como se faz a pesquisa.
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