Analogias
O que é analogia fonética ou prosódica? O que são analogias: morfológica, sintática e semântica?
Por favor, citem exemplos.
Raqueta
Qual a forma correcta de se escrever esta palavra: «raqueta» ou «raquete»?
O pai-nosso
Apresento-lhes o seguinte trecho retirado de uma coluna jornalística:
"No 'Pai-Nosso' as pessoas que rezam dirigem-se ao Criador e pedem a ele que lhes perdoe as ofensas praticadas, que não as deixe cair em tentação e que as livre do mal eterno."
Minha dúvida é sobre a expressão "Pai-Nosso":
1) Está escrita corretamente? Por quê?
2) Sempre se escreve assim: com hífen e com o "nosso" iniciando por letra maiúscula?
3) Naquela famosíssima frase "Pai-Nosso que estais no céu, perdoai as nossas ofensas...", também deveria se escrever dessa forma ou seria sem hífen e o "nosso" com letra minúscula, assim: "Pai nosso que estais no céu..."?
Muito Obrigado.
Ainda o cerzitar*
Ainda sobre a palavra cerzitar, acrecentamos dois contributos suplementares à anterior resposta.
«A mais pura das verdades» e «a mais pura verdade»
Deve-se dizer «a mais pura das verdades», ou «a mais pura da verdade»?
Caiu
Caiu ou caíu (acento agudo no 'i')? Parecia-me óbvio que o 'i' devia ser acentuado. A professora da minha filha diz o contrário.
A propósito de actos ilocutórios
Gostaria de saber qual o acto ilocutório presente na frase «Está aberta a audiência». A minha dúvida está entre o acto ilocutório declarativo e o acto ilocutório declarativo assertivo. Obrigada.
Pronomes rectos/retos após preposição
A brasileira Maria da Conceição Barbosa afirmou que não se pode usar pronome reto após preposição, quando se deve, então, empregar o pronome oblíquo. E, diante dessa "regra", ela se indaga se o certo seria dizer "para mim fazer" ou "para eu fazer". A resposta do Ciberdúvidas de 19 de novembro de 2000 iniciou-se com a afirmação de J.N.H. de que desconhecia qualquer regra que afirmasse que o pronome reto não poderia ser precedido de preposição. Bem, talvez essa "regra" não tenha sido claramente enunciada, mas a própria natureza dos pronomes acaba fazendo com que ela exista. Os pronomes retos são meramente sujeitos da oração, e portanto não podem ser usados precedidos de preposição, pois esse seria o caso do objeto indireto. Após preposições, há formas oblíquas tônicas a serem usadas. É por isso que dizemos: "Este presente é para mim", e nunca "Este presente é para eu". Ou então: "Ele me viu", e é gramaticalmente incorreto dizer "Ele viu eu", pois "eu" só pode ser sujeito. O problema é que a regra de Maria da Conceição foi mal formulada. Na verdade, usam-se após preposições, como já mencionado, as formas tônicas correspondentes, também oblíquas. O exemplo que ela nos dá, entretanto, não está relacionado a essa "regra". Aqui no Brasil é muito comum ouvir dizer que "para mim fazer" é errado, com o que estou de acordo; talvez por isso Maria tenha feito essa pergunta. Só que nesse caso a preposição "para" não antecede simplesmente um pronome, uma forma tônica (que deveria ser "mim", se finalizasse a oração), mas sim uma oração subordinada. E esse "eu" do "para eu fazer" é o sujeito dessa oração subordinada (no caso, reduzida). Se desenvolvêssemos tal oração, teríamos "para que eu faça", ou "para que eu fizesse", dependendo do tempo empregado. Ou seja, usaríamos "eu" na oração desenvolvida, porque esse "eu" é o sujeito. Por isso, os exemplos que J.N.H. utilizou em a) estão, obviamente, corretos, pois todos são orações reduzidas. Na letra c), ao dizer "Isto foi feito por nós/vós/eles", ele não está, na verdade, utilizando o caso reto, mas a forma tônica que é usada após preposição (a saber: mim, ti, ele, ela, nós, vós, eles, elas), o que invalida, de certa forma, esse exemplo. O que me intriga, entretanto, são os exemplos b) e d) propostos por J.N.H. Em b) ele se vale da oração "Entre tu/nós/vós e eles há grande amizade". Quanto ao "nós/vós/eles" não há dúvidas; sabemos se tratar da forma tônica que é utilizada após preposição. Mas quanto ao "tu", surge um problema: não deveria ser "ti"? Infelizmente não disponho de nenhuma gramática no momento à qual possa recorrer, e não me lembro do que li sobre o assunto. O que sei é que aqui no Brasil é muito criticado o uso de "entre eu e você", generalizado e que não soa errado nem mesmo aos estudiosos da língua, afirmando-se que o correto seria "entre mim e você", justamente pelos fatores acima explicados. É isso mesmo? Já em d) ("Olha que até eu faço isso") acredito termos um "falso exemplo". A preposição "até" pode ser aí omitida, embora a oração perca grande parte de sua significação. Além disso, a referida preposição não tem aí seu significado primeiro, que denota espaço, o que, entretanto, não explica muita coisa. O que eu posso deduzir, na verdade, está relacionado justamente ao que foi dito acima: em d) estão presentes duas orações, e o "eu" é o sujeito da segunda, podendo, assim, aparecer apenas no caso nominativo (ou reto). De qualquer forma, ainda preciso refletir sobre o problema: ou será que o caráter das preposições "entre" e "até" são diferentes? Sou estudante de Letras da Universidade de São Paulo e gostaria de ouvir (ou ler) o que vocês têm a dizer sobre o assunto, para que possamos refletir um pouco juntos. Como não tive muito tempo de pensar sobre a questão, não sei se meus exemplos e explicações são realmente válidas. Vocês poderiam me ajudar? Obrigada pela atenção.
PS: Para a Maria da Conceição: em breves palavras, eu diria que o certo é dizer "para eu fazer" porque o sujeito da oração é o pronome "eu" (= "para que eu faça/fizesse"), e que a regra que ela formulou, embora falha (afinal, são usadas formas oblíquas específicas - e tônicas - após preposições) não se aplica nesse caso.
Como apareceu a palavra cibernauta
Gostaria de saber o processo de formação presente na palavra "cibernauta".
Sei que "nauta" provém do latim, mas tenho dúvidas relativamente à origem de "ciber".
Consultei o dicionário da Academia das Ciências de Lisboa que diz que essa palavra é proveniente do inglês; o que penso não ser verdade, pois tenho formação germânica e o “Longman Dictionary” não reconhece tal palavra.
«À margem» com o sentido de «por ocasião»
Tornou-se muito frequente na televisão, nos jornais e na rádio a expressão «à margem de» com o sentido de «por ocasião de». Ainda há bocado, no "Público", li mais ou menos isto: «O presidente do banco confirmou hoje, à margem de um almoço de confraternização, que houve investigações na respectiva sede.» Repare-se que os jornalistas poucas vezes usam o «por ocasião». Quando usam o «à margem», querem geralmente dizer que o acto em causa (normalmente, uma declaração) não foi produzido durante o acontecimento de referência ou, tendo sido durante, não foi por causa desse acontecimento. Nem a Academia nem o Houaiss consideram este sentido para «à margem». Gostava de ouvir o Ciberdúvidas sobre o assunto. Será uma forma recente? Não será asneira? Não soa mal?! Agradecendo mais um vosso prezado esclarecimento,
