DÚVIDAS

Lusodescendente
Em 30-09-11, a vossa consultora Sandra Tavares diz numa resposta: «As duas palavras não sofreram alteração com o novo Acordo Ortográfico, mantendo a grafia anterior: luso-africano e lusodescendente.» Todas as fontes que consultei (como os dicionários online, o dicionário da Academia das Ciências e o prontuário de D´Silvas Filho) apontam para luso-descendente como grafia pré-AO. Por outro lado, encontrei esta explicação num blogue: «Rebelo Gonçalves, no Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa, recomendou o uso de hífen nos "compostos em que entram, morfologicamente individualizados e formando uma aderência de sentidos, um ou mais elementos de natureza adjectiva terminados em o e uma forma adjectiva". Exemplos? Físico-químico, póstero-palatal, trágico-marítimo, ântero-inferior; latino-cristão, grego-latino, afro-negro." Escrevíamos mesmo "lusodescendente" antes do Acordo Ortográfico, ou trata-se de um lapso? Obrigado.
Colher de chá ou colher-de-chá?
Muitas vezes, principalmente nas receitas culinárias, pode ler-se a expressão "Junte uma colher de chá de açúcar", por exemplo. A dúvida que me surgiu é se "colher de chá" não seria grafado com hífens. Procurando no prontuário de D´Silvas Filho encontrei "colher-de-chá" (com hífens), mas no dicionário da ACL encontrei "colher de chá".Também pesquisei no V/ “site” e não fiquei mais esclarecida ao ver a resposta Colher de chá. Assim, gostaria de que me esclarecessem. Muito obrigada e obrigada também por manterem este “site”.
Sobre as funções sintáticas do advérbio não
Desejava saber se o advérbio de negação desempenha a função sintática de modificador do grupo verbal. Por exemplo: «Eu não o tenho visto ultimamente.» Análise sintática: «Eu» – sujeito simples; «não o tenho visto ultimamente» - predicado; «o» – complemento direto; «ultimamente» – modificador do grupo verbal (O advérbio não não desempenha nenhuma função sintática.) ou «(…) não» – modificador do grupo verbal; «o» – complemento direto; «ultimamente» – modificador do grupo verbal A minha dúvida advém do seguinte: 1. Os modificadores do grupo verbal dão-nos informações acessórias sobre a realização da ação, isto é, indicam-nos as circunstâncias da realização da ação (como os antigos complementos circunstanciais); 2. Nunca vi na antiga terminologia gramatical um complemento circunstancial de negação; 3. Na verdade, com um não não estamos a modificar a ação/dar informação sobre as circunstâncias da realização da ação – estamos apenas a negar essa ação (frase afirmativa vs. frase negativa). Será que “negar a ação” é “modificá-la”? Se se considerar que estamos a “modificá-la”, não existe aqui uma certa confusão conceptual? Consultei o Dicionário Terminológico (DT), que nos apresenta o seguinte, a propósito do advérbio de negação: «Advérbio de negação Advérbio cujo significado contribui para reverter o valor de verdade de uma frase afirmativa ou para negar um constituinte. Este advérbio pode ser um modificador do grupo verbal ou de um constituinte do grupo verbal.» Negação frásica: (i) O João [não] comprou flores à Ana. [Análise sintática desta frase: «O João» – sujeito simples; «não comprou flores à Ana» – predicado; «não» – modificador do grupo verbal (???); «flores» – complemento direto; à Ana – complemento indireto] Negação de constituinte: (iii) O João [comprou à Ana ontem [não flores]], mas livros. (modifica o grupo nominal complemento direto) [Análise sintática desta frase: «O João» – sujeito simples; «comprou à Ana ontem não flores, mas livros» – predicado; «à Ana» – complemento indireto; «ontem» – modificador do grupo verbal; «não flores, mas livros» – complemento direto] O não fica de fora. Ficará também de fora na frase de cima (i). Parece-me haver nesta entrada do DT um conceito diferente de “modificador do grupo verbal”… Obrigada pela atenção concedida.
A sintaxe na nova terminologia linguística
Dada a dificuldade experimentada por professores no que toca à nova nomenclatura no que diz respeito à sintaxe, gostaria de poder ver uma sistematização dos conceitos e respectivas designações assim como de ver estabelecida uma relação entre a nomenclatura tradicional e a reformulada. Por exemplo, como vamos designar o atributo, o complemento determinativo, o complemento agente da passiva, etc.? Como vamos designar o complemento pedido pelo verbo gostar? Complemento directo ou complemento preposicional ou ainda as duas coisas? O CD distribuído pelo ministério não dá resposta a estas e muitas outras dúvidas que se levantam.
Sobre o verbo reportar
Sobre a vossa resposta à consulente Manuela Ferreira, a propósito de "Referir dif. de reportar", gostaria de introduzir uma nova utilização corrente de reportar, usada nalguns meios, porventura errada, no sentido de relatar/comunicar, esta sim completamente influenciada pelo aludido "to report". Assim, se "os doentes reportaram (referiram, manifestaram) efeitos secundários", também os "utilizadores reportaram (relataram, comunicaram) os seguintes erros ao fabricante". Numa ocasião, já vi referido um "Mapa de Reporte" de ultrapassagens de limites estipulados para um determinado valor. É aceitável esta utilização? Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa