DÚVIDAS

Sobre o beija-flor
Numa gramática indica-se como aves que arrulham os beija-flores. Eu, quando jovem da escola primária, aprendi uma poesia em que era referido que os pombos arrulham e geme a rola inocentinha. Ora o som produzido pelos pombos e também pelas rolas (além de estas também gemerem) é muito diferente do som produzido pelos beija-flores: o som destas aves é como que uma vibração, um sibilar (pelo menos das que observei numa visita à Malásia). Não havendo beija-flores em Portugal, procurei em livros ingleses uma informação, tendo obtido o seguinte: no manual de campo Birds of Britain and Europe (The Hamlyn Guide) é referido que as dove («rola») «call a series of muffled "druOO-u" notes» e que os woodpigeon «muffled... DOOOH-doo doo-doo, du». Já o manual de campo Western Birds para o continente americano (a Peterson Field Guide) tem que a white-winged dove produz «a harsh cooing who cooks for you» (mais imaginativas estas dove = rolas americanas) e também «ooo-uh-cuck». Já para os rock dove = domestic or feral pigeon refere «a soft, gurgling "coo-roo-coo"» Estas referências são para identificar o que se poderá entender por arrulhar. Já para os diferentes tipos de beija-flores que existem nesse continente, um dos manuais menciona «a feeding note "chick", a squeaking "seek", a thin sharp "chip"». Como se percebe, estes outros sons nada têm de semelhante com o arrulhar dos pombos ou das rolas. Agradecia um seu comentário/esclarecimento.
Origem de escanhoar
«A partir de agora, os pilotos do Troféu xpto deixam de ter desculpas paranão aparecerem com a barba bem escanhoada, nas provas de Kartcross, e não só.»Li esta frase num artigo, em que a propósito de condições especiais, nomeadamente o preço mais diminuto devido a um patrocinador (de uma empresa de construção civíl), se convidavam as pessoas a participar numa corrida de carros.Nunca ouvi esta expressão, «ter desculpas para não aparecer com a barba bem escanhoada», o que significa?Escanhoar eu sei que significa «barbear com perfeição». Gostaria de saber qual a origem desta expressão.
O verbo haver em expressões de tempo, de novo
A propósito da resposta à minha consulta emitida pela professora Eva Arim, em 12/3/2007, peço licença de voltar ao assunto, pois a argumentação não me convenceu. Vejamos: deve-se fazer a uniformidade temporal em frases do tipo da que se examina. Assim devemos dizer e escrever:1 – «O curso foi realizado há muito tempo.»2 – «Ele era professor havia muito tempo.»3 – «Esse assunto deveria ter sido tratado há muito tempo.»4 – «Esse assunto teria sido tratado (haveria) muito tempo.»Agora na frase em exame [«Se eu fosse Daniel, já teria enviado a encomenda (haveria) muito tempo»], vemos que, para se manter a uniformidade temporal, a meu ver, não há como remeter o tempo verbal para o momento em que a frase é produzida, como se diz na resposta, pois o mesmo não se faz com a frase 2, por exemplo. No caso da frase 1, obviamente o verbo haver deve ser conjugado a partir do instante da emissão da frase. O mesmo se diga quanto à frase 3 (apesar de estar o verbo auxiliar da oração principal no condicional, uma vez que essa frase guarda uma diferença sutil em relação à frase 4, cuja estrutura é idêntica à que apresentei). Em «Daniel...», estando o verbo da oração principal no condicional, como não conjugar o verbo haver também no condicional?...Aguardo novas considerações, que desde já agradeço.
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