DÚVIDAS

Orações relativas explicativas, apostos, predicativos
Vocês costumam ser bem eficientes em suas respostas e/ou reflexões, sendo assim quereria ouvir suas opiniões sobre minha humilde reflexão. Tentarei aqui abranger a visão morfossintaticossemântica. Eu não concordo com as gramáticas quando afirmam que as orações subordinadas adjetivas só exercem função sintática de adjunto adnominal (nem cabe dizer que Celso Cunha, por exemplo, diz que as orações subordinadas adjetivas explicativas se "assemelham" a um aposto, porque, até onde sei, o aposto é essencialmente um termo de natureza substantiva, como ele mesmo o diz). Segundo minha tese, as explicativas exercem função sintática de predicativo, e não de adjunto adnominal; por exemplo, em «Os alunos chatos chegaram», «chatos» é um adjunto adnominal, pois tem caráter restritivo, limitador; faz parte do sintagma nominal; é uma característica inerente do termo «aluno»; não é, portanto, separado por vírgulas; inclusive é possível transformar tal termo — de valor adjetivo — em uma oração subordinada adjetiva restritiva: «Os alunos que são chatos chegaram.» Até aí, OK! Mas em «Os alunos, chatos, chegaram», «chatos» é um predicativo do sujeito, pois tem caráter explicativo; não faz parte do sintagma nominal; é uma característica atribuída ao termo «aluno»; é, portanto, separado por vírgulas; inclusive é possível transformar tal termo — de valor adjetivo — em uma oração subordinada adjetiva explicativa: «Os alunos, que são chatos, chegaram.» É visível a mudança não só semântica, mas principalmente sintática! Afinal de contas, para que serviriam as vírgulas? Eu sei que o adjetivo pode exercer essas duas funções sintáticas, sendo o adjunto adnominal NUNCA separado por vírgulas (exceto, óbvio, quando numa enumeração), como bem o dizem Celso Cunha e Lindley Cintra, Evanildo Bechara, Napoleão Mendes de Almeida, etc. Por que motivo, então, as gramáticas insistem, inclusive a desses ilustres, a dizer que as orações subordinadas adjetivas restritivas e explicativas exercem função sintática SÓ de adjunto adnominal? Acho que fui o mais claro possível na minha defesa de tese, talvez não tão delongado como gostaria, por saber que a prolixidade não é uma virtude. Grande abraço para todos e, quem sabe, não haverá aqui uma concordância.
A construção «mais grande do que»
Celso Cunha, Lindley Cintra, Ulisses Infante e outros admitem a possibilidade da construção «mais grande do que», como, por exemplo, em «este país é mais grande que equilibrado». Uma colega de trabalho, em reunião do Colegiado, diante de pais de alunos e de uma de minhas alunas do terceiro ano do ensino médio, desautorizou-me afirmando a impossibilidade da construção. Estou segura, mas desejaria o aval de uma instituição séria além é claro, de minhas referências gramaticais. Antecipadamente, agradeço.
A grafia da conjugação de enxaguar
Gostava de saber qual é a forma correta do verbo enxaguar na 3.ª pessoa singular do Imperativo: enxague, ou enxagúe. Eu pronuncio "enxagúe", não sei se erroneamente, e o dicionário Priberam dá-me a razão, mas é o único, porque tanto o da Porto Editora (Infopédia) como o livro de verbos que tenho por aqui como o Lince me dizem que se escreve "enxague", de modo que tenho de assumir que esta é a forma correta. A minha dúvida agora é relativamente à pronúncia: "en'xague"? Nota: Para o corretor do Word, tanto lhe dá uma forma como a outra...
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa