Assimilação: de ipse (latim) a esse (português)
Contacto-vos a propósito de uma questão que tem sido recorrente no âmbito da minha prática letiva. A propósito da evolução fonética, particularmente no processo de assimilação, tenho visto em alguns manuais ser usada como exemplo a evolução de ad sic para assim ou de ipse para esse, assumindo-se assim que, em ad sic o fonema /d/ evolui para /s/ e, em ipse, o mesmo se passa com o fonema /p/.
A minha questão é simples: tratando-se de evolução fonética – e de fonemas, portanto – não seria mais correto considerar-se que em ambos os casos ocorre uma síncope? A duplicação da consoante s advém, a meu ver, de uma convenção ortográfica, até porque, efetivamente, não pronunciamos o fonema /s/ duplicado.
Gostaria de saber a vossa opinião, que muito respeito, em relação a este tópico.
Grato pela vossa disponibilidade.
O verbo esgravatar
"Esgravatar" ou "esgaravatar"? Existem as duas opções como válidas?
Obrigada.
Indicação da pronúncia: coragem («ação de corar»)
Eu gostaria de saber o que significa esse ò com acento grave, que encontrei no dicionário Priberam:
Co-ra-gem (ò) significa que o som da letra é aberto, é isso?
Obrigado!
A origem do nome natureza
Se, de belo, vem beleza, por que de natural, não vem "naturaleza"?
Qual o real motivo da supressão de duas das letras do meio? Em espanhol, é naturaleza!
Fiz a busca no Google, até pelo site de vocês, mas a resposta não me apareceu!
Obrigado.
Não + pronome o: «Não no pode estorvar» (Camões)
Algumas ocorrências que encontrei de pronomes oblíquos átonos arcaicos:
«Que estais no céu, santificado... Não no disse eu, menina? Seja o vosso nome…» (Almeida Garrett)
«Ele ou é trova, ou latim muito enrevezado, que eu não no entendo.» (Almeida Garrett)
«Via estar todo o Céu determinado / De fazer de Lisboa nova Roma; / Não no pode estorvar, que destinado / Está doutro Poder que tudo doma.» (Camões)
«O favor com que mais se acende o engenho / Não no dá a pátria, não, que está metida…» (Camões)
«Ora sabei, padre Fr. João, que eu bem no supunha, bem no esperava; mas parecia-me impossível, sempre me parecia impossível que viesse a acontecer.» (Eça de Queirós)
«A culpa de se malograrem estes sublimes intentos quem na tem é a sociedade…» (Camilo Castelo Branco)
«Parentes, amigos, nem visitas nenhumas parecia não nas ter.» (Almeida Garrett)
Há alguma explicação para o uso da consoante n antes dos oblíquos átonos?
Muito obrigado!
A pronúncia de racismo
Compreendo a forma de pronunciar certas palavras, quando as mesmas assumem uma forma com silabas adicionais.
Como exemplo refiro: carro e carroça" (lendo-se cárro e cârroça), ou faca e faqueiro (lendo-se fáca e fâqueiro).
Assim sendo, como explicar o caso de raça e racismo, onde as duas palavras são ditas como "ráça" e "rácismo"?
Há alguma regra que possamos considerar para saber quando se abre ou fecha a vogal?
Obrigado.
As sílabas e a etimologia do topónimo Baguim (Gondomar)
Como se lê a palavra Baguim, isto é, em quantas sílabas se divide essa palavra: "ba-guim" ou "ba-gu-im"?
Queria também saber se leva ou não acento gráfico.
Obrigado.
O topónimo Candão (Águeda e Oliveira do Hospital)
Não é a primeira vez que me interrogo sobre a origem deste raro e curioso topónimo: "Candam".
Ao que sei, existem apenas duas povoações com este nome, uma na Beira Alta, em pleno concelho de Oliveira do Hospital, e outra nas circunvizinhanças de Águeda.
Gostaria de obter mais algumas informações, se assim for possível, acerca da etimologia de "Candam", e igualmente o porquê da grafia "-am" nestas duas circunstâncias.
Muito agradeço, desde logo, a vossa atenção.
A etimologia de noite e oito
Já nos explicaram a etimologia da palavra noite, mas conseguem explicar o fenómeno recorrente de, em línguas diferentes, a palavra noite ser mais ou menos n + oito?
Mesmo que todas venham do latim, há alguma razão para esta relação entre noite e oito ou só coincidência?
A nasalidade de mui e muito
A respeito da origem da nasalidade em mui/muito, José Joaquim Nunes, no seu Compêndio de Gramática Histórica (1975[1911]), afirma o seguinte:
«embora MUI e MUITO sejam formas clássicas, nas cantigas 38 e 453 do Cancioneiro da Ajuda [séc.XIII], aparecem já nasaladas, como mostram as grafias MUYN e MUINTO donde se conclui não se moderna na língua a nasalização(...).»
Já o gramático Said Ali, na sua Gramática Histórica da Língua Portuguesa (1964[1931]), pensa diferente:
«No extraordinariamente usado MUITO , foi tão tardia a mudança, que o cantor d'Os Lusíadas [séc. XVI] ainda podia dar-lhe para rima FRUITO e ENXUITO. Não se sabe a data da alteração definitiva, porque em MUITO e MUI nunca se assinalou – caso único – a vogal nasal pela escrita. Que em português antigo se pronunciava a tônica como U puro e fora de dúvida, porque, em caso contrário, não lhe faltaria o til, sinal tão profusamente usado naquela época.»
1) O Cancioneiro da Ajuda é do séc.XIII, e Os Lusíadas do séc. XVI, qual dos estudiosos está certo ?
2) Há atualmente consenso entre os estudiosos a respeito de um período específico sobre o começo da nasalidade em mui e muito?
Grato pela resposta.
