DÚVIDAS

Jápeto
Escrevi-vos há pouco tempo sobre a etimologia de Ganimedes, Arquimedes e Úrano.   Agradeço desde já a vossa resposta. No entanto, esta apenas esclareceu parte das minhas dúvidas.   Peço desculpa por ser insistente, mas creio que não me expliquei suficientemente bem, pelo que a minha pergunta não foi entendida por completo.   Para além de quais são as formas correctas em Português, tinha também curiosidade em saber quais é que seriam as correctas de acordo com o Grego (Clássico).   Embora deva confessar a minha ignorância a este respeito, sempre supus que em geral a acentuação das palavras portuguesas derivadas do Grego era definida por forma a coincidir com a acentuação das palavras equivalentes no Grego clássico. Mas presumo que possa haver algumas excepções em palavras de uso mais corrente, e que portanto foram aportuguesadas mais precocemente.   Dito de outra forma, aquilo que gostaria de saber é se as palavras do Grego clássico das quais derivam Ganimedes, Arquimedes, Úrano, e também Jápeto (Japeto?) são igualmente graves (paroxítonas) nos dois primeiros casos e esdrúxulas/proparoxítonas no terceiro, ou se (como suspeito) são todas esdrúxulas.   Acrescentaria que me surpreende que a forma considerada correcta em Portugal seja Úrano, uma vez que ouço toda a gente dizer Urano (palavra grave). Não estarão os nossos dicionários desactualizados a esse respeito?...Ou as pessoas mal informadas?
«Quanto mais compras...»
Deparou-se-me uma dúvida que não consegui esclarecer com base no recurso às gramáticas de língua portuguesa que possuo.   É a seguinte:   Diz-se    "quantas mais compras fizer, mais descontos tem" ou    "quanto mais compras fizer, mais descontos tem"?   Está em causa a utilização da locução conjuncional designada, em Cunha & Cintra, «Nova Gramática do Português Contemporâneo» (p. 585), por conjunção subordinativa proporcional. Dado tratar-se de uma locução conjuncional, pertencente a uma classe de palavras fechada, presumo que deveria utilizar-se a forma invariável "quanto mais"; no entanto, ao procurar testar a aplicação desta estrutura a outras frases, parece-me preferível a "forma flexionada".   Ex.: "quantos mais filhos tiver, mais descontos terá nos impostos" vs "quanto mais filhos tiver, mais descontos ...".   Serão possíveis, afinal, as duas formas, haverá só uma correcta, ou uma será a preferida?   Creio que as duas são possíveis, dependendo do escopo da quantificação: o evento denotado pelo verbo ("quanto mais compras fizer ..."), isto é, a frequência do acto de fazer compras, ou o número de entidades (coisas) compradas, denotadas textualmente pelo objecto directo da oração subordinante ("quantas mais compras fizer ...").    Note-se que a consulta efectuada em Cunha & Cintra não é esclarecedora a este nível, nomeadamente por apenas se incluir, na página referida (vide também p. 605), exemplos que nitidamente focalizam uma espécie de quantificação-intensificação do evento: "Quanto mais se distingue, mais se funde" (p. 585), "Quanto mais o conheço, mais o admiro" (p. 605).   Agradeço a vossa ajuda!
Criticidade
Enquanto elaborava um documento relacionado com a minha actividade profissional, uma das ocorrências que seria suposto medir prendia-se com o factor crítico de um determinado processo. Ora o que imediatamente me ocorreu foi "criticidade do processo", assim como já tinha referido, no mesmo documento, a "periodicidade" do mesmo. O "spelling" do MSWord assinalou a palavra ("criticidade") como errada, e não apresentou qualquer alternativa. A princípio pensei que se trataria de um erro de acentuação, mas quando acedi a alguns dicionários 'on-line' todos indicaram a palavra como inexistente, para grande surpresa minha. Assim resolvi recorrer à vossa ajuda, para saber se realmente existe "criticidade" e, caso não exista, que outra palavra poderei empregar. Desde já o meu obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa