DÚVIDAS

Sobre a grafia de Delfos e outros nomes próprios
A dúvida que venho levantar surgiu-me numa aula de Português que tive recentemente. Na ocasião, ditava a professora alguns apontamentos sobre Sophia de Mello Breyner. Quando falou acerca da sua formação em Filologia Clássica, comentou acerca do modo como Sophia grafava as palavras gregas utilizando dígrafos como ‹ph› e ‹th›. Olhando para o meu caderno, onde (por ter surgido algures no ditado) estava escrita a palavra «Delphos» assim grafada, comentei o facto de eu fazer o mesmo. Fui prontamente instruído para que não o fizesse, porque, citando a professora, «as normas da língua assim o exigem». Inconformado, procurei informar-me mais sobre o assunto. Pesquisando no Dicionário Porto Editora 2008 descobri que Delphos ainda não foi incorporado na língua como Delfos, a menos que esta palavra conste de outros dicionários mais completos. Pouca diferença faria, contudo, visto que o facto de uma palavra estrangeira ser introduzida na língua não me forçaria a utilizá-la com a grafia portuguesa (como confirmado pela resposta a uma dúvida que levantei anteriormente aqui no Ciberdúvidas, referente a aportuguesamentos). De seguida, pesquisei os métodos oficiais de romanização do grego antigo, e verifiquei que, para esta língua específica (isto é, o grego antigo por oposição ao grego moderno), um grande número de sistemas de romanização (há muitos, como seria expectável) aceita o uso deste tipo de dígrafos em detrimento das letras isoladas. Mantenho assim a minha convicção de que nada há de errado em escrever, para manter o mesmo exemplo, Delphos. A partir desta questão originou-se outra dúvida: como proceder no que respeita aos nomes próprios? A minha professora de Português, estou certo, não hesitaria em escrever Hélio, Édipo, Pitágoras e (já agora) João (como em «A Vida e Morte do Rei João», peça de Shakespeare). Mas porque não posso eu grafar Helios, Œdípous, Pythagoras e Rei John, para não falar de (já que mencionei Shakespeare) Romeo e Juliette? Sou um defensor de que antropónimos não se devem traduzir... e contudo, se escrevesse «Œdípous» num teste de Português, seria certamente penalizado. Em que ficamos? Existe alguma regra que determine uma romanização oficial do grego antigo para uso em textos portugueses? E no que toca a antropónimos, como devo proceder? Sem mais por agora, agradeço antecipadamente.
Classificar orações em discurso indirecto
Gostaria de saber como se classificam as frases complexas cujas orações se repartem pela introdução do discurso directo e o discurso directo propriamente dito. Exemplo: «Quando o José abriu a caixa disse:— É para mim!» Atentando na frase/oração introdutória, se a 1.ª oração é facilmente classificável (subordinada adverbial temporal), já a segunda, ao reduzir-se apenas ao verbo declarativo «disse», suscita algumas dúvidas, pois um dos constituintes fundamentais deste verbo — o complemento directo (CD) — é enformado pela frase simples já em discurso directo. Assim, poderá «disse» ser considerado por si só oração subordinante ou, pelo contrário, e como está em falta um dos elementos essenciais por ele pedido, não poderá de modo algum sê-lo? Caso não possa considerar-se como oração principal, como classificá-lo? E a oração subordinada adverbial continua a sê-lo? Quanto à frase já em discurso directo («É para mim!»), devemos classificá-la como frase simples (porque o é por si só), ou, sabendo nós que se trata do CD do verbo declarativo antecedente, devemos analisá-la na sua forma de discurso indirecto e classificá-la como oração subordinada completiva? O mesmo para «Penso — disse meu pai — que te darás melhor em letras»: «disse meu pai» — frase simples, ou, convertendo toda a frase para o discurso indire{#c!}to («O meu pai disse que pensava que me daria melhor em letras»), oração subordinante? Já agora, aproveito para colocar a mesma questão em relação a frases complexas na interrogativa. Exemplo: «Será que expulsá-lo da aula foi bem pensado?» Espero ter sido clara na exposição da dúvida. Obrigada.
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