DÚVIDAS

Possessivo com nomes coordenados: «o meu tempo e dinheiro»
Creio ter aprendido numa aula de Português que, caso se faça uma enumeração após um determinante possessivo, este deverá surgir no plural. Assim, será mais adequado escrever «os meus tempo e dinheiro» do que «o meu tempo e o meu dinheiro». Isto confirma-se? Isto parece colocar um problema caso a enumeração tenha substantivos de géneros diferentes, provocando discordância em género. Será alguma das formas seguintes possível? «Os meus disponibilidade e interesse», ou «as minhas disponibilidade e interesse»? Obrigado. P.S. Aproveito para perguntar se as vírgulas estão bem aplicadas na primeira frase.
Concordância da expressão «não poder deixar de ser»
As seguintes frases estão ambas certas, ou apenas a primeira? «Os funcionários foram simpáticos, como não podiam deixar de ser.» «Os funcionários foram simpáticos, como não podia deixar de ser.» A primeira frase é de Mário Gonçalves Viana, no seu A Arte de Redigir, de 1951. Porém, em frases desse tipo eu costumo usar o verbo poder no singular. Está errado? Muito obrigado.
Concordância com infinitivos: «agrada-me dançar e cantar»
Tanto em italiano quanto em espanhol há verbos cujo sujeito vem após o verbo, por exemplo: 1. «Mi piace il cioccolato.»/«Mi piacciono i cioccolati.» 2. «Me gusta el chocolate.»/«Me gustan los chocolates.» Só que estes verbos piacere e gustar, quando têm como sujeitos verbos no modo infinitivo não mudam. 1.1. «Mi piace cantare e ballare.» 2.1. «Me gusta cantar y bailar.». I. Eu gostaria de saber esta regra se funciona com o verbo português agradar, ou seja, se o verbo muda ou não, quando o sujeito é composto por verbos no modo infinito, como: 3.1. «Agrada-me dançar e cantar.» 3.2. «Agradam-me dançar e cantar.» II. E se «agrada-me dançar e cantar» é o correto, por que o verbo fica no singular já que o sujeito é composto: «dançar e cantar»? Desde já, muito obrigado.
Concordância de predicativo:
«ela é o novo diretor da escola»
Na Internet leio muitas vezes que a regra de uso dos substantivos biformes e uniformes é simples: Os substantivos biformes possuem uma forma para o masculino e outra para o feminino: Ele é um menino muito educado/Ela é uma menina que canta bem. Ele é um ator famoso/Ela é uma atriz fantástica. Já os substantivos uniformes têm uma só forma para ambos os géneros: Ele é um estudante da FLUL/Ela é uma estudante da FLUL. O João é o nosso principal cliente/A Joana é a nossa principal cliente. Porém, já há muito tempo que reparei que nem sempre tal é o caso. Talvez esteja enganado, mas parece-me que com alguns substantivos biformes que possam ser referência tal como ao sexo masculino quer ao feminino, pode-se usar a forma masculina para representar ambos. Não sei bem porquê, mas as seguintes frases não soam tão estranho. Aliás, até me parece ser mais sofisticado que se usasse a regra acima descrita: Ela é um deputado do Partido Socialista. A Joana continua a ser um dos melhores alunos da nossa escola. A minha mãe foi sempre um cidadão exemplar para a nossa sociedade. A Paula Mendes exercerá temporariamente as funções de diretor da escola. Quando crescer, ela diz que gostaria de ser um professor na escola onde estuda agora. Marta Braga foi o último ministro da saúde competente que Portugal teve.
Referência comum a grupos de dois sexos
Numa rede social o grupo é composto pelos dois sexos. Na seguinte troca de mensagens por dois elementos (F – feminino e M – masculino): «F - Bom fim de semana, minhas caras. M - ... e meus caros! F1 - Disse bem, minhas caras! Somos todas pessoas!» É correta a justificação invocada por F1 ou deveria ser sempre «meus caros», conforme M, de modo a abranger todo o grupo? Para a frase de F estar correta, não deveria ser especificado o vocábulo pessoas, apesar de soar muito mal? Agradeço o vosso empenho em prol da língua portuguesa.
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