DÚVIDAS

Mais e maior
Sou formada em Letras na USP e trabalho na Editora Abril. Li no manual de um jornal brasileiro sobre a diferença no uso de «mais» e «maior» antes de substantivo: ele diz: «Use mais para palavras ou expressões que indiquem quantidade e maior para os casos em que a idéia seja de intensificação». Por exemplo: «Pedimos mais informações; Pediu maior colaboração para o evento; Ele espera obter maior reconhecimento do público». Essa explicação faz sentido, é coerente. Mas eu gostaria de saber se há impropriedade, erro, em usar maior ou mais indistintamente, sendo que os dicionários que consultei (Caldas Aulete e Aurélio) dizem que tais palavras são sinônimos nesse caso.
A regência de concomitante
Qual a preposição, ou preposições, que rege(m) o adjetivo concomitante? Por exemplo, na frase: «A política de preços é concomitante [da/com (a)/a (a)… ?] capacidade dos importadores em colocarem no mercado grandes quantidades do produto.» Uma busca simples no Google (páginas de Portugal) devolve 4361 resultados para a preposição a (contraída com cada um dos artigos definidos — ao/à/aos/às), 16 800 para de (mais 10 750 quando contraída — do/da/dos/das) e um total de 41 623 para «com o/a/os/as».
Os nomes das espécies animais com inicial minúscula
Gostaria de saber se os nomes de espécies animais (nomeadamente de aves selvagens) devem ser escritos com maiúscula ou não. Já troquei opiniões sobre este assunto com inúmeras pessoas que se interessam pelo tema e tenho encontrado defensores das seguintes três hipóteses: 1 – O nome da espécie deve ser escrito com maiúscula em todas as circunstâncias (por ex.: "A Cegonha-branca é uma espécie comum em Portugal" e "Hoje vi um bando de 50 Cegonhas-brancas no Alentejo"). 2 – O nome da espécie deve ser escrito com maiúscula quando a afirmação se refere à espécie em si mas não quando se refere a um conjunto de indivíduos dessa espécie (por ex.: «A Cegonha-branca é uma espécie comum em Portugal», mas «Hoje vi um bando de 50 cegonhas-brancas no Alentejo»). 3 – Escrever com minúscula em todas as circunstâncias (por ex.: «A cegonha-branca é uma espécie comum em Portugal» e «Hoje vi um bando de 50 cegonhas-brancas no Alentejo»). Qual destas abordagens vos parece mais correcta? Grato pela atenção.
Lhe
Segundo aprendi, o pronome "LHE" só pode ser usado para pessoas e, na função de objeto indireto ou adjunto adnominal, apenas quando o verbo exigir a preposição "a" ou "para". Desta forma, não se poderia escrever, por exemplo: 1) "Preciso-LHE muito" (no sentido de "preciso muito DE você"); 2) "Como o CÃO estava com fome, dei-LHE comida" (dei comida ao CÃO); 3) "Porque o CARRO já estava velho, furou-LHE um pneu" (no sentido de "furou o pneu do CARRO"). O que gostaria é que os senhores me confirmassem se estes raciocínios que fiz a partir de meus estudos estão corretos. Pois as coisas nem sempre estão muito claras nas gramáticas, e talvez eu tenha entendido errado. Se for possível acrescentarem algo mais sobre o emprego desse pronome seria ótimo. Obrigado pela atenção.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa