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Textos publicados pela autora

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Anáforas e polissíndeto

Pergunta: Em «E levantaram-se todos, e deitaram-se todos ao mar, e chegaram todos à porta da gruta onde morava o Polifemo», considerariam a existência de uma anáfora? Obrigada!!Resposta: A frase retirada da obra Ulisses, de Maria Alberta Menéres, apresenta um polissíndeto, que cria um efeito retórico de ênfase em cada uma das ações descritas na frase. Este recurso pode também ser considerado um caso especial de anáfora (estilística), tal como se refere no E-dicionário de termos...

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O verbo aliar e o uso pronominal

Pergunta: Consideremos a frase: «Nós nos aliamos a ele desconfiados.» A função sintática do termo nos é objeto direto ou objeto indireto? Ou o termo nos não desempenha função sintática, sendo uma parte integrante do verbo? Obrigado.Resposta: Neste caso, o pronome nos corresponde a um clítico inerente, pelo que não desempenha uma função sintática. O verbo aliar pode ser usado pronominalmente sem qualquer complemento, como em (1): (1) «Os...

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Concordância com tudo

Pergunta: Na oração «a lida, o sonho, a morte e a alegria é tudo o que se colhe na existência», qual é o sujeito e predicativo? O correto não seria «a lida, o sonho, a morte e a alegria SÃO tudo o que se colhe na existência»? Obrigado.Resposta: As duas possibilidades são aceitáveis, embora a opção pelo singular seja preferencial. Na frase apresentada coloca-se, antes de mais, a questão de identificar o sujeito. Estamos perante uma frase copulativa que poderá ser apresentada na ordem canónica (SUJEITO + SER + PREDICATIVO DO...

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A forma popular «vem mais eu»

Pergunta: É correto empregar «Vem mais eu», em vez de «Vem comigo»? Obrigado.Resposta: A opção preferível é «Vem comigo.» O verbo vir rege várias preposições. Entre elas encontra-se a preposição com, usada para expressar, entre outros, o valor de companhia. Deste modo, quando a preposição com se conjuga com o pronome eu, assume a forma comigo, o que justifica a estrutura «vem comigo». Em contextos informais e familiares,...

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Análise de «cego pelo ódio»

Pergunta: Na frase «cego pelo ódio», cego desempenha a função de adjetivo? E «ódio», tem a função de complemento agente da passiva? Obrigado.Resposta: A construção «cego pelo ódio» não é uma frase, pelo que não é possível aferir com toda a certeza a classe de pertença da palavra cego, que poderá ser tanto um nome como um adjetivo. Se considerarmos que o sintagma integra uma frase como a que se apresenta em (1), poderemos dizer que cego é um adjetivo: (1) «Ele estava...
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