DÚVIDAS

A pronúncia de intoxicação
Este meu comentário é mais uma indignação. Comprei na Feira do Livro o Prontuário Ortográfico (48.ª ed.), que considero a Bíblia do bem escrever, e descubro que o mesmo «permite» que se diga intoxicar com o «x» lido como |ch|! Mas em tóxico indica o «x» como |ks| e em oxigénio, obviamente, |ks|. Estou francamente indignada! Ou será porque o número de jornalistas de rádio e TV e de falantes ignorantes já é maior do que os que respeitam o dizer correcto e o «erro» foi consagrado? E foi revisto (ver frontispício) por Professoras Doutoras e Mestres! Céus! Isto significa que podemos dizer «prontos», «hádem» e «fizestes», entre outros, já que há tanta gente a dizer estas palavras mal?
Tanach, Avesta e Vedas
Tanach é como os judeus chamam o Velho Testamento da Bíblia. Já existiria o aportuguesamento «Tanaque», assim como já se registra Talmude, como aportuguesamento de Talmud? O livro sagrado do zoroastrismo é Avesta ou Zendavesta, pelo o que se lê no Aurélio. Pois bem, gostaria de saber se se escrevem assim mesmo, com capitular, já que o famoso léxico silencia sobre este aspecto. Outra dúvida é se a prosódia não seria antes oxítona nos dois bibliônimos, ou ao menos no primeiro, dando então Avestá e talvez Zendavestá também. A terceira dúvida sobre este livro é se a forma Zendavesta seria a melhor, ou Zende-Avesta ou ainda Zende-Avestá seriam as preferíveis. Encontro atestada esta última no Aulete Digital. Na Internet, deparo-me também com Zend-Avesta, mas, devido à sua grafia, não me parece apropriada para o nosso idioma. Quando ao livro sagrado do hinduísmo, as questões são a respeito do seu título, se deve ser escrito Veda ou Vedas; sobre o timbre do e, se é aberto ou fechado. Creio que, em qualquer dos casos, com capitular sempre. Que o Ciberdúvidas, o mais iluminador dos sítios da Web, ministre-me as suas luzes, por favor.
Topónimos terminados em "eira"
Habito numa zona com imensas localidades cujo nome das mesmas termina em "eira". Exemplos: Malveira, Gozundeira, Feliteira, Gondruzeira, Zibreira, Abrunheira, Ervideira, Carregueira, Carvoeira, Feteira, Patameira, Louriceira, Asseiceira, Bogalheira, Bombardeira, Cadriceira, Corujeira, Ereira, Escaravilheira, Ermegeira, Maceira, Melroeira, Moçafaneira, Mugideira, Silveira, Zurrigueira, Sevilheira, Loubagueira, Ordasqueira, etc. Qual a origem destes topónimos?
«Candidata a prefeito»
Os nomes dos cargos públicos do governo são naturalmente masculinos, pois em português prevalece o masculino em diversos casos. Assim temos o cargo de presidente, de governador, de prefeito, de vereador, de juiz, etc. Assim sendo, devemos dizer que Maria Lúcia de tal foi candidata a "prefeito", ou "prefeita" de tal município? Um vez eleita, diz-se que ela foi eleita "prefeito" de tal município, ou eleita "prefeita" de tal município? Ela é uma "prefeita" ocupando o cargo de prefeito? Todavia não se dirá nunca «o prefeito Maria Lúcia», mas «a prefeita Maria Lúcia». Não fica estranho um repórter perguntar a uma governadora em uma entrevista: «Quando a senhora foi eleita governador deste Estado, tinha ideia dos desafios que teria pela frente?» Num caso destes, seria mesmo “governadora” que se diz? Outro caso: «Júlia passou no concurso para juiz.» É assim mesmo? Se puderem apresentar outros exemplos esclarecedores e completantes, agradecer-lhes-ia muito. Muito obrigado desde agora.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa