DÚVIDAS

Eu com a função de objeto direto

«Se até o Fernando, que é uma pessoa extremamente pacífica, faria isso, imagine(-me)/(eu), que não sou pacífico.»

Qual é o correto nesta sentença: me ou eu?

Naturalmente, imagine-me seria o correto, mas, na frase em questão, isso tornaria -me o sujeito da oração subordinada adjetiva.

Não fica estranho?

Resposta

Na modalidade escrita informal ou na modalidade oral do português brasileiro, é altamente comum usar pronome reto com função de objeto direto.

Todavia, segundo a norma-padrão tradicional, pronome reto não ocupa posição de objeto direto. Logo, de acordo com essa norma, a frase deveria estar assim: «Se até o Fernando, que é uma pessoa extremamente pacífica, faria isso, imagine-me, que não sou pacífico.»

Na norma culta escrita do português brasileiro, soaria um pouco mais natural esta possibilidade de reescrita, com pronome oblíquo tônico funcionando como objeto direto preposicionado: «Se até o Fernando, que é uma pessoa extremamente pacífica, faria isso, imagine a mim, que não sou pacífico.»

Em ambas as estruturas, nem o me nem o «a mim» funcionam como sujeito da oração subordinada adjetiva, mas sim como objeto direto do verbo imaginar.

O sujeito do verbo da oração subordinada adjetiva* é o pronome relativo que – por retomar um elemento de 1.ª pessoa do singular (me ou mim), o verbo fica igualmente na 1.ª pessoa do singular (sou), em respeito às regras de concordância verbal.

Sempre às ordens!

* Por ser brasileiro o consulente, empregou-se aqui a nomenclatura gramatical brasileira.

ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa