O pronome indefinido qualquer com o sentido de nenhum
O gramático Napoleão Mendes de Almeida, na sua sempre indispensável Gramática Metódica da Língua Portuguesa, afirma que o pronome indefinido qualquer não pode ser empregado, com o sentido de nenhum, em orações negativas, uma vez que tal maneira constitui um dos anglicismos que mais infunicam a nossa linguagem. Ora, em respostas vossas tenho observado esse uso nebuloso do supramencionado pronome. Que me podeis dizer?
Os topónimos Parada e Paradinha
Os topónimos Parada e Paradinha estão relacionados com o antigo tributo da refeição que as povoações pagavam quando por lá passava o senhor das terras em funções militares ou de justiça?
«Política da qualidade» e «política de qualidade»
Para efeitos de certificação de empresas, a norma fala na obrigatoriedade de definir uma «Política da qualidade». Essa política, embora englobe aspectos padronizados, não é única e igual para todas as organizações. Por esse motivo, julgo que será mais correcto falar em «política de qualidade». No entanto, desta última forma, a palavra qualidade parece qualificar a política.
Linho-cânhamo
A planta conhecida como Cannabis sativa tem em português os nomes mais conhecidos, julgo eu, como: cânabis, cânhamo-da-índia, ganja, maconha e marijuana, sendo estes nomes referentes ao produto que se usa para fumar, injectar, e "snifar". Agora, o nome conhecido como linho-cânhamo, o que eu julgo ser uma subespécie da Cannabis sativa, é utilizado para fazer roupa, papel, medicamentos etc., etc. Esta segunda excelente qualidade desta planta é desconhecida pelo povo devido a enormes interesses monetários. A questão é: é conhecido da vossa parte o nome da subespécie desta planta cannabis sativa?
Obrigado.
Sobre o plural de nomes deverbais
Gostaria de que me elucidassem a dúvida quanto à melhor forma de se identificar o plural em casos como os que seguem:
1) O João administra diferentes/várias clínicas de recuperação. (ou recuperações);
2) O João, drogado e alcoólatra, já ficou internado em clínicas de recuperações diferentes. ( ou em diferentes clínicas de recuperação;
3) Adamastor é proprietário de diversos parques de diversão. (ou diversões);
4) O padre construiu muitos templos de oração (ou orações).
5) A seguradora indicou diversas oficinas de manutenção para o cliente.»
Nesses casos, e em outros semelhantes, qual a forma mais simples (se é que exista) de se identificar que o substantivo é não-contável? Geralmente, os substantivos derivados de verbos (como comunicação = comunicar), quando usados nesses contextos, ficam invariáveis?. Ex: Os meios de comunicação; os parques de diversão (= divertir); os templos de oração (= orar); as clínicas de recuperação (= recuperar); as peças de reposição (= repor). Outro consulente perguntou qual a forma correta: «Eu compro peças de reposição» ou «Eu compro peças de reposições», mas o consultor disse que faltavam dados para responder. Sendo assim, nesse caso específico, as duas possibilidades são viáveis? Gostaria de exemplos para a segunda opção (peças de reposições).
Como de hábito tenho sido esclarecido pelos prezados consultores, mais uma vez aproveito o momento para apresentar os meus sinceros elogios ao excelente trabalho desenvolvido.
Algumas palavras na nova ortografia
Estou redigindo um manual e gostaria de fazê-lo já com a nova ortografia vigente, seguem abaixo algumas palavras em que estou com dúvidas:
– alto-falante ou altofalante
– matéria-prima ou matériaprima
– auto-atarrachante ou autoatarrachante
Desde já contando com a atenção dos senhores,
As acepções do adjetivo temporal
Ouvi, na televisão, o presidente de uma junta de freguesia dizer algo como «se a situação temporal se mantiver», referindo-se ao tempo excepcionalmente frio.
Está correcta a palavra temporal, ou devia ter dito climatérica?
«Arrancar com uma obra» + adulto e idoso
Pode se dizer «vamos arrancar com uma obra»?
E qual é a diferença (se existe) entre adulto e idoso?
A expressão «ao fundo de»
Depois de ter pesquisado em perguntas anteriores, continuo com dúvidas acerca do seguinte:
Na frase «(...) não podendo defender-se, se deixou cair daquelas alturas dum quinto andar ao fundo do saguão» (de Raul Brandão — Portugal Pequenino), a expressão «ao fundo de» poderá ser classificada como uma locução prepositiva?
Obrigada pela vossa disponibilidade.
«Vou ir», outra vez
A forma perifrástica é constituída por um verbo principal, no infinitivo ou no gerúndio, e um verbo auxiliar, no tempo que se quer conjugar. Por isso, gostaria de saber se está correcto dizer-se «vou ir», sendo que se trata de um pleonasmo.
