DÚVIDAS

Se impessoal e verbos intransitivos
Li, na Gramática de Napoleão M. Almeida, que o pronome se só pode indicar impessoalidade quando acompanha um verbo intransitivo, transitivo indireto, ou um transitivo direto cujo complemento é preposicionado (e.g.: Louva-se aos juízes). Ele diz que, não preposicionando os objetos nos verbos trans. diretos, «elas [as palavras que têm essa função] forçosamente passariam a funcionar como sujeitos [i.e. a construção passaria a ser passiva]», e que construções como «Louva-se os juízes», onde o objeto não é preposicionado, seriam galicistas, por atribuírem ao pronome se a função reta. Qual é o motivo do pronome se não poder indicar impessoalidade com os verbos transitivos diretos sem que o objeto destes seja preposicionado? E por que na construção «Passeia-se bem do Rio de Janeiro» o se não seria sujeito, ao passo que em «Louva-se os juízes» erroneamente se lhe atribuiria a função reta? Obrigado.
Uso intransitivo do verbo arder
Na frase «...e assim ardeu até ao fim.», o verbo «ardeu» é transitivo indireto (considerando que «até ao fim» é complemento oblíquo) ou é verbo intransitivo? Obrigada.
Uso transitivo do verbo ligar
Gostaria de saber se o verbo ligar pode ser usado como intransitivo na frase seguinte que aparece nas instruções de utilização de um dispositivo médico. «Desligue o dispositivo e ligue novamente.» Na minha opinião, nesta frase falta o objeto direto e, por isso, deve ser alterada da seguinte forma: «Desligue o dispositivo e ligue-o novamente.» Muito obrigada pela resposta!
Ajudar como verbo transitivo indireto
Começo por agradecer o ótimo serviço que prestam aqui no Ciberdúvidas. Tornou-se uma ferramenta extremamente útil para ajudar a melhorar o nosso uso da língua. A minha questão: É muito frequente encontrarmos, em ambiente de tradução, expressões em inglês do género: «this feature helps you achieve better results», que, sendo gramaticalmente corretas e seguindo a intenção do texto de partida, traduziríamos como «esta funcionalidade ajuda-o a alcançar melhores resultados». No entanto, é cada vez mais comum a exigência de neutralidade de género nas traduções. Para conseguirmos essa neutralidade, tem-se visto e usado muitas vezes algo como «esta funcionalidade ajuda a alcançar melhores resultados», sendo que, em alternativa, se poderia dizer algo como «esta funcionalidade dá uma ajuda para alcançar melhores resultados», o que resulta numa frase maior e mais complexa, algo muitas vezes não desejado no ambiente de tradução. Aproveito para referir que se mantém o verbo ajudar na tradução, uma vez que o texto de partida não pretende dar garantias sobre a eficácia de tal funcionalidade, mas sim indicar que o seu uso pode dar certos resultados. Este distanciamento é subentendido como uma forma de o autor do texto original de se ilibar de responsabilidades no caso de o uso de tal funcionalidade não dar os resultados pretendidos pelo utilizador da mesma. Neste caso, estamos a omitir o complemento direto. Sendo ajudar um verbo transitivo, parece errado omitir o complemento direto. No entanto, uma breve pesquisa na Internet revela que o uso de ajudar sem complemento direto, em estruturas semelhantes, está bastante disseminado. Posto isto, gostaria que me esclarecessem, se possível, se: – há flexibilidade para omitir o complemento direto e, se sim, em que casos o poderemos fazer; – a estrutura «ajudar a» + verbo no infinitivo é válida, à luz do exposto acima. Desde já agradeço a vossa disponibilidade e bom trabalho.
Passiva sintética e verbos transitivos
Na frase «inocentou-se aquele réu», a voz é passiva sintética. A minha dúvida é a seguinte: se essa frase não tem objeto direto, por que o verbo é ainda classificado como transitivo direto nessa voz? Há algum gramático que dê uma luz sobre isso? Muito obrigado!
Verbos transitivos e intransitivos «de facto»
Como saber quando um verbo é ou não intransitivo de fato? Na frase: «A professora agiu favoravelmente aos alunos», o verbo agir é verbo transitivo direto ou verbo intransitivo? Mesmo existindo "tabelas" na Internet de verbos intransitivos, existem casos em que esses verbos têm complementos. Enfim, na frase acima, como posso classificar o verbo? Obrigada.
O verbo intransitivo caminhar
Se o verbo intransitivo fala só por si, porque na frase «A Alda caminhou muito» dizem que é verbo intransitivo, mas tem um complemento – muito? Agradeço a vossa explicação.
Achar como verbo transitivo-predicativo
Na frase «Ele achou-se cansado», apesar de achar ser um verbo transitivo predicativo, cansado não será predicativo do sujeito, já que aqui achar significa «estar» ou «sentir-se», funcionando como um verbo copulativo? Nesse caso, qual seria a função sintática do se, pois já não poderia ser complemento direto?
Predicativo do sujeito com verbos intransitivos
na frase «Candidinha vira o filho casar pobre...»
Gostaria de saber se, nas frases abaixo, casar, apesar de ser um verbo principal, rege predicativo do sujeito («rico», na frase (1) e «pobre», na frase (2)), como acontece com os verbos sentir (em «ela sente-se triste») ou viver (em «ela vive feliz»). (1) «Casa rico! casa rico! casa rico!... » (2) «Candidinha vira o filho casar pobre por esta coisa estúpida — o amor!» (Raul Brandão, A Farsa) Parabéns pelo vosso trabalho. Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa