DÚVIDAS

A sintaxe do verbo haver
Lindley Cintra e Celso Cunha, na Nova Gramática do Português Contemporâneo, dizem que o verbo «haver» quando significa «existir» não tem sujeito e sempre assim ensinei aos meus alunos. Entretanto, em conversa com uma professora de latim, ela mostrou a sua estranheza argumentando com a sintaxe latina do verbo «haver». A dar-lhe razão, na Gramática do Português Actual, de José de Almeida Moura, da Lisboa Editora, lê-se na página 227: «O sujeito das formas existenciais de haver que só apresentam a 3.ª pessoa do singular pode surgir no plural tomado como um conjunto.» Segue o exemplo: «Há livros raros.» Face a estas duas opiniões tão desencontradas, em que ficamos? No caso do exemplo supracitado, «livros» é complemento directo como defende Lindley Cintra ou é sujeito conforme a Gramática Actual de José Moura? Agradecia uma opinião fundamentada.
Sobre o antónimo de utopia
Há quem considere que o antónimo de utopia é antiutopia. No entanto, em literatura (baseio-me na Wikipédia para formular esta questão) faz-se a distinção entre antiutopia (algo com aparência utópica mas com falácias cruciais) e distopia (algo que não pretende mostrar-se como bom ou fantasiosamente perfeito). Gostaria de saber se há algum termo que designe este conceito que expus (algo ligado à literatura cyber-punk e ficção científica) ou se realmente estou a inventar. Obrigado mais uma vez pela paciência e pela atenção.
Sobre o nome e grafia da letra qui (alfabeto grego)
Relativamente ao estranho quiasmo de um consulente lisboeta, em 23/11, na consulta Quiasmo e anástrofe, respondida por Pedro Mateus, gostaria de comentar e ao mesmo tempo perguntar sobre a pronúncia da letra grega χ, ali transliterada foneticamente para "qui". Assim já a encontrei em diversos registros, mas acredito que assim se imagina, em português, por não termos em nossa língua o som aspirado do "h" em inglês, do "j" em espanhol ou de outros em outras línguas que não me vêm à memória, neste momento. Pediria um esclarecimento, não sem antes dizer ao consulente lisboeta que existem, aqui no Brasil, uns versinhos sobre o tipo, o ambiente e a condição de quem escreve poesias nesse inusitado local: «Triste sorte, triste sina, ser poeta, de latrina» Obrigado, e desculpem o tom jocoso no final; minha consulta, no entanto, é séria.
Conflituoso e conflituante
Estou a trabalhar sobre um texto em que me surge algumas vezes o termo "conflituante", que se refere às pessoas que estão em conflito, ou seja, por exemplo, cada um dos conflituantes. Numa entrada do Ciberdúvidas de 1999 com o título Conflituoso, referem não dever ser utilizada esta palavra; mas no Portal da Língua Portuguesa ela consta, pelo que fiquei com dúvida se deve ser ou não utilizada, sendo que, se não utilizar este termo, fico com dificuldade em encontrar um com o mesmo sentido. Agradeço o vosso esclarecimento.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa