Parece-nos coerente tomar por gramáticos "modernos" aqueles autores normativos consagrados cujas lições ainda nos servem de referência por os seus livros serem usados como fonte bibliográfica de consulta da norma-padrão em nosso tempo corrente. Assim, formam o grupo de "gramáticos modernos" brasileiros os seguintes nomes principais renomados da segunda metade do século XX: Napoleão M. de Almeida, Rocha Lima, Evanildo Bechara, Domingos P. Cegalla, Celso Cunha, Celso P. Luft. De todos eles, apenas Napoleão tacha de francesismo (em seu Dicionário de Questões Vernáculas) o emprego de «fazer erro» – o que é típico deste gramático, pois tinha uma perseguição contra praticamente qualquer tipo de influência estrangeira no vernáculo. No entanto, os estudos linguísticos já esgotaram o assunto ao provar que, em todas as línguas de cultura, há inevitáveis interinfluências, que ingressam e se fixam na norma culta. Em suma: não é verdade que «muitos gramáticos modernos condenam a expressão "fazer erro"». Há apenas um. Os demais nem sequer tocam nesse ponto.
Quanto ao Ciberdúvidas, na resposta de um dos seus consultores, ter-se posicionado não favoravelmente à expressão «fazer erro», a explicação é simples: toda resposta precisa respeitar o princípio da sincronia contemporânea, quando a pergunta gira em torno do conceito de correção normativa dentro do nosso tempo. E, na norma-padrão contemporânea, não usamos mais «fazer erro» com o sentido de «cometer erro», conforme praticavam os autores portugueses do passado (Camões, no século XVI; Rodrigues Lobo, no século XVII; Francisco Xavier de Oliveira, no século XVIII; etc.). No Corpus do Português, encontramos essa expressão (oriunda de alguns usos já no latim) na língua portuguesa desde o século XI até o século XX, numa curva descendente.
Ou seja, «fazer erro» não é um galicismo, mas sim um arcaísmo, uma construção raríssima no estágio atual da língua.
Sempre às ordens!