DÚVIDAS

«Ser omisso» e «ser omitido» (particípios duplos) + anáfora
Li esta frase: «Uma prova de que é opcional é o facto de poder ser omitido sem que a frase deixe de ser gramatical:» num artigo em Ciberdúvidas intitulado «Sem sela» é complemento circunstancial – I, da autoria da senhora Ana Carina Prokopyshyn. A minha dúvida prende-se com «ser omitido» sobretudo depois de o meu Word me aconselhar a «ser omisso». Numa consulta ao sítio de Mark Davies encontrei apenas três frases com “ser omitido”, ao passo que no Google encontrei um infindável número de casos. Pergunto, pois, qual das duas está correcta? Tendo em conta as regras dos particípios, dir-se-ia que seria «ser omisso», porém, são mais as vezes que vejo «ser omitido» que o contrário. A não ser que algo me esteja a escapar… Gostava igualmente de deixar aqui esta frase que me parece ambígua: «Pelo meio, a voz de I Will always Love You, teve problemas com a filha, Bobbi Kristina, de 15 anos, que alegadamente a terá tentado matar», in revista Maria. Quem tentou matar quem, a filha a mãe, ou esta a filha? Agradecida.
Míssil (adjectivo e substantivo)
Leio no Grande Dicionário da Língua Portuguesa de  José Pedro Machado que a palavra míssil é um adjectivo («o que se pode arremessar»).  À semelhança da pescada e do vestido, que antes de o serem já o eram, não poderá míssil ser considerado por si só um substantivo? A não ser assim, não faltará em todas as frases em que o adjectivo é usado um outro substantivo para o acompanhar (arma, por exemplo)? A mesma dúvida se pode levantar em relação a projéctil.
Sobre o plural de nomes deverbais
Gostaria de que me elucidassem a dúvida quanto à melhor forma de se identificar o plural em casos como os que seguem: 1) O João administra diferentes/várias clínicas de recuperação. (ou recuperações); 2) O João, drogado e alcoólatra, já ficou internado em clínicas de recuperações diferentes. ( ou em diferentes clínicas de recuperação; 3) Adamastor é proprietário de diversos parques de diversão. (ou diversões); 4) O padre construiu muitos templos de oração (ou orações). 5) A seguradora indicou diversas oficinas de manutenção para o cliente.» Nesses casos, e em outros semelhantes, qual a forma mais simples (se é que exista) de se identificar que o substantivo é não-contável? Geralmente, os substantivos derivados de verbos (como comunicação = comunicar), quando usados nesses contextos, ficam invariáveis?. Ex: Os meios de comunicação; os parques de diversão (= divertir); os templos de oração (= orar); as clínicas de recuperação (= recuperar); as peças de reposição (= repor). Outro consulente perguntou qual a forma correta: «Eu compro peças de reposição» ou «Eu compro peças de reposições», mas o consultor disse que faltavam dados para responder. Sendo assim, nesse caso específico, as duas possibilidades são viáveis? Gostaria de exemplos para a segunda opção (peças de reposições). Como de hábito tenho sido esclarecido pelos prezados consultores, mais uma vez aproveito o momento para apresentar os meus sinceros elogios ao excelente trabalho desenvolvido.
A função de sujeito e a de predicativo
A propósito da resposta dada à minha consulta pela professora Sandra Duarte Tavares, em 3/1/2008, restou esclarecer, e parece-me ser este o cerne da questão, como decidir qual termo, nas frases apresentadas, deve exercer a função de sujeito e qual a de predicativo. Vejamos: «Consideram-se ganhos econômicos uma indicação de riqueza.» Podemos considerar «uma indicação de riqueza» o sujeito da oração, como se indicou na resposta. Mas por que não «ganhos econômicos»? Nesse caso, poderíamos fazer a seguinte frase: «Ganhos econômicos são considerados uma indicação de riqueza.» Ou esta, usando o verbo ser: «Ganhos econômicos são uma indicação de riqueza.» Na frase com o verbo considerar, a posição dos termos, ambos de valor nominal, a meu ver, não define necessariamente sua função sintática. O que não ocorre com o verbo ser. Assim, na outra frase que apresentei: «Consideram-se as borboletas o maior enigma da natureza», se usarmos o verbo ser, o termo «borboletas» poderá ser sujeito ou predicativo dependendo de vir antes ou depois do verbo: «As borboletas são o maior enigma da natureza»; «O maior enigma da natureza são as borboletas». Desculpe-me da insistência, mas gostaria que esse ponto fosse esclarecido. Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa