DÚVIDAS

Alteridade e outridade
«Alteridade (ou outridade) é a concepção que parte do pressuposto básico de que todo o homem social interage e é interdependente de outros indivíduos. A existência do “eu-individual” só é permitida mediante contacto com o outro.» Este é um parágrafo retirado de umas fotocópias que deram a um colega meu para fazer um trabalho sobre isso integrado nos cursos Novas Oportunidades. Dado que nunca tinha ouvido falar nem numa nem noutra palavra, a despeito de ter consultado o dicionário e só ter encontrado “alteridade”, foi “outridade” que me "despertou" mais desconfiança, e daí a minha pergunta. Mais fiquei, agora, após os senhores me haverem enviado o e-mail com tanto ou mais incredulidade que eu no que respeita ao desconhecimento de tal palavra. Procurei, entrementes, no Google sobre a palavra e encontrei isto: «A outridade refere-se às figuras do imaginário que pertencem a uma parte do corpo social que não é a nossa (dos leitores), sempre dessemelhantes, sejam menos confiáveis ou mais perigosas, notáveis em suas diferenças, carentes estas de nossa atenção, na medida em que suas atitudes, formas de vida, culturas próprias nos atingem de modos mais ou menos intensos. Chamamos “Outro” às séries de paisagens socioculturais e políticas frente às quais a mídia estabelece distâncias relativas, calculadas, homólogas ao afastamento que seus públicos mantêm. Frente ao Outro é preciso resguardar-se, diz o enunciador mapeador, qualificando-o de exótico, ao exibi-lo para o display, mas, em outros casos, é preciso ocultá-lo do holofote, deixá-lo nas margens; assim, ele pode ser assimilado, admitido ou segregado (LANDOWSKI, 2002); em certos casos, será necessário inscrevê-lo como inimigo, excluindo-o.» Deixo aqui a ligação. Agradecida pela atenção.
Sobre as palavras átonas
Escrevo-lhes em parte para pedir esclarecimentos, em parte para, com cuidadosa modéstia, contribuir. Começo pela contribuição. Acerca da conjunção como, ao ler nesta resposta a categórica afirmação de não-existência da pronúncia /cumo/ no Brasil, tenho de discordar. Certamente não era do conhecimento dos senhores consultores — daqueles que formularam a resposta — a variação ortoépica existente no Nordeste brasileiro. Embora tida como ruralizante, a pronúncia /cumo/ ainda se encontra em pessoas mais velhas ou em falantes que vivam mais afastados dos grandes centros urbanos. Tal fato se torna bastante notável em frases que contenham a expressão de realce é que. Por exemplo: «Como é que vai a senhora?» pode soar, no Nordeste do Brasil, da seguinte maneira: /cumé qui vai a sinhóra?/, em que ocorre elisão de como + é. Em seguida, a respeito do tema em apreço ainda me restam dúvidas relativamente à pronúncia doutras palavras. Em se tratando de língua portuguesa, que palavras são, por natureza, átonas? Há classes gramaticais de palavras inteiramente átonas? De acordo com o que aconselham, deve-se proferir /cômo/; se se trata de dissílabo átono, como se explica a preferência pelo o fechado, em contraste com porque /purque/? Sem contar com outros monossílados átonos, por exemplo: por, com. Muito obrigado pela atenção.
Sobre a regência do verbo designar
A propósito da questão levantada por mim (Opinião sobre frase), respondida sucintamente em 19/11/2007, gostaria, se for possível, de uma resposta mais estendida, com explicações mais pormenorizadas sobre os problemas de regência que envolvem o verbo designar no exemplo que dei e nestes que vou dar: 1 — «O presidente designou o deputado José de Abreu relator.» (ou «como relator», ou «para relator») 2 — «O presidente designou o deputado José de Abreu relator das seguintes proposições...» 3 — «O presidente designou o relator para as seguintes proposições...» (agramatical?) Poder-se-ia pensar que, na frase 3, está elíptica uma expressão de finalidade («para examinar as seguintes proposições»); no entanto, creio que, por exercer o complemento nominal uma função mais importante na sintaxe de uma oração e por relatar não reger para, nada abona o uso de uma expressão adverbial de finalidade, em detrimento daquele complemento, que já dá pleno entendimento à frase em questão.
Intitular / titular
Habitualmente uso o termo «intitular» para referir o título de um documento ou de uma obra. Recentemente disseram-me que essa forma era incorrecta e que deveria substituí-la por «titular». Ou seja, em vez de dizer : "Consultei uma obra intitulada tal e tal...", deveria dizer: “Consultei uma obra titulada tal e tal...". Como me parece algo estranho, gostaria de saber qual é a forma correcta e se há alguma diferença fundamental entre uma e outra forma. Muito obrigada.
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