DÚVIDAS

«Uma vez dois», «duas vezes dois»
Creio que não é correto o uso de expressões do tipo «um vezes dois é...», «dois vezes três é...», mas, sim, «uma vez dois é...», «duas vezes três é...». Julgo que «uma» e «duas» são quantificadores numerais, os quais variam em género, enquanto adjetivos numerais, e terão de concordar com as formas femininas vez (singular) e vezes (plural). Penso, também, que aquelas expressões não são exatamente a expressão coloquial das expressões aritméticas «1 X 2» e «2 X 3«, nas quais o símbolo X representa a operação aritmética da multiplicação, não sendo sinónimo de vez ou vezes. Ora, vez e vezes significam ocorrências de um fenómeno numérico, é certo, mas não a operação multiplicação, ensinada no decorrer do 1.º ciclo básico do ensino. Além de que «duas vezes três», pode significar uma ideia de adição (uma vez e depois, (+), outra vez, a mesma quantidade), conquanto a multiplicação seja um caso particular da operação adição, definida matematicamente no corpo dos números reais. Finalmente, é evidente que a dúvida não se suscita para outros valores, além de «uma» e «duas», embora seja discutível – aritmeticamente – o recurso a «vezes»: «A multiplica B», ou «o produto de A por B», etc. Terei razão? Obrigado.
Os conceitos de hiperonímia e de hiponímia
em arte, cinema, teatro, pintura e escultura
Gostaria de saber se as palavras cinema, teatro, pintura, escultura ou literatura podem ser consideradas merónimos de arte, se a relação existente entre os conceitos é de hiponímia/hiperonímia ou se ambas as situações são consideradas aceitáveis, uma vez que, na minha opinião, a linha de diferenciação desta relação lexical é muito ténue. Obrigado!
«Software library» = programoteca e programateca
Em linguagem técnica inglesa encontra-se frequentemente o termo software library (ou tão-só library quando o mesmo contexto é óbvio) para designar uma coleção/catálogo de códigos de programas computacionais disponibilizados a utentes interessados. As traduções mais usuais são as de «biblioteca de programas», «biblioteca informática», ou simplesmente biblioteca, todas elas assentes em vocábulo que etimologicamente respeita a livros (pelo prefixo biblio-) e, por isso, sujeitas a crítica. Para ladear esta questão, será que é aceitável defender-se o uso do termo "programoteca", já existente em catalão? Ou será preferível optar-se por "programateca"?
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