DÚVIDAS

Item e hífen
Acerca da centuação das paroxítonas, pergunto: por que item não recebe acento, mas hífen sim? De acordo com a regra geral, paroxítonas terminadas em n devem ser acentuadas. No entanto, nos casos de item e hífen, ocorre uma particularidade: ambas as palavras terminam em ditongo nasal, já que o m e o n finais assumem som de i, formando esse tipo de ditongo. Pela regra específica, paroxítonas terminadas em ditongo nasal não são acentuadas; o acento ocorre apenas quando há terminação em ditongo oral.
Estrutura clivada: «é a data da morte de um poeta que...»
Na frase «Em Portugal, é a data da morte de um poeta que protagoniza o nosso momento cívico de unidade mais relevante.» (in Discurso de Lídia Jorge no dia 10 de junho de 2025), qual será a função sintática desempenhada pelo segmento "que protagoniza o nosso momento cívico de unidade mais relevante"? Poder-se-á considerar: a) modificador restritivo do nome?; b) ou o "que" faz parte de uma expressão enfática (tendo em conta a forma verbal "é") e, nesse caso, seria o sujeito seria -"a data da morte de um poeta"-, e o predicado - "é (...) que protagoniza o nosso momento...".? Agradeço, desde já, a V/ colaboração!
Nomes próprios e vírgulas
Gostaria de saber se, nesta situação, o nome fica sempre dentro de vírgulas, se é opcional ou se existe alguma regra específica para esta construção da frase. «Durante uma audiência no Senado sobre a Lei dos Direitos Civis de 1957, o procurador-geral da Geórgia, Eugene Cook, criticou a Associação Nacional para o Progresso das Pessoas Racializadas.» O que quero saber ao certo é se «Eugene Cook» fica sempre entre vírgulas quando antes vem a descrição do que é/faz a pessoa. Obrigada.
Minúscula inicial em «história de Espanha»
«No passado dia 18 de janeiro de 2026, ocorreu em Adamuz, na província de Córdova, um dos mais graves acidentes ferroviários da História recente de Espanha», ou «No passado dia 18 de janeiro de 2026, ocorreu em Adamuz, na província de Córdova, um dos mais graves acidentes ferroviários da história recente de Espanha»? Ou seja, nesta frase, história deve-se escrever com maiúscula ou minúscula?
O uso de próximo
Tenho dúvidas referentes ao uso da palavra próximo. Pelo que li em alguns artigos desta plataforma, quando próximo é empregado em locução adverbial - «As casas estão próximo do (perto do, junto do) rio» -, não deve ser flexionado. Mas o que se deve fazer em casos como o seguinte: «As casas próximas do rio inundaram-se»? A flexão de próximo, aqui, é correta? E se a construção fosse desta maneira: «Próximas do rio, as casas inundaram-se»?
Criação de palavras: "vicinalvo"
Gostaria de submeter à vossa análise uma reflexão sobre a ausência de um termo sintético na língua portuguesa para designar o elemento que sucede o próximo (o segundo em uma sequência, ou n+2). Atualmente, o falante recorre a perífrases como «sem ser nesta rua, a próxima» ou «na terça-feira da semana subsequente à próxima». Tais estruturas, embora gramaticalmente corretas, são imprecisas e onerosas em contextos de rapidez comunicativa, como na navegação assistida por GPS ou em agendamentos céleres. Nesse sentido, proponho o termo "vicinalvo" (ou "vicinalva"), formado pela aglutinação do latim vicinalis («vizinho») com o elemento alvo (objetivo/finalidade). A construção «Vire na direita vicinalva» ou «Marcaremos para a terça-feira vicinalva» parece preencher essa lacuna de forma precisa. Consulto esta equipa sobre a viabilidade morfológica desta proposta no sistema do português e se consideram que o termo preenche adequadamente essa 'janela lexical'. Existe algum arcaísmo ou termo já dicionarizado que cumpra essa função específica de saltar uma unidade para designar a seguinte? Desde já agradeço o vosso contributo para o esclarecimento desta questão. 
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