Os conceitos de hiperonímia e de hiponímia em arte, cinema, teatro, pintura e escultura - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Os conceitos de hiperonímia e de hiponímia
em arte, cinema, teatro, pintura e escultura

Gostaria de saber se as palavras cinema, teatro, pintura, escultura ou literatura podem ser consideradas merónimos de arte, se a relação existente entre os conceitos é de hiponímia/hiperonímia ou se ambas as situações são consideradas aceitáveis, uma vez que, na minha opinião, a linha de diferenciação desta relação lexical é muito ténue.

Obrigado!

Manuel Vicente Engenheiro Vila Real, Portugal 6K

Os conceitos de hiperonímia e hiponímia são os que se aplicam melhor à relação de arte com cinema, teatro, pintura, escultura ou literatura. Neste caso, não se trata de relações de todo-parte (holonímia-meronímia), porque estas, ao contrário das de hiperonímia-hiponímia (ou seja, de hierarquia), impedem a transmissão de propriedades semânticas da palavra semanticamente mais abrangente. Por exemplo, tampo ou perna (merónimos) referem partes de um todo a que se chama mesa (holónimo) sem serem subtipos deste todo. Contudo, se empregarmos cinema, a realidade em referência é um subtipo daquilo que o vocábulo arte designa.

Este comportamento é focado no Dicionário Terminológico, que define assim a relação de holonímia:

«As relações de holonímia/meronímia distinguem-se das de hiperonímia/hiponímia na medida em que nestas há uma transferência de propriedades semânticas que não se verifica naquelas. Por exemplo, "sardinha" é hipónimo de "peixe", porque também é "peixe". Já a palavra "escama" não pode ser encarada como um hipónimo de "peixe", uma vez que, apesar de ser uma parte do peixe (merónimo), não é um subtipo de peixe.»

Carlos Rocha
Classe de Palavras: substantivo
Áreas Linguísticas: Léxico; Semântica