«Contentasse-vos eu, raros esp´ritosQue nos ides a língua enriquecendo (…)»
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«Contentasse-vos eu, raros esp´ritosQue nos ides a língua enriquecendo (…)»
Nunca permita o Céu, nunca tal mande Que, merecendo nome meus escritos, Este na voz do povo em muitos ande.
Contentasse-vos eu, raros esp´ritos Que nos ides a língua enriquecendo Nas rimas e na prosa, em altos ditos! Ditosa língua nossa, que estendendo Vás já teu nome tanto, que, seguro, Inveja a toda outra irás fazendo!
Ditosa língua minha, assim se intitula este tocante louvor à língua...
À volta da «espantosa língua»
1. Políticos, comentadores e jornalistas usam-na com tal frequência e abrangência — especialmente na rádio e na televisão —, que a redundância «há anos (ou há meses, ou há dias) atrás» transformou-se num verdadeiro modismo no espaço mediático português. Um modismo que em nada valoriza quantos a ele recorrem sistematicamente — como assinala Maria João Matos num novo texto, na rubrica Pelourinho.2. Um pecadilho que, seguramente, não comete o advogado José António Barreiros, amante e divulgador das «miríficas capacidades...
Vocabulário de guerra
Metaphors we live by (Metáforas do dia-a-dia ou Metáforas da vida quotidiana), de George Lakoff e Mark Johnson, é uma obra pioneira ao descrever o nosso sistema conceptual, no processo de captação da realidade circundante, como largamente metafórico. E a metáfora de guerra é uma das mais visadas neste trabalho, dado que, recorrentemente, ela é posta em cena na configuração de qualquer acção de confronto.
«A narrativa sobre os conflitos no Rio [de Janeiro] revela-se uma grande metáfora de guerra», afirma Regina Borges,...
A estranha liberdade da criação de nomes de empresas
1. Será que já não bastam as 26 letras do alfabeto da nossa língua (incluindo o k, o w e o y, previstas na Base I do Acordo Ortográfico de 90) para a escolha do nome de uma empresa, em Portugal? Para que servirá o alfabeto português, se frequentemente se preferem nomes de duvidosa configuração inglesa? A perplexidade e o incómodo perante vários casos embaraçosos de desvio às normas do português registados no anúncio de uma empresa (publicado no semanário Expresso) assinalam-se neste texto de Paulo J. S....
Ler, é para já! — uma (re)nova(da) aposta
1. A Rede de Bibliotecas Escolares, em parceria com o Portal das Escolas, do Ministério de Educação português, aposta numa nova iniciativa, o Programa Ler, é para já!, dirigida a jovens e a adultos interessados em ingressar no mercado de trabalho com qualificação profissional. O desafio reside no desenvolvimento de competências a nível da comunicação («melhorar os níveis de literacia e consolidar as aprendizagens necessárias à qualificação profissional»), para o ano lectivo de 2010/2011, através da disponibilização de...
Erros linguísticos, pérolas cruéis
1. O recrudescimento (isto é, o aumento ou a intensificação) dos disparates linguísticos na imprensa portuguesa é consequência de como tem sido descurado o papel de revisores e copidesques. No Pelourinho, José Mário Costa assinala um erro que é uma pérola de confusão semântica: emprega-se incorrectamente o verbo recrudescer no sentido de «diminuir», quando afinal se trata de um sinónimo de aumentar. Na verdade, a palavra provém do latim recrudescĕre, «fazer-se mais violento, irritar-se», cuja raiz, cru(d)-, é a mesma de...
Neologismos de sedução
A história de um homem que se apaixona por uma mulher e que, para a seduzir, lhe dá palavras inventadas. Está esboçada a estória da língua portuguesa em Milagrário Pessoal, o livro que serve de pano de fundo à entrevista de José Eduardo Agualusa a um canal de televisão brasileiro. Uma entrevista que é, em certo momento, uma poética da escrita ficcional....
1. A língua portuguesa será objecto de análise durante dois dias (26 e 27 de Novembro), no II Congresso da Língua Portuguesa, promovido pelo Instituto Piaget, que decorrerá no Campus Universitário de Almada (Portugal). Com a presença de um leque variado de participantes de diversos países da lusofonia (secretário executivo da CPLP, escritores, jornalistas, produtores, investigadores e professores), temas como «O português como língua de identidade e criação», «como língua de ciência» e «no contexto dos grandes...
Precariedade, e não "precaridade"
1. A propósito da greve geral que ocorre neste dia em Portugal, a situação laboral de parte significativa da população que trabalha por conta de outrem leva à repetição de um erro muito comum no discurso jornalístico-sindical: "precaridade", em vez de precariedade. Recordamos por isso aqui e aqui alguns esclarecimentos anteriores.
2. Na Antologia, divulga-se um texto do escritor brasileiro Coelho Neto (1864-1934), cultor do vocábulo raro e acintoso, de cepa camiliana, como ilustra a seguinte frase acusatória: «A língua...
Acordo Ortográfico de 1990, matéria de inquietudes
Não há dúvida de que tudo o que corresponda a mudança inquieta mesmo os mais ousados. Prova disso têm sido as dúvidas que nos têm sido apresentadas sobre as novidades que o Acordo Ortográfico de 1990 propõe aos povos lusófonos como processo de actualização da grafia. As implicações da dupla grafia ou a valorização do que está consagrado pelo uso têm-se revelado como campo fértil de diálogo, de controvérsia, de estudo, de investigação, de reflexão sobre a língua.
É assim que duas das sete novas respostas em linha se debruçam sobre o...
