No caso em apreço, é possível usar ou não a vírgula. Para avaliar a necessidade do uso de vírgula em situações em que uma designação é seguida de nome próprio temos de considerar a natureza significativa destes sintagmas nominais.
Por um lado, identificamos situações em que o sintagma nominal é constituído por um nome próprio nuclear e por um classificador do nome próprio, como exemplifica (1):
(1) «O diretor António Manuel»
Os classificadores1 associam-se aos nomes próprios referindo categorias nas quais estes se podem incluir. No caso dos antropónimos (nomes de pessoas), o classificador pode «ser realizado lexicalmente através de hipónimos como menino(a), senhor(a), incluindo nomes de profissão como arquiteto(a), doutor(a), engenheiro(a)2. Nestes casos, não há lugar a vírgula entre o classificador e o nome próprio.
Por outro lado, temos sintagmas nominais que incluem no seu interior um modificador apositivo, que constitui um comentário ou uma explicação sobre a entidade referida, como acontece em (2) e (3):
(2) «O primeiro presidente da república, Manuel de Arriaga» (a negrito, assinala-se o modificador apositivo)
(3) «Manuel de Arriaga, o primeiro presidente da república» (a negrito, assinala-se o modificador apositivo)
Os modificadores desta natureza podem ocupar o lugar do nome que modificam e não restringem a sua significação. Em termos práticos, em (2), o grupo «Manuel de Arriaga» introduz uma explicação relativamente ao grupo «primeiro presidente da república», clarificando a que se refere o locutor.
O caso em apreço poderá constituir uma situação em que a designação de cargo é um classificador do nome próprio «Eugene Cook», pelo que não deverá levar vírgula:
(4) «[…] o procurador-geral da Geórgia Eugene Cook criticou […]»
Se a intenção for a de esclarecer a identidade do procurador-geral, introduzindo na frase um segmento com valor explicativo, utilizaremos a vírgula:
(5) «[…] o procurador-geral da Geórgia, Eugene Cook, criticou […]»
Refira-se, por fim, que, de uma forma geral, com classificadores é recorrente a opção de não utilizar vírgula.
Disponha sempre!
1. O termo classificador não é usado na nomenclatura gramatical do ensino básico e secundário em Portugal.
2. Raposo e Nascimento in Raposo et al., Gramática do Português. Fundação Calouste Gulbenkian, p. 1037