DÚVIDAS

Sobre a concordância do verbo ser com o predicativo do sujeito
Peço que os consultores do Ciberdúvidas voltem a pronunciar-se sobre a concordância do verbo ser com nomes predicativos no plural, apesar de o sujeito ser singular. As respostas já existentes são poucas, e algumas delas geram dúvidas. É importante sublinhar este aspecto porque a concordância com o nome predicativo se afasta da regra geral e, por isso, suscita alguma renitência dos falantes (em rigor, dos escreventes, porque a expressão oral mais facilmente segue as intuições). Além disso, como o inglês e o francês, em estruturas semelhantes, fazem a concordância com o singular do sujeito, agrava-se a tendência para escrever da mesma maneira em português. Nalguns jornais portugueses, chega a acontecer que os autores dos texto utilizem correctamente o verbo no plural, a concordar com o nome predicativo, e os revisores mudem o verbo para o singular. Assim, é preciso sublinhar que as seguintes expressões são gramaticalmente correctas – e intuitivas – e que seriam incorrectas se o verbo surgisse no singular: - O que ela levou foram as romãs. - Se a política se tivesse mantido, esta turma seriam 25 alunos. - Muitas vezes, o problema das crianças são os maus exemplos dos pais. - A chave do Totoloto foram os seguintes números. - Uma vez não são vezes. - Nesse tempo, a população de Portugal eram dois milhões de pessoas. - O direito são as regras que os tribunais aplicam. - O alvo deles somos nós. É certo que, nalguns casos, o verbo ser é usado no singular apesar de o nome predicativo estar no plural, mas não é essa a regra. Obrigado!
A concordância verbal numa frase interrogativa
com inversão do sujeito
Apesar de toda a consulta no Ciberdúvidas de artigos similares, é-me complexo decidir qual a melhor opção. «Que ciência nos ensina os livros?» «Que ciência nos ensinam os livros?» Pensei que a primeira opção será a mais correcta, mas, algumas horas depois de escrever a frase, tive a clara sensação de que estava errada. Compreendo que a solução simples seria optar por «Os livros ensinam-nos que ciência?», mas esta frase claramente não cumpre os objectivos da primeira no contexto em que será usada (primeira frase de uma sinopse). Muito obrigado.
«A Google» vs. «o Google»?
Leio (in  "A Google e a economia da atenção"  ) «graças a um algoritmo que ocupa o lugar de Deus, a Google é um titã da economia da atenção». No entanto, noutros registos (por exemplo, na Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Google), o género usado é o masculino: «O Google hospeda e desenvolve uma série de serviços e produtos baseados na Internet e gera lucro principalmente através da publicidade pelo AdWords.» Pergunto: "a" ou "o" Google?
«Pessoas a pedir/a pedirem ajuda»
Gostava de ter um comentário a estes quatro títulos de jornal, um deles, o primeiro, de hoje mesmo, no Correio da Manhã. Há menos médicos a pedirem a reforma. Há menos pessoas e empresas a entrar em insolvência. Há menos famílias sobre-endividadas a pedirem apoio à Deco. Há mais pessoas a pedir ajuda por sofrerem agressões dos filhos. A mim parece-me que o correto seria «há menos médicos a pedir a reforma». Mas numa busca na Internet parece que há títulos idênticos para vários gostos [...]. Obrigado pela atenção.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa