DÚVIDAS

Usar(-se) e utilizar(-se)
Pesquisando as diferenças existentes entre esses três verbos – mesmo sabendo que, na vida cotidiana, elas pouco importam –, cheguei às seguintes conclusões, que submeto a vossa apreciação: Usar significa pôr em uso, empregar, aplicar. Não importa como nem para quê. Trata-se, pois, de um verbo de grande amplitude, genérico, vago. Em última análise, diz-se que algo é usado quando seu estado é modificado por obra de algum sujeito. Exemplo: um graveto está sobre o solo, onde caiu naturalmente após secar e se desprender de uma árvore, até que alguém se aproxima e o pega para alimentar uma fogueira; no momento em que é apreendido pelo sujeito, o graveto já está sendo usado, pois deixou de estar ao natural como até então se encontrava. Utilizar significa tornar útil. Sabemos que o sufixo -izar carrega a idéia de tornar, converter (agilizar = tornar ágil; atualizar = tornar atual etc.). Assim sendo, para que certo objeto seja utilizado, pressupõe-se que ele ainda não seja útil – pois nada pode se tornar aquilo que já é. No exemplo dado acima, pode-se dizer que o graveto foi utilizado a partir do momento em que foi atirado na fogueira para queima. Antes disso, tratava-se de uma coisa meramente exposta ao acaso, sem utilidade nenhuma. A utilização pressupõe um ato do sujeito que mobiliza o objeto a uma certa utilidade, ainda que esta não seja inerente à natureza específica dele – no exemplo, o graveto não é coisa predisposta naturalmente à queima, mas sim à decomposição orgânica. Utilizar-se é tirar proveito, servir-se. Mas não qualquer proveito: apenas aquele ao qual o objeto se destina por natureza. Cite-se como exemplo o telefone: sua finalidade natural é a de servir de instrumento de comunicação vocal. Assim, uma pessoa se utiliza do telefone logo que passa a aplicá-lo na comunicação vocal. É isso? Muito obrigado.
Séculos. Números romanos
Peço-vos a bondade de me responderem à questão que ponho, pois preciso da vossa resposta para um trabalho meu. Ou então queiram fazer o favor de indicar sob que rubrica deverei pesquisar no vosso arquivo pois já tentei de várias formas e nada encontro. A designação de um século deve fazer-se apenas com numeração romana (século XVI) ou é linguisticamente lícito fazê-lo também com números árabes (século 16)? Obrigado.
Se prepara / prepara-se
Há pouco, numa emissão de um noticiário, eu e a minha mulher reparámos na utilização de uma expressão comum, acerca do caso do cliente agredido na discoteca Kremlin e que terá, segundo relatado, sido agressor. Falava-se que a Empresa iria iniciar uma acção judicial contra o sujeito e que (passo a citar): "... a família também prepara-se para processar o estabelecimento..." A minha mulher subitamente assustou-se (ou se assustou?) referindo-se àquilo como uma "barbaridade". Por mim, penso não estar de todo incorrecto, mesmo porque não sei bem que regra utilizar no caso. Que soa melhor o termo "a família também se prepara", verdade é que o reflexo destina-se ao verbo preparar e não tão somente à família, sujeito nesta expressão. No entanto, se substituída a palavra "também" por uma expressão como "de igual forma" e fazendo as necessárias pausas, o reflexo mantém-se após o verbo: "... a família, de igual forma, prepara-se para..." e não "... a família, de igual forma, se prepara para..." Assim, gostaria de ter uma ideia sobre a atitude a tomar: Lavo a louça o resto da semana ou lava ela? Obrigado.
O uso dos pronomes interrogativos que ou qual
Eu gostaria de saber se existe alguma regra gramatical que determina o uso dos pronomes interrogativos que ou qual. A explicação das gramáticas normativas não estabelece a diferença entre quando se deve usar que e quando se deve usar qual. Será que nós usamos um ou outro de forma idiomática? Ou existe uma construção gramatical implícita quando se usa cada um destes pronomes? Muito obrigado.
“Ética” e “Moral”: etimologia
Pelo que andei a investigar, nos escassos dicionários que detenho, ética advém da palavra grega "ethike" cujo étimo grego é "ethos", significando este último "costume" ou "hábito", ao passo que moral advém da palavra latina "moralis" mas que, embora detenha um étimo plausível na palavra latina "more" (que também significa "costume" ou "hábito"), não surgiu como evolução desse possível étimo, mas sim como uma espécie de neologismo então introduzido por Cícero ao traduzir a palavra grega "éthikos" que significa "relativo aos costumes". Tudo isto, que resulta de referências cruzadas obtidas no Lello Universal, no Dicionário Prático de Filosofia e no Concise Oxford Dictionary, me parece ser algo dúbio e pleno de omissões... Agradecia por isso que me dessem uma análise de fundo da génese de ambas as palavras. Muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa