De um modo geral, adjetivos deverbais conservam grande parte do sentido original do verbo. Eventuais mudanças são regidas pelas transformações do afixo designado para a derivação, como os sufixos comprar > comprá-vel («que pode ser comprado»), cantar > canta-nte («que canta») etc.
O problema particular com o verbo amar é que ambas as formas amante e amador são cristalizadas na língua, ou seja, consideramos que esses são casos excepcionais à derivação sufixal. Por exemplo, seguindo estritamente os sentidos dos sufixos -nte e -dor, amante e amador deveriam representar «a pessoa que ama». Porém, amador significa «inexperiente, fazer por prazer (e não por profissão)», enquanto amante é a pessoa com quem se mantêm relações extraconjugais. Isso é o que algumas teorias chamam de lexicalização.
Quanto à ideia de substituir orações relativas por adjetivos, não deixa de ser viável, mas este autor recomenda o estudo das inúmeras formas de evitar repetição vocabular. No exemplo trazido pelo consulente, este autor acredita que a substituição de «que implique» por implicadora é relativamente forçosa e artificial, porque implicador não é um adjetivo de uso corrente.
Por um lado, há estruturas em que o pronome que não pode ser evitado; nesses casos, não há o que fazer. Há outras estruturas, porém, que permitem outras formas de construções, ou até a simples substituição do pronome que por outro. No caso abaixo, a oração relativa é reduzida, evitando o uso do que:
(1) O técnico comunicou um problema [que será resolvido até a semana que vem].
(1') O técnico comunicou um problema [a ser resolvido até a semana que vem].
No caso abaixo, a substituição do pronome em si é lícita, o que evita o uso do relativo universal que:
(2) O aluno [de que falo todo dia] é brilhante!
(2') O aluno [de quem falo todo dia] é brilhante!
Então, a substituição da oração relativa por um sintagma adjetival é válida e possível em diversos contextos, mas, como se pôde perceber, não soluciona todos os casos. Às vezes, a transformação de verbo em adjetivo leva a uma forma cristalizada, com sentido muito distante do pretendido. Nesse caso, deve-se recorrer a outra estratégia de substituição ou, em último caso, deixar a estrutura como está.
É claro que se deve, sempre que possível, evitar a repetição vocabular, mas isso não significa que todas as estruturas admitem substituições simples ou diretas. Em alguns casos, a substituição pode representar uma mudança total de estrutura, com outras palavras. Em alguns casos, a estrutura com o relativo que já estará perfeita. Deve-se considerar cada caso em seu contexto particular de uso e de interação com outros elementos da estrutura.