DÚVIDAS

A flexão de chover («chover chuva»)
A frase «Choveu uma triste chuva de resignação» foi classificada pela banca de um concurso militar da aeronáutica como oração sem sujeito, pois o verbo não está no sentido figurado e «uma triste chuva de resignação» seria um objeto direto interno (intrínseco, ou seja, o núcleo dele possui uma palavra com o mesmo radical seguido de adjunto adnominal); não concordo, acho que a oração tem sujeito, pois o verbo chover está no sentido figurado certamente! Poder-me-iam ajudar por responderem se minha opinião está correta ou não, baseando sua resposta em uma gramática brasileira, talvez? Espero mais do que ansioso. Grato.
A utilização da palavra "reporte"
Na sequência de uma entrada devolvida na pesquisa de "reporte" aqui nas Ciberdúvidas relativamente à diferença entre "referir" e "reportar", o vosso comentário termina com a indicação da existência de "reporte" como termo possível num contexto de informações escritas. Porém, não consegui encontrar nenhum dicionário de português (nem sequer de português do Brasil) que contenha esta entrada. Não me "soa" normal e a tendência é não utilizar e corrigir quando vejo termos como "sistema de reporte", "árvore de reporte" e "unidade de reporte" (em que "reporte" é uma tradução de reporting). Podem esclarecer/fundamentar a utilização correcta da palavra "reporte" para que também eu possa esclarecer quem tem muita renitência em aceitar este termo? Obrigada.
O em de «não hesite em contactar-me»
É frequente ver-se escrito «não hesite em contactar-me» ou «não hesite em nos enviar», como este próprio site refere no seu cabeçalho. Presumo, assim, que seja a forma correcta de escrever. Contudo, não deixa de me causar estranheza, já que me parece que o em ficaria melhor se ali não estivesse. Penso que se tratará mais de «não hesite fazer algo» — do que «não hesite em fazer algo». Será, assim, [mais] correcto escrever «não hesite contactar-me»? Os meus agradecimentos.
O uso do futuro e do condicional para indicar suposição
Um amigo brasileiro disse-me que não entendia a utilização do futuro do verbo ter para indicar uma suposição. Por exemplo, neste excerto: «(...) foi no quarto onde terá acontecido o acidente que (...)», o verbo ter aparece aqui como verbo auxiliar, com esse sentido. Gostaria de saber mais em pormenor que caso gramatical é este, e se é, de facto, uma diferença entre a norma linguística portuguesa e a norma brasileira.
Os contextos do verbo contrair
Tenho lido na imprensa desportiva e também ouvido nas rádios e nas televisões frases como «o jogador tal contraiu uma lesão» e, em casos mais específicos, «fulano contraiu uma entorse» ou «contraiu um traumatismo», por exemplo. É correcto escrever-se ou falar-se desta forma? Eu sempre pensei que se contraíam doenças, viroses, virus, etc. E, por conseguinte, que se sofrem lesões...Muito obrigado.
O uso da palavra hipotisar no meio jurídico
«[...] nem pode deixar de se hipotizar [...] que a causa de morte nada tenha a ver com um confronto físico ainda que este confronto tenha ocorrido (nada se sabe sobre o eventual desenrolar do confronto, e trata-se de uma morte compatível com uma queda de pequena altura), nem pode deixar de se encarar como possível (tão possível como a hipótese relatada na acusação) a do envolvimento do marido da Arguida nos factos» (Acórdão do Tribunal de Relação de Guimarães). «Poderá assim hipotizar-se a questão de os factos denunciados estarem relacionados com o exercício da função que o mesmo assistente aduz exercer» (Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça). No meio jurídico a palavra "hipotizar" é muito utilizada. A psicologia parece que também não se inibe de aplicá-la. Os vários dicionários que pesquisei (Academia das Ciências, Houaiss, Verbo, etc.) não a referem. Estrangeirismo? Neologismo? Ou coisa de advogados e juízes?
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa