Na modalidade escrita informal ou na modalidade oral do português brasileiro, é altamente comum usar pronome reto com função de objeto direto.
Todavia, segundo a norma-padrão tradicional, pronome reto não ocupa posição de objeto direto. Logo, de acordo com essa norma, a frase deveria estar assim: «Se até o Fernando, que é uma pessoa extremamente pacífica, faria isso, imagine-me, que não sou pacífico.»
Na norma culta escrita do português brasileiro, soaria um pouco mais natural esta possibilidade de reescrita, com pronome oblíquo tônico funcionando como objeto direto preposicionado: «Se até o Fernando, que é uma pessoa extremamente pacífica, faria isso, imagine a mim, que não sou pacífico.»
Em ambas as estruturas, nem o me nem o «a mim» funcionam como sujeito da oração subordinada adjetiva, mas sim como objeto direto do verbo imaginar.
O sujeito do verbo da oração subordinada adjetiva* é o pronome relativo que – por retomar um elemento de 1.ª pessoa do singular (me ou mim), o verbo fica igualmente na 1.ª pessoa do singular (sou), em respeito às regras de concordância verbal.
Sempre às ordens!
* Por ser brasileiro o consulente, empregou-se aqui a nomenclatura gramatical brasileira.