DÚVIDAS

Ainda a pronúncia da palavra blister
Fiz, há dias, a seguinte pergunta: «Como se pronuncia a palavra blister? Tem acento grave ou agudo?» Penso que a pergunta estará identificada pelo n.º 25 587 e foi respondida por Carlos Rocha. Fiquei, porém, algo decepcionado com a resposta, que não correspondeu às minhas dúvidas. Em primeiro lugar, argumenta-se que é uma palavra inglesa. Porém, como se argumenta na resposta, da vossa responsabilidade, à pergunta 15 205, «O “blister” é muito utilizado na indústria farmacêutica, para acondicionar os comprimidos, as drageias ou as cápsulas.» E não me recordo da sua utilização entre aspas, pelo que ela já está efectivamente a ser aportuguesada. Ou seja: a palavra é de uso frequente, mesmo que ainda não esteja no dicionário da academia, pelo que interessa saber pronunciá-la. De seguida, argumenta-se com a pronúncia constante do Dicionário Houaiss, de origem brasileira. Ora, segundo sei, esse dicionário é muito conceituado, mas não terá uma tendência para a pronúncia brasileira? Que tantas vezes difere da portuguesa? Por estas razões, reformulo a minha pergunta: caso a palavra blister já esteja (ou venha a ser) aportuguesada, como se pronunciaria? Não seria mais natural que tivesse acento tónico agudo, à imagem de clister, mister ou Almoster?
Serrarcerrar
Tenho visto escrito em vários jornais, nomeadamente nos jornais Correio da Manhã e no Setubalense,  frases deste tipo: «… sob a ameaça de caçadeira de canos cerrados...»E [há tempos], na Revista do semanário Expresso, podia ler-se: «… vendendo abaixo do valor a que comprou há sete anos, diz que vai serrar os dentes (oh! coitada) e assumir este investimento…»O uso dos verbos cerrar e serrar tornou-se aleatório?
Novo Acordo Ortográfico (AO): prefixo re-, novamente
Sou estudante brasileiro, cursando a graduação em Letras na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Acompanho o sítio Ciberdúvidas e as discussões que lá se passam, há alguns anos. E, certamente, sou mais um dos inúmeros consulentes que têm dúvidas com relação ao uso do hífen de acordo com a Reforma Ortográfica. Minha dificuldade, em específico, é concernente ao prefixo re-. Li algumas respostas, das quais a 24188, mas, mesmo assim, persiste o problema. O que entendo, na regra b) do 1.º da Base XVI e em seu complemento, dado pelo texto introdutório do 1.º, que indica quais os prefixos e falsos prefixos considerados, é que, apesar de re- não estar relacionado na lista, podemos inferir que nela se encontra, já que há ali um terrível "etc.", que dá à interpretação possibilidades mil. Li também alguns artigos a respeito do Acordo, como o "Guia prático da Nova Ortografia", de autoria do professor Douglas Tufano, publicado aqui no Brasil pela Editora Melhoramentos, e não obtive esclarecimento sobre isso. Serão aceitáveis as grafias de "re-edição" e "re-educação", por exemplo? Se não, quais são os argumentos que posso utilizar para refutá-las? Acredito que o senhor pode me ajudar a sanar essas terríveis dúvidas. Desde já, muitíssimo obrigado.
Palavras de um conto de Mia Couto (escritor moçambicano)
Sou um estudante italiano de língua portuguesa que mora em Turim. Estou a traduzir para o italiano um conto de Mia Couto, escritor moçambicano. Encontrei na sua escrita uma série de palavras que eu acho que são criadas pelo autor, mas ouvi que estas palavras existem no "português de Moçambique": "barafundido", "esvoar", "desarpoar", "estonteação", "estrelinhar", "cabistonto", "pilha-patos", "voações", "eclatar", "desacudidas" Dado que cá em Turim não é possível encontrar um dicionário das línguas africanas, pediria para vocês uma confirmação da existência ou um conselho do livro que deveria consultar. Muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa