Portugal / Brasil: o uso de "porque"
Meu nome é Luciana, sou funcionária pública estadual, e consulto a internet no meu local de serviço. Tenho uma dúvida quanto ao uso do porque. Temos o seguinte texto:
Por que não posso ficar vendo televisão?
Porque você tem de dormir.
__________?
Porque está na hora, ora essa.
Gostaria de saber qual seria o porque que devo usar no espaço em branco, separado, com acento ou sem acento, pois o com acento só se usa no final da frase. No referido espaço eu devo considerar princípio ou fim de frase?
Futuro do pretérito (condicional) vs. imperfeito do indicativo
«Não demonstrava cansaço, não ofegava. Nem fazia idéia de quantas armas estariam apontadas para ela naquele instante.»
Na frase acima, está correto o futuro do pretérito («estariam»), ou deveria lá estar o imperfeito do indicativo («estavam»)?
Obrigado.
A soja
O correto é dizer a soja ou o soja?
O uso de «bem feito!» e «bem feita!»
A locução exclamatória «bem feito!» (usada ironicamente quando sucede mal a alguém que tem culpa) poderá também admitir a forma «bem feita!», que frequentemente também se ouve?
Acessibilização e acessibilizar
Gostaria que me esclarecessem se a palavra acessibilização existe? E acessibilizar? Obrigada.
Ordem alfabética em dicionários
As enciclopédias e o programa de computador, ao colocarem as palavras em ordem alfabética, põem respectivamente "Cruz e Souza" antes de "Cruzada" e "Gabriel Dias" antes de "Gabriela". Como não concordo que o espaço possa fazer a diferença, pergunto: esta ordem está correta?
Licença poética
Licença poética – liberdade que toma o poeta de alterar as normas da gramática ou da poética. (dicionário Michaelis) É possível usar licença poética em prosa, ou seja um escritor pode fazer uso da licença poética em texto de prosa?
A regência do verbo intitular
Diz-se «intitulada de», ou «intitulada "A..."»?
Porquê o plural decibéis
No programa Cuidado com a Língua! [sobre a linguagem nos tribunais] da RTP, um actor referiu várias vezes a palavra "decibéis". Sempre pensei que o plural da unidade decibel (unidade de medida em na acústica, electrónica, etc.) era "decibels" e referi o caso à produção do programa.
Amavelmente, alertaram-me para duas respostas [ver Textos Relacionados] que o Ciberdúvidas deu sobre este assunto. Como essas respostas me suscitam sérias e legítimas dúvidas, aqui deixo algumas considerações sobre o assunto.
1) Não sou perito em língua portuguesa, mas sou utilizador da unidade "decibel" por profissão. Trabalhei na área do ruído há alguns anos e, embora esteja afastado dessa matéria neste momento, como sou músico, o decibel continua a cruzar-se com o meu quotidiano profissional.
Sempre ouvi dizer que as unidades não têm género, nem plural. Não se diz "uma" grama. Nem se devia dizer, de facto, em rigor, "dez gramas". A unidade é o grama (g). E o grama é uma unidade, não é um adjectivo! Mas, enfim, condescendo que soa um bocado esquisito dizer que uma coisa pesa dez grama...
Quanto aos "decibéis", aí sim, a situação torna-se, na minha opinião, totalmente caricata.
Deixem-me usar aqui alguma teoria...
A unidade de que estamos a falar aqui é o bel. O bel é o logaritmo de uma razão entre os valores de duas variáveis. Na prática, o valor do bel é quase sempre um número enorme, cuja utilização não dá grande jeito.
Daí dividir-se esse valor por dez e daí o decibel, unidade que é usada na prática corrente.
A unidade é portanto o _bel_ (B). A título meramente exemplificativo, se não existisse esta convenção que é o decibel, teríamos de escrever do seguinte modo o Regulamento Geral do Ruído, no art. 4, n.3a:
«As zonas sensíveis não podem ficar expostas a um nível sonoro contínuo equivalente, ponderado A, LAeq, do ruído ambiente exterior, superior a 550 B(A) no período diurno e 450 B(A) no período nocturno», em vez do que está escrito agora: «55 dB(A)» e «45 dB(A)».
Pela lógica das respostas que o Ciberdúvidas deu a estas perguntas, ao ler aqueles valores devíamos então dizer dizer "quinhentos e cinquenta béis" e "quatrocentos e cinquenta béis", respectivamente. Penso que isto seria totalmente absurdo...
Nem sequer coincide com a forma correcta de referir o plural de outras palavras semelhantes como mel ou gel (por acaso há alguns anos coloquei essa dúvida ao Ciberdúvidas) que é geles e meles... Ao menos então "decibeles".
Levando esta lógica por aí fora, a unidade de pressão pascal (Pa) deveria ler-se no plural "pascáis", a unidade de força newton ler-se-ia "newtónes" e a unidade de indutância, o henry (H) teria talvez de ler-se "henries", assim em plural anglófono. Nada disto faz obviamente qualquer sentido.
O que nos leva à questão do decibel cujo plural deveria então ser, na minha opinião e pelas razões referidas, "decibels". Se, como diz o Ciberdúvidas, «é sempre conveniente que se sigam as recomendações internacionais, pois estamos inseridos num espaço amplo de nações, e a univocidade facilita a comunicação entre os seus membros», devíamos então abolir esta prática dos "decibéis", que parece só existir neste Portugal avesso ao rigor científico e a esta confusão sobre o que é uma unidade de medida.
2) Apesar deste horror ao rigor científico, a invenção desta palavra "decibéis" usada como equivalente a "ruído" demonstra contudo uma preocupação pelo ambiente sonoro que me parece interessante. Ao inventar a palavra "decibéis", denotando "barulho a mais" ou a velha "chinfrineira", os portugueses demonstraram sensibilidade e capacidade de invenção. Admito, pois, sem grande problema o uso corrente da palavra "decibéis" como sinónimo de barulho ou ruído em excesso.
Já quanto a aceitar que se trate de uma forma legítima de referir o plural da unidade "decibel", aí tenho as minhas dúvidas. Sem ciber!
As formas de frase
Como se classificam as frases quanto à forma?
