Pergunta:
Gostaria de ver esclarecida uma dúvida sobre o uso de "não-sei-quê".
Foi-me dito que se deve escrever com hífenes, porque é assim que está no dicionário. Consultei o dicionário e, efetivamente, é assim que lá está.
Contudo, está classificado como substantivo, pelo que eu pergunto se, num contexto como o da frase «ele disse que gostaria de estudar turismo, para poder viajar e não(-)sei(-)quê», "não(-)sei(-)quê" é um substantivo?
Muito vos agradeço pelo serviço que prestam à língua portuguesa.
Resposta:
No caso apresentado, «e não sei quê» não é um nome, mas uma locução ou um marcador discursivo, que se escreve sem hífenes e se usa frequentemente no português europeu como forma de aludir a informação que não se sabe com exatidão ou que não interessa reproduzir, mencionar ou enumerar. Sendo assim, é correto escrever «não sei quê» na frase em questão: «ele disse que gostaria de estudar turismo, para poder viajar e não sei quê» (= «... viajar e outras coisas que não não se sabe ou não interessa referir»).
Como nome, no sentido de «coisa indefinida, incerta ou duvidosa», a grafia não é consensual. Escreve-se não-sei-quê, hifenizado, no Vocabulário Ortográfico da Porto Editora (cf. Infopédia); e, embora não conste do Vocabulário Ortográfico Comum da Lìngua Portuguesa (Instituto Internacional da Língua Portuguesa), o registo que aqui se faz do nome não-sei-que-diga deixa supor que a locução em apreço também será hifenizada. Aliás, regista-se não-sei-quê em dicionários atualizados e elaborados em Portugal (Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa; ver também o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa).
Contudo, o