Determinantes, quantificadores e pronomes
Ensinamos aos alunos que pertencem à mesma classe as palavras que se podem substituir entre si no eixo paradigmático, mantendo a gramaticalidade da frase. Ora, o critério distributivo não é aplicável à classe dos quantificadores, uma vez que se podem comportar como determinantes (quantificadores existenciais, universais e interrogativos), mas também podem ter um comportamento misto, precedendo o nome ou substituindo o grupo nominal (quantificadores numerais). Se a distinção determinante/quantificador tem apenas uma base semântica, como evitar a mera memorização de definições (e de listas de palavras) no trabalho de explicitação com os alunos?
Já em relação aos pronomes indefinidos, o DT não fixou qualquer alteração relativamente à tradição gramatical, ao associar na mesma subclasse o uso pronominal dos determinantes indefinidos e dos quantificadores existenciais, universais e interrogativos. A base semântica, relevante para fixar a quantificação nominal, não foi aqui considerada.
Tenho, pois, as maiores dúvidas sobre a condução de um processo de observação que permita tirar conclusões e sistematizar as propriedades das classes e subclasses em apreço:
Determinante indefinido vs. pronome indefinido
Vieram [outros] alunos./Vieram [outros].
Mas... quantificador (existencial/universal) vs. pronome indefinido
Vieram [alguns] alunos./Vieram [alguns].
Vieram [todos] os alunos./Vieram [todos].
Sempre... quantificador numeral
Vieram [dois] alunos./Vieram [dois].
Espero ter conseguido explicar as minhas dúvidas. Obrigada pela atenção.
Plurais de unidades, respeito pelas normas
A mídia brasileira escreve, fala «1,2 milhão», «1,8 bilhão», «0,7 ponto». A portuguesa escreve «1,8 milhões», «1,1 bilhões», «0,70 euros». Tenho exemplos.
Qual delas está certa? Por quê?
Frase iniciada por um algarismo
Recorro mais uma vez à vossa ajuda.
Pode iniciar-se uma frase por um algarismo? («2 indivíduos compareceram à reunião.»)
E se se tratar de uma percentagem — também em início de frase — como deve ser escrito? («7%»; «sete por cento»; «7 por cento»)
Obrigada.
«O século de setecentos» = século XVIII
Não descobri se esta dúvida, quiçá muito básica, já estava respondida noutra entrada:
O "século XVIII" e o "século de setecentos" são o mesmo, não são?
(e por aí adiante, "séc. XVI"; "quinhentos"...)
Agradeço desde já.
Centésimas e centésimos
Como se diz correctamente?
— «Centésimas de segundo.»
— «Centésimos de segundo.»
Numerais por extenso
Depois de verificar em várias gramáticas do Brasil e pesquisar no Ciberdúvidas (não entendi a explicação de vocês), gostaria de uma resposta mais clara. Não sei como vocês trabalham, se cada um de vocês se reúnem para discutir uma pergunta e procurar uma solução coerente. Gosto muito do site, porém, perco-me às vezes com as respostas. Como trabalho com a língua portuguesa, estou sempre à procura de uma explicação. Como escrever os números por extenso?
No Brasil, nunca escrevemos os números por extenso usando vírgula. Após mil quando o primeiro algarismo da centena final é zero ou depois do mil quando vier com zero.
Exemplo: 1002 – mil e dois
1300 – mil e trezentos
1945 – mil novecentos e quarenta e cinco (aqui não usamos e depois de mil)
Em Portugal, há uma outra maneira de escrever?
Concordância de milhar e milhão: «81 milhões»
Gostaria de entender por que motivo têm aparecido na língua portuguesa umas designações de números "inovadoras". O Ciberdúvidas já contestou (e bem) aqueles que querem impor a expressão «centenas de milhar» em vez do usual «centenas de milhares». Outra "inovação" recente é dizer «81 milhão» em vez de «81 milhões». A primeira vez que ouvi tal coisa julguei tratar-se de pessoa ignorante. Mas, entretanto, tenho ouvido tal expressão absurda da boca de pessoas qualificadas (ontem foi Cândida de Almeida, procuradora-geral adjunta). Podem explicar?
Vírgula por extenso
Gostaria de tirar a seguinte dúvida:
Em notas de avaliação por extenso, a vírgula também se escreve por extenso?
Por exemplo:
12,6 — «doze vírgula seis»
12,6 — «doze, seis»
Qual das duas opções é a mais correta?
A etimologia de primeiro e evolução fonética
Reconhecendo a maior utilidade deste espaço de esclarecimento dedicado à língua portuguesa, gostaria de manifestar, desde já, o meu agradecimento pela atenção que possa merecer a questão que passo a colocar.
Vi, recentemente, serem aplicados os fenómenos fonéticos seguintes:
primarium < primariu — apócope do fonema "m";
primariu < primairu — metátese do grupo "ri" para "ir";
primairu < primeiro — assimilação do "a" para "e".
Quanto à queda e à transposição de fonemas, encontram-se as mesmas de acordo com os ensinamentos adquiridos. Já quanto à "assimilação" não nos parece correcta a sua aplicação, porquanto tal definição implica que a transformação de um fonema o seja noutro igual ou semelhante a um que lhe seja contíguo e dentro da mesma palavra, tal como ocorre, por exemplo, em ipsum < isso, onde o "p" se assemelhou ao "s".
Solicito, pois, o favor de me esclarecerem sobre a alteração ocorrida em "a" para "e", no caso supra apresentado.
Reiterando agradecimentos e formulando os melhores votos para a prossecução de tão meritório trabalho, apresento os melhores cumprimentos.
Concordância do quantificador todo com expressão nominal complexa
Como fazer a concordância verbal do pronome indefinido todo + verbo ser quando for precedido de dois substantivos, um do gênero masculino e outro do feminino? Devo usar todo o e toda a, ou apenas o primeiro?
Exemplos:
«Todo o cuidado e prudência no trânsito nunca são demais.»
«Todo o cuidado e a prudência no trânsito nunca são demais.»
«Todo cuidado e prudência no trânsito nunca é demais.»
«Todo cuidado e prudência no trânsito nunca são demais.»
Muito obrigada.
