DÚVIDAS

Conjuntivo: pretérito perfeito vs. pretérito mais-que-perfeito
Antes de mais nada, desejo-vos uma Feliz Páscoa! E agradeço o trabalho que a equipa de Ciberdúvidas faz. A minha dúvida de hoje tem a ver com duas formas compostas do modo conjuntivo, a saber o pretérito perfeito (composto) do conjuntivo e o pretérito mais-que-perfeito do conjuntivo. Será que, exprimindo anterioridade em relação a uma ação já realizada no passado, estas duas formas são sinonímicas, significam o mesmo? Por exemplo: a) Embora eles tenham estudado, não conseguiram passar no exame que fizeram ontem. (Exemplo tirado do livro “Gramática Aplicada 2”, p. 60). b) Embora eles tivessem estudado, não conseguiram passar no exame que fizeram ontem. É igual o sentido das frases a) e b)? Ou é diferente? Se é diferente, qual é a diferença? Obrigada. 
A sintaxe do verbo chocar («embater»)
Recentemente, foi-me apontado um erro de regência verbal numa estrutura sintática semelhante a "Duas bicicletas chocam uma na outra". A justificação é a de que o verbo "chocar", com o sentido de "embater" não admite a preposição "em" e que só a preposição "com" é aceitável neste contexto. A única versão possível seria, portanto, "Duas bicicletas chocam uma com a outra". Consultei o dicionário Houaiss (Círculo de Leitores, 2015) e constatei que o verbo "chocar" pode ser regido de três preposições, nomeadamente "com", "contra" e "em", mas o dicionário em questão não foi aceite como uma fonte confiável por se tratar de um trabalho de um autor brasileiro. Sem querer discutir a relevância desta referência que eu pessoalmente considero primordial e muito relevante para as questões linguísticas de todas as variantes da língua, na minha maneira de ver, qualquer uma destas preposições estaria correta, e "chocam uma na outra" teria o mesmo valor que "chocam uma com a outra" ou até de "chocam uma contra a outra". Poderão ajudar-me a perceber se estarei errada? Obrigada.
Gostar e os verbos auxiliares
Sou apenas um estudante de estatística que teve curiosidade em relação a assuntos da língua, peço que desprezem a pontuação e outras gralhas. Aprendi que as estruturas da conjugação perifrástica são: verbo auxiliar + preposição + verbo principal no infinitivo verbo auxiliar + verbo principal no gerúndio Gostaria de saber se na frase «O João gosta de dançar» temos ou não a conjugação perifrástica. Obrigado!
Rimas interpolada e emparelhada
Venho pedir a vossa ajuda quanto à classificação de tipos de rima consoante os esquemas rimáticos. Assim: 1) ABBA. Neste esquema considera-se que existe apenas rima interpolada, ou é igualmente defensável a ideia de que temos rima interpolada nos As (A_ _A) e emparelhada nos Bs (_BB_)? 2) ABCA. Aqui podemos considerar rima interpolada (A_ _A), ou o facto de os dois versos do meio apresentarem rima diferente (B distinto de C) invalida essa classificação? 3) ABBACC Podemos considerar aqui, além da rima interpolada (ABBA) uma rima emparelhada (CC)? Ou, para ser emparelhada têm de existir necessariamente pelo menos dois pares (ou trios) iguais seguidos (CCDD ou CCCDDD)? Finalmente, pergunto se a mudança de estrofe invalida a continuidade de uma sequência rimática. (Por exemplo em dois tercetos com a sequência ABB ABB, podemos considerar rima interpolada nos As)? Analisei várias respostas do Ciberdúvidas a estas questões, não tendo ficado inteiramente esclarecido. Gostaria também de saber se existem regras definidas ao nível do Ensino básico e secundário, ou se, pelo contrário, várias interpretações são possíveis. Agradeço ao Ciberdúvidas, parabéns pelo vosso trabalho.
Crase e locuções: «saíam às cinquenta, às cem moedas...»
Lendo Os Maias, deparei-me com este uso da crase: «Isolou-se então – sem fechar todavia a sua bolsa, donde saíam às cinquenta, às cem moedas...» O contexto: o rapaz se isolou, mas continuou a fazer caridades. O uso dessa crase em «às cinquenta» e «às cem» seria análogo àquele da expressão «às pressas», «às escondidas» ou «aos montes» (masc.), como um advérbio? «Saíam moedas aos montes.»
Conjugação verbal e verbos auxiliares
Vejo sempre em livros o ensino de conjugação dos tempos composto com o auxílio do verbo ter . Ex.: «Tenho estudado bastante.» Nunca vi, todavia, exemplos com o verbo vir , apenas na linguagem falada do dia a dia. Ex.: «Venho estudando bastante nos últimos dias.» Assim, gostaria de saber se esta última construção é abrangida pela norma culta ou é fruto de coloquialismo. Desde já agradeço pelo apoio de sempre!
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa