Verbos irregulares/verbos defectivos
A pergunta talvez cause estranheza, mas teve sua origem na distância existente entre o conceito que as gramáticas apresentam para 'verbos irregulares' e a prática da sala de aula e de vários livros didáticos. Nem todos os verbos irregulares são, a exemplo do verbo reaver, defectivos. E quanto aos defectivos, são irregulares?
Se o são, por que as gramáticas e dicionários (Celso Cunha, Bechara, Matoso Câmara, etc.) não citam a ausência de formas como uma das possíveis características dos verbos irregulares, mas apenas a alteração do radical e a variação na flexão em relação ao modelo?
Se não são irregulares, a ausência ou inexistência de formas (e não pensemos aqui nos unipessoais e nos impessoais), em razão da falta de registro ou de uso (por questão de eufonia), já não constitui por si só um outro tipo de irregularidade?
Obrigada.
Renata Menezes Rio de Janeiro, Brasil 5K
Verbos defectivos são aqueles a que faltam formas flexionais.
Verbos irregulares são, como disse, e muito bem, aqueles que têm alteração do radical ou variação nas desinências em relação ao modelo.
São, pois, dois termos que têm o seu significado específico nesta área (convencional, como é normal).
Ora, há verbos defectivos que são regulares, porque na sua flexão não têm alteração do radical e flexionam consoante o modelo (ex.: nevar, chover, banir), e há-os irregulares (ex.: haver, na acepção de "existir", convir). Por outro lado, há verbos irregulares que têm todas as formas e há aqueles a que faltam formas (defectivos).
Assim, parece-me ajustada a distinção feita nas gramáticas.