DÚVIDAS

Sobre o feminino de ídolo
Aquando da final do programa televisivo Ídolos, ganho por uma mulher, a concorrente Sandra, houve uma expressão muito pronunciada pelos apresentadores que me deixou com o bichinho atrás da orelha. A expressão foi a seguinte: «Sandra é o novo ídolo de Portugal.» Esta expressão foi várias vezes repetida e sempre me soou estranha. De acordo com as regras de concordância da língua portuguesa, o correcto não seria «Sandra é a nova ídolo de Portugal?» Tal como dizemos «Maria é a nova presidente» e não «Maria é o novo presidente», vinha perguntar se o meu raciocínio está correcto, ou se este caso é uma das excepções na nossa magnífica língua… Numa segunda abordagem desta questão, e após ter feito algum trabalho de análise, verifiquei que a palavra ídola está dicionarizada [...]. Poderá por conseguinte a forma mais correcta não ser nenhuma das anteriores, mas, sim, «Sandra é a nova ídola de Portugal»?
Acerca do uso do verbo comer em «comer a sopa»
Aqui, na China, os chineses costumam dizer «beber a sopa». Os que aprendem português transferem muitas características da língua materna para a língua 2.ª e, assim sendo, quando se exprimem em português e se referem ao acto de consumir a sopa, utilizam o verbo beber. Quando os corrijo e digo que devem utilizar o verbo comer, perguntam-me por que razão, se a sopa é líquida? Respondi que, apesar de líquida, consome-se com uma colher, um utensílio, não se levando directamente a sopa à boca. Mas os chineses também a utilizam quando consomem sopa. Em Portugal, a forma correcta é utilizando o verbo comer, ou também se pode utilizar o verbo beber?
O uso do infinitivo simples e do infinitivo composto
A minha dúvida que gostaria de ser esclarecida se refere ao uso do infinitivo simples e composto. Na imprensa em geral, observo que, para um mesmo contexto, são utilizadas as duas formas, por exemplo, nos seguintes casos:  1a) «Acusado de matar o Zé, fugitivo da justiça foi preso ontem.» 1b) «Acusado de ter matado o Zé, fugitivo da justiça foi preso ontem.» 2a) «Depois de ter matado o próprio filho, homem quase foi linchado pelos vizinhos.» 2b) «Depois de matar o próprio filho, homem quase foi linchado pelos vizinhos.» 3) «Um turista morreu hoje ao cair/ter caído do varandim do elevador.»   Em contextos como esses, nos quais minha parca sensibilidade linguística quase sempre me induz a usar o infinitivo composto, observo que, apesar de usarem as duas formas, na imprensa em geral há uma preferência pelo infinitivo simples. Analisem o seguinte texto do sítio uol.com.br: «Apontado como um dos culpados pela derrota por NÃO ESTAR em campo na partida que culminou com a eliminação do Corinthians pelo Tolima na Libertadores — ALEGOU ESTAR com dores na coxa —, Roberto Carlos se queixou de estar sofrendo ameaças de torcedores e prometeu deixar o clube.» No contexto acima, as formas «não estar» e alegou estar» estão bem postas, ou poderiam ser substituídas pelas compostas «não ter estado» e «alegou ter estado»? Mudando de assunto, por favor, analisem os seguintes exemplos:  4) «O policial militar CONFESSOU QUE MATOU a jornalista, porque ela teria reagido depois de TER SIDO sequestrada.» a) Há anterioridade de ação que talvez justificasse escrever «confessou que tinha (havia) matado»?b) Está correta a forma composta «ter sido»? Parabéns pelo excelente serviço, e desculpem por ter me alongado.
O gentílico da Lusácia (Alemanha, Polónia, República Checa)
Qual é o gentílico da Lusácia, região europeia situada entre Alemanha, Polônia e Chéquia? Tenho encontrado lusácio em diversos sítios da Web, mas estes nem sempre são confiáveis; o Portal da Língua Portuguesa acolhe o vocábulo, mas não o define; além do que os dicionários por mim consultados não consignam a palavra em apreço, daí a minha dúvida persistir. Muito obrigado.
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