Dicionário de Palavras Soltas do Povo Transmontano - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Dicionário de Palavras Soltas do Povo Transmontano
Cidália Martins, José Pires e Mário Sacramento
Guerra e Paz 3K

Vivacidade, humor, malícia são alguns dos substantivos caracterizadores do linguajar transmontano. Mas um ouvinte externo necessitará de quem lhe explique o significado de determinados termos e expressões. É com esse intuito que nasceu o Dicionário de Palavras Soltas do Povo Transmontano, de Cidália Martins, José Pires e Mário Sacramento, da editora Guerra e Paz.

A maneira de as pessoas falarem reflete a sua cultura, a comunidade onde vivem. A seleção dos vocábulos para esta obra pautou-se pela vontade de tornar acessível a todos, de uma forma simples e descomplicada, uma panóplia de termos e expressões do nordeste lusitano, demonstrando como se fala no dia a dia daquela região. Um linguajar marcado pela sua riqueza e diversidade.

Este dicionário contém mais de 10 200 palavras, tendo em conta o percurso de tempo que passou da forma de falar entre as gerações mais antigas até às mais novas, passando pela gíria, pelo calão, e pelas formas vocabulares criadas e utilizadas pelos mais novos.

Uma obra prefaciada pelo Professor Adriano Moreira, um transmontano de gema, que valoriza a «obra prática, leve e lúdica» que dá «conta do dizer e do falar do nosso povo transmontano». Na nota introdutória, o Professor Octávio Sacramento sublinha o empenho dos autores na coleta do «extenso volume de vocábulos», realizada «de forma paciente e persistente», elogiando, a lexicógrafa Ana Salgado, a forma como a obra está organizada «de modo a privilegiar a clareza e a facilidade de leitura».  

Eis alguns termos presentes no Dicionário: «abonda-me o telemóvel!», «achadilha», «barreleiro»,  «cadarma», «cispelho», «clutra», «dá-me um cibo de pão!», «docém», «espinotar», «estás engaranhado!», «estro», «farrapeira»,  «filheiro», «frejucada», «ganau», «gavanela», «handalai», «imbuligado», «jagodes», «licantina», «malparido», «mirolho», «mouta», «nozeira», «oucheira», «papolino», «pinguleta», «quodório», «redondal», «saíste-me cá um guicho!», «sopilho», «sterjeitos», «suchia», «tacha», «trampo», entre muitos outros.   

Um livro que apresenta referências bibliográficas, sempre úteis para valorizar a obra e para o leitor.

Filipe Carvalho